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quarta-feira, 18 de maio de 2011

O mercado fonográfico brasileiro

Sem dúvida o grande mercado brasileiro vive uma entre-safra musical. Tem algum tempinho que não aparece nada no cenário nacional que vire uma febre e que dure mais que duas espinhas adolescentes. Na minha opinião isso é fruto da falta de visão do mercado fonográfico brasileiro ao dar larga visibilidade para bandas modinhas e ao mesmo tempo fechar os olhos para o efervescente cenário alternativo recheado de coisas interessantes.

E sabe, apesar de me irritar ouvir músicas com letras e arranjos que rimam com idiotice o tempo todo no rádio, nem estou querendo dizer que elas não devem existir. Afinal, o que seria dos homens bonitos se não fossem os feios como eu? O que estou dizendo é que o mercado fonográfico brasileiro tem uma síndrome de colono e uma falta de visão que o faz desperdiçar rios de dinheiro com os nossos talentos e investir a cada dia que passa apenas no sucesso do momento, mas isso é um péssimo negócio. Vejam bem que eu nem estou aqui criticando a lógica do mercado em si (que gostaria de deixar bem claro que não concordo), estou questionando o fato de que nem pra ser capitalista o empresariado artístico brasileiro presta.

Para ilustrar o que digo, vejamos aqui as atrações brasileiras confirmadas para o Rck in Rio 2011:
Cláudia Leitte; Sandra de Sá; Ed Motta. Capital Inicial; NX Zero; Milton Nascimento; Ivete Sangalo; Jota Quest; Marcelo D2; Cidade Negra; Skank; Frejat; Erasmo Carlos; Zeca Baleiro; Arnaldo Antunes; Pitty, Tom Zé; Titãs.

Bom, dessa lista, tirando NX Zero e Pitty, tudo já tem no mínimo mais de dez anos, e dos dois ainda, só Pitty tem alguma relevância. A maioria já tem, só de tempo de carreira, mais idade do que a maioria na platéia que se fará presente no maior festival pop brasileiro. Não estou dizendo que os clássicos não merecerem toda honra e toda glória, agora e para sempre (amém!), mas está muito claro que existe algo de errado quando num balcão de novidades só as relíquias brilham. É como se comprássemos sempre o jornal de ontem.

O que mais é espantoso nisso, é que não é verdade que não existam ótimos talentos aparecendo todo santo dia por aí. É que a indústria cultural brasileira faz uma nítida opção preferencial pelos jovens superficiais, edonistas, egocêntrico, efêmeros e egoístas. Todas as grandes programações e produtos culturais voltados para a juventude parecem dizer "jovem é idiota". E a própria mídia contribui e muito para que o jovem nesse contexto pós-moderno em que vivemos acabe ficando assim mesmo. Um jovem com medo de sonhar, de olhar longe, mirar e caminhar não importem as pedras. O Carpe Diem passa a ser então confundido com o aproveite o agora, e o medo de se construir algo que dure mais do que uma cachaça ou que um orgasmo acaba provocando uma dor existencial encravada no vazio de cada um.

Nunca se viu tantos jovens suicidarem-se. Nunca se viu tanta depressão e caso de jovens que piram do nada e pra nada. Antes da queda do muro de Berlin, ainda tínhamos um ideal, ainda que chulo, de que poderíamos derrubar o capitalismo sem nem sabermos ao certo o que fazer depois disso (na maioria das vezes era mais tolice do que ideologia, mas era alguma coisa). A partir do momento em que o muro caiu, as utopias também desabaram junto com os escombros. Desde então, todo e qualquer horizonte que passe daquele risco entre o céu e o mar parece perigoso. É como se voltássemos a acreditar que a terra é quadrada e que depois que cruzarmos aquela linha logo ali nossa embarcação afundará num vazio infinito rumo ao inferno. Hoje paira uma verdade absoluta(mente idiota) que defende o ter ao ser, e, ainda pior, ter pra mim ao ter pra nós, fazendo com que experimentemos a vida com dois cliques (apenas), e que nos tornemos rasos e unidimensionais como uma música do Restart..

E como exigir uma música profunda, com a longevidade da verdadeira obra de arte, se tudo o que essa juventude acredita é em tudo, menos nela mesmo? Como exigir águas profundas de uma poça dágua? E o que acontece aí? O mercado fonográfico, que faz avaliação semelhante a minha, aposta apenas em bandas que façam eco à superficialidade de então. Só que assim como nem toda juventude da década de oitenta admirava o rock brasileiro, hoje em dia também há muita coisa boa na contramão de tanta coisa tosca. Só que, não fosse a rede de computadores, talvez jamais conheceríamos. A arte nesse país simplesmente não tem o mesmo espaço que as porcarias. Resultado: bandas superficiais produzem sucessos superficiais e todo mês o mercado precisa encontrar uma nova porcaria superficial pra voltar a fazer sucesso superficial num ciclo maldito.

