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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11 de Setembro - a desculpa que Bush queria


Eu não me sinto muito a vontade em escrever sobre isso, porque é um assunto que diz respeito a muitas vidas ceifadas direta e indiretamente por neo-kamikazes, vendedores de armas e empresários do petróleo. Não pretendo aqui fazer uma análise exatamente historiográfica, antropológica ou sociológica, o que pretendo com este texto é desabafar mesmo.

No dia 11 de Setembro de 2001 eu estava no sofá de casa quando o mala do Carlos Nascimento chamou o plantão da Globo anunciando que um avião havia se chocado numa das torres do World Trade Center. Durante alguns dos seus comentários (ainda presos, pro nosso bem, dentro da estrutura amordaçante do jornalismo global), a outra torre foi atacada. Eu percebi na hora, mas o Carlos Nascimento pensou que fosse replay. Só depois é que avisaram a ele sobre o segundo ataque, ou seja, eu vi ao vivo o momento que condenou milhares de pessoas a morte, e isso foi muito chocante pra mim.

A Al-Qaeada, grupo terrorista que assumiu os ataques, é especialista em ataques terroristas como este, inclusive comenta-se que um dos teóricos que estudaram foi o baiano Carlos Marighella - duvido que ele tivesse uma imaginação tão fértil quanto a de Bin Ladem - o que explica o fato dos ataques terem driblado o dito maior centro de inteligência contra ataques terroristas do mundo.

Aí pronto, Osama Bin Laden foi eleito o cara mais malvado do mundo, e o império estadunidense provocou lágrimas no mundo pela maldade dos terroristas do oriente, através de seus recursos midiáticos de altíssima qualidade. Pouco se falou nesse bojo que tudo o que Bin Laden, líder da Al-Qaeda e assumidamente o mentor do ataque, é cria do Bush Pai. Na década de oitenta, quando os EUA municiaram os grupos guerrilheiros contra a invasão soviética, Bin Laden era um dos principais atores do conflito, e na época ficou muito agradecido pela ajuda recebida do governo estadunidense. Quer dizer que ser terrorista contra os soviéticos é um dever cívico, e ser terrorista contra os estadunidenses é maldade?

Não vou aqui citar números, apesar de entender que muitas vezes números são relevantes, porque costuma-se reduzir vidas a meros números como estratégia de amenizar a dor alheia, a crueldade dos inimigos do povo. Mas pensemos da seguinte forma: eu espero que a pessoa que estiver lendo esse texto jamais tenha perdido um ente querido, mas mesmo quem não perdeu conhece alguém que já passou por essa experiência trágica, e sabe o quanto é dolorosa a despedida definitiva, ainda por cima quando ela é prematura, e mais ainda se for fruto de alguma maldade humana. Agora imaginemos milhões de pessoas inocentes vítimas de pessoas que pensam que a vida não passa de uma pedra que devemos pisar para não tocarmos na lama. É contra esse tipo de gente que reside a minha revolta expressa aqui.

Porque todos sabemos que logo após os ataques de 11 de Setembro os EUA saíram em ofensiva contra o Iraque e o Afeganistão para que o Bush filho fizesse o acerto de contas pelo Bush Pai e assim a indústria bélica e petrolífera dos EUA, financiadores da campanha de Bush, pudessem ter o retorno esperado. E nessa brincadeira vimos o quanto a ONU é tão legítima quanto uma nota de três reais e observamos atônitos mais vidas sendo exterminadas a troco de nada - na verdade, muita grana

Contra o Iraque a coisa foi ainda mais gritante, pois como já havia passado a febre do 11 de Setembro, o demoníaco Bush inventou que lá haviam armas químicas e usou a falta de democracia explícita no país oriental para iludir o mundo e mais uma vez projetar os EUA como heróis planetários, no melhor estilo hollywoodiano. O Iraque então, impotente, abriu as portas para que inspetores da ONU buscassem as tais armas químicas. Não acharam. Aí, depois que tinham tirado as maiores armas do Iraque, os EUA invadiram mesmo assim, dizendo que era mentira do Saddan Hussein e tudo mais. Pronto. EUA invadem exibindo seus melhores brinquedos em propagandas que custaram o preço de vidas inocentes, e ainda por cima, o adversário que já não era forte teve seus braços amputados, talvez para que não se corresse o risco de arranhar os brinquedos do Bush, pois eles seriam vendidos ainda.

Como é que o cara que fralda as eleições para vencer pode pregar democracia? Como é que um país pode dizer que o Iraque é perigoso tendo a maior quantidade de ogivas nucleares do mundo? Como é que um país pode se dizer democrático se até o voto dos estados ricos tem mais peso do que o voto dos estados pobres? Como é que eu vejo a imprensa puxa-saco de estadunidense dizer que os ataques contra as torres gêmeas foram cruéis - e foram mesmo - e não dizer o mesmo sobre as invasões imperialistas dos EUA? Como é que Bush chama Saddan e Fidel de ditadores e invade o país alheio mais fraco como um elefante pisa numa formiga?

Essas são minhas angústias. Pra falar a verdade eu me sinto bem com elas, pois sei que Bush e outros terroristas mundiais não sentem o mesmo. E enquanto a humanidade tiver a capacidade de se indignar perante a injustiça e fazer disso uma arma em prol da justiça, eu terei motivação para continuar vivendo. Pois viver num mundo onde ninguém se importa com o próximo é como não viver.

Meus sentimentos aos parentes das vítimas de todo e qualquer atentado terrorista no mundo. Em especial, já que falo da Amazônia, aos parentes dos trabalhadores sem-terra massacrados em Eldorado dos Carajás pelas tropasde Almir Gabriel, aos "órfãos" de Ir. Dorothy nos PDSs da terra do meio no Pará, e a todos e todas que tiveram uma chaga aberta pela intolerância e perversidade humana. Meus sentimentos mais que especiais para as crianças exterminadas nesse processo, pois saber que crianças são assassinadas em troca de papel e títulos é algo que me tortura profundamente. ODEIO ESSE SISTEMA MALDITO! ODEIO SABER QUE BIN LADEN AINDA PODE SER PRESO OU EXECUTADO, MAS BUSH E TANTOS OUTROS TERRORISTAS ESTADUNIDENSES CONTINUARÃO IMPUNES ENQUANTO O IMPÉRIO NÃO CAIR!

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Recomendo as seguintes obras para reforçar o assunto aqui tratado:

- Documentáro "Fahrenheit Onzede Setembro", de Michael Moore - Recomendo procurarem no You Tube o discurso do diretor que ganhou o Oscar de melhor documentário por essa obra. Vale a Pena.

- Canção "Armas Químicas e Poemas" de Hunberto Gessinger registrado pelos Hengenheiros do Hawaii no Acústico MTV.

- O livro "Batismo de Sangue" de Frei Betto, para que possamos ter a visão de um religioso que participou do grupo terrorista de Marighella.

Um comentário:

Ananda disse...

dia 11 de setembro me lembrei ontem,,eu ainda era apenas uma criança,eu tava na cama,vendo este noticiário ,acho q foi a tarde,não me lembro bem,eu só sabia q era alguma coisa importante,eu não sabia o quão grave era essa situação (o q uma mente de 8 anos podia concluir sobre aquilo?)
Realmente é triste saber q Bush continua impune,mas infelizmente é assim,os EUA continua sendo esse maldito país,q sempre quer ser dono de td,e as guerras continuam a acontecer,e realmente parece q nimguém se importa de verdade.