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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Galos, Noites e Quintais - Aventura 5

Minha infância na periferia de Belém é analisada por mim muitas vezes a partir de um olhar sociológico e pedagógico. Mas se pudéssemos voltar no tempo e perguntar ao menino Eraldo Paulino, na época conhecido como Agô, ele provavelmente responderia com um sorriso fácil e tímido que se divertia muito. Foi um período recheado de brincadeiras que a gente construía junto com a turma, coletivamente, de forma autônoma, e algumas vezes longe dos adultos, de preferência. Como já contei antes, a iniciação sexual das crianças, pelo menos na minha época, era feita de forma lúdica, com dinâmicas feitas por nós e para nós mesmos. A primeira descoberta desse universo afetivo e erótico foi bem cedo, quando tinha cinco anos. Eu conto.

Estávamos nos enturmando com os novos colegas do então bairro da Guanabara, meus irmão e irmã mais velhos e eu. Decidimos brincar “Pira-se-esconde”, conhecida mais como “esconde-esconde” por aí. Estávamos num grupo de cerca de 10. O mais velho de nós deveria ter no máximo 10 anos. Escolhemos uma construção abandonada como local para esconderijos. O lugar estava um pouco sujo, tinha a alvenaria quase completamente levantada, mas não havia reboco nem portas, embora alguns cômodos estivessem cobertos.

Já na primeira rodada, enquanto contava até 10 a “mãe” (Como chamávamos quem deveria procurar a turma) todo mundo se escondia eu fiquei parado. Estava achando ótimo estar ali, mas naquele momento descobri não saber brincar direito daquilo. De repente fui ajudado por uma menina cujo nome não revelarei. Segurando meu braço me levou pra uma das salas. Estava Escura. Ela pediu silêncio. Deu uma olhada lá fora pra saber se vinha alguém enquanto eu estava nervoso. Não queria perder, embora não soubesse como ganhar. Ela me encostou perto dela. Me senti protegido. Depois ela começou a me beijar.

Ela deveria ter uns 09 ou 10 anos. Eu fiquei estático enquanto ela me dava beijos e beijos. Não eram de língua. Eram selinhos. Seguidos. Muitos. Na bochecha também, por todo o rosto, mas principalmente na boca. Ela era afoita. Parecia estar querendo aquilo a algum tempo. E tinha mais. Ela se abaixava e se esfregava em mim. Várias vezes. Tinha pegada. Devo dizer que fui ter noção básica de sexo uns três anos depois daquilo. Não entendia nada, portanto, mas lembro de ter ficado excitado na ocasião. Quatro centímetros de pinto duro.

Aquilo durou alguns estranhos e gostosos minutos, durante algumas rodadas, até sermos interrompidos pela mãe. Não a da brincadeira. A literal. A minha. Foi tenso. De repente comecei a me perguntar se estávamos fazendo algo errado porque o clima ficou bem pesado. Foi uma tarde muito confusa. Foi do extremo da libido ao extremo de repressão. Ambos incompreensíveis. Mamãe não repreendeu meu irmão ou eu, só minha irmã. Não sei se a mana passou por algo semelhante em outra sala escura durante a  brincadeira, mas não conseguia entender (e até hoje não entendo) porque uma menina poderia me beijar e minha irmã não poderia beijar e ser beijada.

Como D. Fátima suspeitou de algo erótico numa brincadeira onde só estavam crianças? Porque ela também brincou da mesma coisa, será? Não sei. Mas a partir dali, pra mim, brincar de beijar não pareceu diferente de nenhuma outra brincadeira, só precisava ser escondida pra depois não ficar chato. Eu gostava. Brincar era legal. Beijar era legal. Transgredir era legal.

3 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

bons tempos né? uma boa infância a gente nunca se esquece ... voltei das férias e amanhã posto ...

beijão ... saudades ...

Mirian Oliveira disse...

que infancia boa!
quem dera que a minha tivesse sido assim!!!
bjs

Teago disse...

Uma infância que muitas vezes não volta.
Tive uma quase assim....