Ao contrário de muitos, eu nem defendo o extermínio disso aí que chamam de música. Só penso que o mercado poderia parar de subestimar a inteligência do público, principalmente da juventude, a exemplo do que faz a indústria cultural inglesa, por exemplo. Existe porcaria pop do lado de lá? Existe. Mas por lá um show do radiohead (considerado cult) arrasta muito mais público do que um show aqui da eguinha pocotó (in memorian), por exemplo. Os empresários brasileiros precisam aprender com o primeiro mundo, ou seja, oferecer produtos culturais de qualidade não fará a revolução. Nos EUA, o System of a Dwon não derrubou o Bush, e ainda deu muito lucro pros bolsos empresariais gritando bom gosto. O capitalismo daqui precisa aprender a não ser orgulhoso e abrir espaço pra bandas e artistas com algum tipo de alma. Não se preocupem, mercado fonográfico brasileiro: O sistema não deixará de ser cruel, os empresários não deixarão de ser filhos da puta, mas pelo menos o bom gosto terá mais espaço e num Roquenrio como esse, nós não teremos que esconder nossas porcarias pop dos gringos e só chamar a velha-guarda pra salvar a pátria (que nos pariu).

Abaixo, só no cenário nortista, exemplos de bandas que poderiam estar facilmente na grande mídia no lugar de muitas COISAS por aí:

Madame Saatan, Pará, mistura metal pesado com carimbó (ritmo paraense)


Los Porongas, Acre, tem a admiração de nomes como Dado Villa-Lobos

13 comentários:

Alê disse...

Nossa!

Faz uns 03 anos que não assisto TV, cansei de tantos 'talentos' empurrados à força,


Não generalizo, mas, me aproximou dos livros,


Enfim,


Boa reflexão!

Long Haired Lady disse...

o underground tem muitas bandas legais, que tem coisas a dizer!
dá uma conferida no video do meu perfil...

Suzana Martins disse...

Sabe, cansei dessas bandinhas aparecendo ai e fazendo sucesso com letras que nunca dizem nada. Nosso cenário brasileiro é tão rico em música de verdade, mas infelizmente a massa parece gostar dos outros ritmos que aparecem. Isso é triste.

beijos queridoooo

tonholiveira disse...



Ué!
Sumiu meu comentário...
?

:o)

tonholiveira disse...



Era mais ou menos assim...

"Se o Roque.RIU, esqueceram de chamar o DIDI-dadá-Gugú, os Kassetas e os "Stand up Comedy" pra completar esta PorraTotal!"

"O Rock'in'Rio é uma grife,
tá nem aí para música!
"

"O RockEЯЯOU a muito tempo!"

A Globalização matou a Música na mídia tradicional (Rádio, Jornal e TV)


A BOA música dos Clássicos aos novatos com conteúdo vai bem obrigado!

No Brasil tem muita gente BOA, nova e desconhecida... a salvação é a interNET, lá (aqui) descobre-se as novidades!

Viva A BOA Música do MUNDO!

:o)

Abraço-tchê!

Paulo Braccini disse...

A mercantilização das mídias de massa é a grande responsável pelo mal gosto dominante bem como pelo ostracismo de grandes revelações em favor de espaço para outros de consumo fácil e rentável ... lamentável tudo isto.

bjão

Titi disse...

Ta aí, gostei do post.
Quer escutar música alternativa e boa de Minas Gerais? Transmissor e BandaUtopia!


PS: não, não recebi seu email, mas claro, já vou contar contigo para tal trabalho, agora só estou esperando a resposta de outras pessoas que convidei.
Forte abraço! e continue escrevendo assim, hahaha =D

Altavolt disse...

Taí um assunto que precisa de muito debate e discussão! Muito apropriado o seu post, caro Eraldo.
O povo brasileiro precisa começar a ser tratado com mais respeito à sua inteligência. Abraço!

Batom e poesias disse...

Arrasou!
Texto excelente.

bj

Rossana

Long Haired Lady disse...

o video não é deste meu perfil…rs mas vou te deixar o link:
http://www.youtube.com/watch?v=bRzWxvpcZ50&feature=related

Jamylle Bezerra disse...

O mercado fonográfico não só no Brasil, mas no mundo, tem muitas discrepâncias. Os fenômenos instantâneos ganham vez, enquanto os verdadeiros talentos ficam conhecidos somente entre os "guetos". Isso tem que mudar.

Bom fim de semana!!!

Valéria Sorohan disse...

Falta de cultura prá cuspir na estrutura.

BeijooO*

Letras Saltitando disse...

Verdade.... Pitty tem alguma relevância.... mas as bandas inglesas eu curto, e curto mais ainda aquelas que nem sao tão famosas....

E esse povo adolescente nao é subestimado, são tudo sem noção mesmo, basta uma bandinha qualquer subir um palco com uma roupa style e umas faixas enormes que já ficam famosos por conta desse povo adolescente.

Um tédio só.

bjo, bom findi!