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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Crise Existencial



Entrevista exclusiva de mim comigo mesmo:




Eu: Você é feliz?

Eu mesmo: Caramba! Tinha que começar logo com essa pergunta?

Eu: Resposta errada. Se tivesse respondido de outra forma, acabaria logo com a entrevista (risos). Agora me diga quantas vezes você já tocou sua existência essa semana.

Eu mesmo: Gostaria algumas vezes de fazê-lo menos, mas ouvi muita Legião Urbana em minha adolescência pra não me perguntar ao menos uma vez por dia por que eu vivo nesse inferno celestial.

Eu: Te incomoda conviver com tantas pessoas que são tão diferentes de você?

Eu mesmo: Normalmente não. Mas me magoa a intolerância das pessoas. Sabe, as pessoas costumam colocar uma redoma de proteção com auto falante ao redor de si. Além de se protegerem dos outros exageradamente, ficam escutando initerruptamente uma frase repetindo sempre coisas como"eu sei", "eu posso" "eu estou certo", "só eu...". Isso me deixa depressivo.

Eu: Vale a pena se sentir assim pelas outras pessoas?

Eu mesmo: Pensando rapidamente, sem muita reflexão, a primeira coisa que pensamos é que não vale a pena. No entanto, se eu começar a pensar assim, não serei melhor do que os que critico.

Eu: Mas você não acha que mesmo assim, ao se achar melhor do que os outros, ainda que de uma forma mais eloquente, você também se coloca no mesmo patamar de eusismo?

Eu mesmo: Cara, não acho que seja errado, de forma alguma, pronunciar eu; mas os pronomes pessoais do caso reto são seis, e apenas dois deles apontam pra nossa própria direção. Além do mais, não acho que somente eu penso assim, absolutamente. Do contrário, estaria digitando isso de um manicômio.

Eu: Mas e você, como se sente em relação a si mesmo?

Eu mesmo: O maior genocida da humanidade pela manhã, o salvador do mundo a tarde e a crise do oriente médio a noite. Nem sempre nos mesmos horários, alguns nem sempre no mesmo dia.

Eu: E agora, como está se sentindo?

Eu mesmo: Bem melhor. Acho que já posso começar a ficar pior de novo.

Eu: Muito obrigado pela entrevista. Sou seu fã.

Eu mesmo: Eu que agradeço, mas infelizmente não posso fazer o mesmo elogio a você.

5 comentários:

Cibelle disse...

Muito boa e criativa a entevista! Deu para fazer uma análise do seu interior mais intimo, kkkkk...
Beijos!

***MissUniversoPróprio*** disse...

Hahahaha Muito bom!

Pois é, é esse egoísmo desmedido, que encontramos na sociedade, que nos mata pouco a pouco.

Muito criativo! Beijos e obrigada pela visita! ;)

Luna Sanchez disse...

Opa, que texto ótimo, moço!

Olhar-se com algum afastamento é tão complicado...tu fez isso muito bem, com humor e coragem.

Parabéns!

ℓυηα

Gleidson Gomes disse...

Adoro crises existenciais (na verdade, acho que é por causas delas que ainda estou vivo!), ainda mais quando elas sangram assim, como fraturas expostas.

Sil disse...

Interessante....

Me pego as vezes fazendo estas entrevistas em pensamento..r.s.r.s

Obrigada pela visita e pelo carinho...

Estarei por aqui...

;)

Bjos