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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eu, tu e a terceira pessoa ou A despedida

- O que estás fazendo?

- Eu estou chorando, como podes ver.

- Por que tu estás fazendo isso?
- Pelo mesmo motivo que tu. Ou essa fala engasgada e esse olhar lacrimoso mentem?

- Eu vou casar com ele. Estou muito nervosa, com muito medo, mas nesse momento sei que farei a coisa certa.

- Podes me pedir todo o cosmo que por mais que eu sue para catar de astro a astro eu ainda assim te entregaria sorrindo, mas não me peça para te dar força nisso. Eu te amo demais pra te prender, e seria realmente torturante saber que um inbecil sortudo teve a ousadia de te fazer infeliz, por isso, o meu desejo incondicional que sejas feliz permite-me dizer sinceramente que espero que dê certo, e nada mais que isso.


- Você sabe que desde que te conheci a incerteza é minha mucama, ainda que a escrava da dúvida não seja ninguém melhor do que eu. No baile da minha consciência dançam sem música alguma a felicidade e o desespero incessantemente, mas eu tive mesmo assim que fazer uma escolha...

- Sei que no fundo gostarias que eu fizesse como ele. Te batesse, chorasse, entrasse em desespero ou coisa assim, mas recomendo que desistas, se for o caso. No meu quintal jamais faltou cantoria de pássaros, mas jamais houve uma gaiola. Não sou da tua classe como ele, não sou tão lindo como ele, tua família não me aceita como aceita a ele, mas sei que o nosso problema, no fundo, não está com ele...

- Nós dois sabemos que eu sou uma covarde.

- Não me entenda mal. Sei que cada um decifra o indecifrável de si mesmo. Ainda que concordasse que você é covarde, ainda assim não a condenaria. Se fazes isso é porque sente-se melhor dessa forma. Só uma pessoa muito imbecil pra discordar de sentimentos.


- Pensei em várias formas de desenhar, dançar, cantar ou até mesmo berrar o que vim te dizer aqui, mas não consegui achar forma melhor para dizer do que falar simplesmente que te amo.

- Eu sei, apesar de tudo, que me amas. Eu também te amo de uma forma que Paulo ficaria feliz de ver, pois meu amor por ti tudo suporta, nada inveja e nada toma de assalto para si. Mas nada disso me impede de chorar.

- Você é a melhor pessoa que um dia eu já tive. Vou viver esse momento com outro, porque no labirinto da vida esse é o melhor caminho que encontrei para a felicidade. Não tenho realmente forças para suportar a felicidade e a angústia que seria ficar contigo. Se é minha covardia que é gigante ou meu amor que não é tão imenso assim ou ainda que meu amor por ele é maior, penso que só poderei descobrir vivendo, dando um passo de cada vez.

- Existe algum final melhor do que tchau para isso?
Pois não suporto mais falar sobre isso em voz alta. Já não basta o que ficarei falando comigo mesmo no silêncio de minhas insônias vindouras...

- Sim, há uma coisa:



__________
Imagem: Google.

7 comentários:

Alline disse...

A felicidade alcançará a moça?
Parece prenúncio de traição futura.
Será?

Beeeeeeijo, Eraldo!

Nara disse...

Isso não vai dar certo...
Pra que enganar o coração?

Beijo,
Nara

Luna Sanchez disse...

Tsc-tsc-tsc...isso aí não vai durar. Aposto!

=\

Beijo, beijo, querido.

ℓυηα

Raquel de Carvalho disse...

"Existe algum final melhor do que tchau para isso? Pois não suporto mais falar sobre isso em voz alta."

Adorei a resposta!!! Foi a parte mais sincera do diálogo!!!
ehehehe

Ótimo, querido!!!!

Beijãooo.

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog do Depois do Divã. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs



Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

[Ananda] disse...

tsic,tsic.Sei não,romântico até o moço,mas eles parecem tentar se enganar e não querer se assumir,chatinhos.
Parece q não vai dar certo ,mas se eles querem isso,q sigam nisso.

Raphael Rocha Lopes disse...

Muito bom, muito bom... e já vi a vida imitando a arte (ou vice-versa).