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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

DIANTE DE SI – PARTE 1 DE 3


Durante a graduação ele não foi um aluno brilhante, mas nem de longe foi um aluno qualquer. Armando liderou por três anos o Centro Acadêmico de Comunicação Social, apelidado carinhosamente de CACOS pelos integrantes. Desde jogar o bebedouro quebrado na sala do reitor até ser preso por cuspir na cara de um PM durante um protesto, várias são as lembranças que aquecem o coração dele. A graduação veio com um canudo entupido de um passado honroso, aos olhos dele, mas de um futuro incerto. No momento que recebia os aplausos pelo nome chamado, no caminho até o palco ele ia refletindo sobre o que aquilo significava. Depois, lá de cima, olhando aqueles rostos maquiados, aqueles colegas perfumados e familiares orgulhosos, a pergunta que ele se fez foi: e agora?

Três meses depois, ele tinha o apoio da família, mas era estranho o aperto no coração que sentia ao saber notícias de seus amigos arrumando bons empregos em assessorias de comunicação, ou nas detestáveis redações de grandes jornais, que ele tanto criticou em vários momentos. Quatro meses depois, a bomba: “o filho é teu”, disse Alice, com uma barriga mínima para uma gravidez de cinco meses. Ele não quis acreditar. “Era uma orgia, porra! Você nem deve lembrar quantos te comeram naquele dia”, se desesperou. Ela argumentou que ele estava porre, mas deve lembrar que ela pediu muito pra que ele não gozasse dentro. Levando as mãos à cabeça, lembrou de como aquela irresponsabilidade foi deliciosa no momento. “Eu só descobri mês passado, porque minha barriga quase não cresceu e minha menstruação é irregular”, explicou ela, dizendo que nem sentir enjôos, sentia.

Cinco meses depois de formado, a família já o pressionava para arrumar emprego. “Um eu sustento, mas sustentar mais uma criança eu não posso”, avisou o pai de Armando. A angústia já o dominava quando soube que um jornal impresso estava contratando. Ele revia as fotos de um protesto a favor da democratização da comunicação que fez dois anos antes em frente à redação em que ele poderia estar no dia seguinte. A noite foi longa, mas depois de ter rolado na cama por muitas horas ele finalmente cochilou e sonhou com uma linda criança sorrindo pra ele. Ele a pegava no colo, e em seguida o bebê fofo mordia os ombros dele com a gengiva. Ele acordou às seis, com aquela imagem do bebê na cabeça. Antes das oito da manhã ele estava na redação. Ele foi indicado por um professor que sempre o achou promissor. O teste consistia em acompanhar uma equipe de reportagem e fazer uma ou duas matérias ao voltar para a redação.

Para a surpresa dele, a primeira pauta era cobrir um protesto de estudantes. Quando chegaram ao trecho da avenida bloqueada pelos manifestantes, ele logo identificou alguns "companheiros". Para justificar-se aos colegas jornalistas, disse que ficaria olhando de longe “pra fazer uma apuração por outro ângulo”. A equipe desceu, fez fotos, entrevistou estudantes, polícia e transeuntes. E Armando lá, escondido e morrendo de vergonha. Eis que um policial começa a provocar os estudantes. Chama-os de veadinhos. Um estudante, como de praxe, reage atirando pedras. Basta. A confusão se generaliza. Balas de borracha. Pedradas. Cassetetes descendo. Sangue escorre. Eis que, bem diante de Armando, um policial passa a rasteira num estudante e covardemente o acerta uma coronhada na cabeça. O estudante grita. Armando mira o rosto. É semelhante. Lembra muito. Não. Não lembra, é: o sucessor dele no CACOS.

A confusão se dissipa. A polícia consegue desbloquear a via. Motoristas de carro e ônibus e muitos trabalhadores nos coletivos xingam os estudantes detidos quando passam por eles. Armando vê tudo isso também. A equipe volta à redação de um jornal de linha editorial extremamente conservadora. Agora ele tem que escrever, sabendo que se escrever como pensa ser a verdade o emprego não será seu. Ele lembra-se da militância. Do discurso, do filho, do passado. Pensa no futuro... pensa no agora... e agora?
Continua...

12 comentários:

Mirella de Oliveira disse...

Muito bom, Eraldo. Agora vê se conta logo o fim dessa história que eu to aqui louca pra saber!
hehe

Beeeeijo

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

seguindo os episódios ... ao final comento ... ansioso ...

bjão querido ...

inconstante k disse...

sempre tenho opiniões antecipadas,e quase sempre me ferro por isso,então para falar algo vou esperar o final.

Alê disse...

Af!


Achei pouco sofrido...

Dhal Pinheiros disse...

Não perderei os próximos capítulos e o desfecho final =)
Beijos & Sorrisos !!

Anônimo disse...

humm esse meu amigo é mesmo do babado..escritor cabuloso =]

byTONHO disse...



Diante de SI... (é de ficar "fora de sí")

Di...LEMA.

Pode continuar...

:o)

Alê disse...

suspense!


rsrs,


eu odeioooooooooooooooooo suspense,


minha ansiedade quer pra ontem,



bjkas

Suzana Martins disse...

E agora estou de volta para ler todas as outras partes dessa história.

Saudades de vir por aqui...

Voltando ao normal e a rotina blogueira.

Beijos querido

Mirian Oliveira disse...

amo qnd vc escreve assim... fico imaginando mil desfechos... adoro esse suspense... minha cabeça vai a mil...

escreeeeeeve logo...

bjs

Diogo Didier disse...

Gosto desse seu jeito narrativo de escrever. Ele prende a nossa atenção e faz querer saber o continuar dessa intrigante história desse ex-universitário que começa a trilhar a vida de adulto.

Ansioso pela continuação! bjoxxxxxxxxxxxxxx querido!

Eraldo Paulino disse...

Agradeço a todos os comentários carinhosos de vocês todas e todos. Gostaria de pedir desculpas pela demora na continuidade, é que meu tempo anda mais apertado ultimamente.

Bjs e abraços. Gosto muito de todos vocês!