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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

No Ramal - Parte 2 de 3

Depois do primeiro capítulo...

Quando ele percebeu o assobio aumentar vertiginosamente, ao mesmo tempo em que uma aterradora ventania começou a balançar as folhas, ele quase gritou. Conforme um amigo paraense havia contado e o como ele mesmo já havia lido em livros didáticos, algumas centenas de anos atrás, a Matinta Perera era uma ave que assobiava e assombrava até se transformar em uma velha feia que só a porra; e a monstra só descansava quando o/a perturbado/a em questão prometia tabaco a ela.

Só aí ele percebeu que sua colega de caminhada pelo ramal já estava quase roxa de gritar. Ele teve muita vontade de encher a cara branca dela de tapas, mas seria mais masoquismo do que produtivo, então a abraçou. Nisso, o céu de 18h finalmente desabou dando lugar a uma escuridão total. O assobio parou. A ventania também. Eles ouviram o som de algo pousar, algo pesado, fedorento. De repente, a lua apareceu cheia, mas não iluminava toda a mata. Como um holofote, destacava só aquela criatura, franzina, vestindo um trapo que mal cobria-lhe as pernas magras e o busto. Fedia. Mas não era uma velha, era uma moça.

A gaúcha achou a bruxinha uma coisa horrível. Dentes encavalados apesar de branquinhos, cabelo suplicando por hidratação, unhas sujas, pernas muito tortas, enfim, toda sorte de defeitos que uma mulher consegue achar em outra numa frações de segundo. O gaúcho achou-a tal qual a comida do Ver-o-Peso experimentada naquele mesmo e fatídico dia: meio estranha mas dá pra comer. "Se tu for embora e deixar a gente ir, passa mais tarde lá pra pegar tabaco", disse ele com o cu na mão, lembrando-se da saída sugerida nos livros para aquela situação.

Ocorreu que a jovem Matinta sumiu. Na verdade, nem foi ela quem sumiu, a lua simplesmente deixou de focá-la. Tudo escureceu novamente, e num piscar de olhos, os relógios voltaram ao normal e a lua nova voltou para o lugar de onde não deveria ter saído. Eles se abraçaram. Ela chorava e ele apenas respirava aliviado. Momentos depois eles ouviram vozes. Eram os amigos paraenses que, por já se tratar de mais de dez da noite e sem qualquer contato resolveram verificar se havia algum problema. De fato, havia, mas nenhum dos dois turistas teve força pra contar. "Nos perdemos", justificaram.

Chegaram estourados. A casa onde ficariam era simples. Não dava pra ter muito a dimensão do espaço porque a noite já se ia com muita profundidade. Restou a eles, antes de repousarem, conhecer os anfitriões. "Vamos te apresentar quem está tomando conta da casa. A avó dela, a simpática senhora que sempre nos recebeu aqui já não se encontra entre nós. E esta, gente fina como é, está aqui ao invés de estar viajando a Belém apenas para nos acolher", apresentou o paraense amigo do gaúcho. A anfitriã apareceu lentamente, contra a luz. Os cabelos ressequidos, as unhas, a perna torta. Era ela. Quando os viu, focou toda a sua atenção à gaúcha, e sorriu com os dentes encavalados. A anfitriã era aMatinta. e o cu dos dois voltou a contrair...

Conclui sexta que vem.
__________________________________
Recebi este selo do meu amigo Antônio Rosa, do maravilhoso blog Cova do Urso.

Como regulamento, para este selo, devo ainda divulgar uma imagem e dizer o que vejo demais nela. A imagem é esta:

Escolhi essa porque representam as coisas com que mais aprendi na última década.

E também recebi da maravilhosa So Sad, de um dos blogs mais originais da blogsfera, chamado 2 + 2 = 5


Gostei muito de receber estes prêmios, mas, quebrando completamente o protocolo por completa falta de jeito pra cumprir a tarefa de escolher entre os blogs que amo, anuncio aqui que esses dois selos são presentes para todos os que sigo e que me seguem. Beijos e Abraços!

17 comentários:

Anônimo disse...

ta otimo, o primeiro f de arrepiar , agora esse te prende do inicio ao fim, essa tua sacada de parar nomelhor da historia, vale! deixa o leitor ancioso pela continuação!

Adorei!

Parabéns!

Rick disse...

Véio:

Caraleoooooooooo!
PQP!
Adivinha quem ficou com o cú na mão ao ler este post?
Rs...

Qto a foto que você escolheu e a frase:
"Escolhi essa porque representam as coisas com que mais aprendi na última década."
Putz!!!!!!
Eu também!!!!
Grande sacada!!!!!!

Abraços!

Valéria Sorohan disse...

Tão bom quanto a 1 parte, me deixando curiosa para ver no que vai dar. Engraçado que o pensamento masculino não muda nem na hora do aperto "meio estranha mas dá pra comer"
Muito bom!

BeijooO*

Suzana Martins disse...

Eu concordo com a Valéria, rs... Ahhh, esses meninos, rsrs...

Está ótimo, querido!!^^

Beijos

Luciana disse...

Envolvente e engraçado (eu achei rs)
Volto na sexta (volto antes) pra ver como termina!
Xeru

Paulo Braccini disse...

Delícia ... me deixando antenado e ansioso ...

rs

bjux

;-)

Renata disse...

muito bom!

não consigo nem respirar direito enquanto leio!

Que venha o desfecho!

Luna Sanchez disse...

Hóspedes da assombração...que programão! Ui!

Tô com medo mas quero mais.

Rá!

Beijos, querido!

ℓυηα

Léo Santos disse...

Ah, com tanto paulista por aí tu resolveu fazer apertar logo o cu dos gaúchos... É foda! Mas espero que no desfecho o casal de conterrâneos tenha sorte!

Um abraço!

Kelly Criis disse...

vc usou a expressão: "parece comida da mamae, mas dá pra comer.
seu fdp
agora q eu vi pq!
amei o post
ansiosa p chegar sexta p eu ler o ultimo capítulo.
bjo seu sem vergonha!

António Rosa disse...

Então!? É no cume da inquetação que parou? Gostei muito.

Merecedor dessas homenagens.

Abraço.

***MissUniversoPróprio*** disse...

Interessante. Carrega o leitor para o local da cena, como se ele mesmo fosse uma das árvores que compõem a cena, ali, silenciosas, a observar.

Obrigada pela visita e pelo carinho.

=**

Priscilla Marfori... disse...

Oi querido, você merece muitos selos como estes...

Grande abraço e B-Jos. doces...

=)

Alline disse...

Eita, o que será que aquela casa reserva? Muito mais emoções, ainda mais com a tal da dona toda torta... uhhh... rsrs

Beijooo, Eraldo!

Crônicas do Cotidiano disse...

Ahhh que saudade de casa...
Sempre pedia pra minha vó contar sobre as lendas da minha região - nem te contei neh? Sou amazonense e vivo em porto alegre a alguns anos. Sou filho de amazonense e de uma gaúcha - que não tem medo de assombração não!

Eu tem que falar da rasga-mortalha, curupira, Mampiguari... Ahhh a gente tem tanta história não é mesmo
Abraço meu amigo

Nini C . disse...

Uau, mto massa... nem preciso dizer que adoro tudo que voc escreve neh? beijo.

Daniel Savio disse...

Será que eles conseguiria dormir?!

Pois realmente, ue não conseguiria dormir depois de um acaso deste, fato...

Fique com Deus, menino Eraldo.
Um abraço.