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sábado, 8 de janeiro de 2011

Preconceito musical ou Orgulho de ser o que não é.


"Fique com seu bom gosto
que eu vou ficar com o meu"
(Marcello Fromer/ Sergio Britto/ Tony Belloto)

Preconceito é que nem pentelho. Uns cuidam melhor, outros cuidam menos, há os que não cuidam nada, mas todo mundo com mais de 12 anos tem. Faz parte da vida ter receio do que é diferente, e faz parte da vida também nos sentirmos donos da verdade, ainda que essa verdade seja que não somos donos da verdade. Eu, por exemplo, demorei muito pra apurar meu enorme preconceito musical.

Eu só conseguia ouvir com gosto rock com letras de protesto. Pensem que na mesma época em que me vidrei em rock estava no auge do axé. Eu odiava tudo aquilo. Pior. Eu odiava as pessoas que ouviam aquilo. Dizia que elas eram alienadas. Depois eu comecei a CULPAR as condições sócio-econômicas e do péssimo ensino público que dificultavam o maior crescimento intelectual da maioria da população, assim a maioria não conseguia entender algo mais denso nas músicas. Hoje me irrito ainda com a super-exposição de qualquer coisa, mas penso que ter a mente fechada traz mais irritação do qualquer letra simplória de música.

Quantos doutores por aí não são ignorantes? Quantos professores não tivemos que mereciam sentar do outro lado da sala e receber zeros consecutivos? Quantos padres e pastores não se comportam como demônio? Quantas mães não se comportam como predadoras? O sangue, os contratos, os títulos, os diplomas podem até simbolizar algo, mas nada substitui o que você verdadeiramente é. Nada mostra mais do que você sabe e do quão bom é capaz de ser do que a atitude que se tem nas situações de maior dificuldade. Por isso não vai ser a música que se tem no ipod a tornar-nos melhores ou piores. Pois Hitler adorava arte erudita.

Todo mundo malhava sertanejo, mas quando Maria Bethania cantou "É o amor" quantos inteligentes não cantaram junto? Malhavam Claudinho e Bochecha, mas quando Adriana Calcanhoto (Partimpim) cantou "Fico assim sem você", será que a letra se tornou mais inteligente? Acredito que não. Foram só pessoas que poderiam até se acharem melhor do que os gênios que as ouvem, mas mostraram que o verdadeiro artista percebe a beleza nas coisas mais simples da vida antes de retratá-la ou condená-la. Gostaria muito que houvesse uma exposição mais democraticamente abrangente dos produtos fonográficos em nosso país, mas penso que a internet acaba preenchendo um pouco dessa lacuna. Mas, no fim, preconceito é pior do que qualquer mau gosto, seja ele qual for.
____________________
* Vale a pena ouvir o "Bailão do Ruivão" de Nando Reis e "Iê Iê Iê" de Arnaldo Antunes, álbuns que, de certa forma, concordam comigo.
**Gostaria muito que os carros com equipamentos sonoros de alta potência explodissem todos, especialmente na praia, porque ninguém é obrigado a ouvir o que não quer.
***Imagem: Google.

15 comentários:

Paulo Braccini disse...

assino em baixo a esta brilhante contextualização ... preconceito e arrogância é coisa de imbecis mesmo ... e mau gosto é lastimável tb ...

bjão ao amigo

;-)

Edu disse...

Assino junto com o Braccini!!!

Suzana Martins disse...

Onde eu assino??!

Eu já tive sim meus preconceitos em relação a música, mas hoje tenho uma visão diferente de tudo isso. Acredito que temos os nossos momentos musicais, um dia somos meio bossa, outro sertanejo, no outro rock... Somos uma mistura de todos os ritmos, mas é claro que sempre há uma batida que gostamos mais, porém não vamos criticar ou discriminar ninguém por isso...

Aqui na Bahia, além do axé, tem um outro ritmo que não gosto, é o tal do brega (arrocha). É um estilo estranho, com letras mais estranhas ainda, porém há quem goste. E são pessoas consideras inteligentes, rs... É o velho ditado, né?! Gosto... rs

Beijão Eraldo...

Adoooro demais esse cantinho aqui!!^^

Daniel Savio disse...

É algo complexo quando o pre conceito te domina a tal forma a ter tornar num ser inrracional que a tua rejeita, mas tem letra que se eu ficar ouvindo eu surto (principalmente as letras de funk sem o mínimo conteudo)...

Sei que tipo, estou meio enrolado, mas espero que tenha tido boas festas e também feliz ano para ti, bem como para todos que você ama.

Fique com Deus, menino Eraldo.
Um abraço.

Adison César Ferreira disse...

Esse texto poderia ter perfeitamente o título de "Manifesto à imposição do que não quero ouvir". Foste muito feliz ao descrever que a música no ipod não torna ninguém melhor ou pior. Costumo dizer que não importa o som que se ouve, e sim o seu nivel de consciência.
Beijos, abraços e aperto de mão 0/

Paulo Braccini disse...

Pois então Eraldo ... Sampa é tudo mesmo ... qdo conheceres vais confirmar isto ... acredite ...

bjão

;-)

SolBarreto disse...

Amei o texto!
Ele me lembra uma frase que vi uma fez e que jamias esqueci e que em momentos de divergencia ela sempre me vem a cabeça...
Não concordo com uma palavra do que diz, mas respeito profundamente seu direito de dize-la!"
Acho que isso se encaixa em todas as situaçoes de vida, somos pessoas diferentes, com pensamentos diferentes e crescimento diferente, respitar a opinião, os gostos e as ideias dos outros a meu ver é uma forma de se ampliar o horizonte de se abrir a coisas novas e visões diferentes.
Mas claro isso é so minha opinião rsrsr

Valéria Sorohan disse...

Saudade dessas paulinisses cheias de verdades. Eu adoro Roberto Carlos e Amado Batista...rs

BeijooO*

SolBarreto disse...

Sei que seu Blog tem um estilo todo proprio e nem sei se você gosta desse tipo de carinho, mas foi a forma que eu encontrei de demostrar o quanto gosto e admiro seu cantinho!
Deixei um mimo para você no meu Blog espero que goste!
Passa la http://palavraspelocaminho.blogspot.com/2011/01/mais-selinhos.html

Kelly Criis disse...

perfeito esse texto...
independente da música que ouço
oq importa é oq
eu realmente penso e sou!

Rick disse...

Verdade!!!!!
E tá cheio de entendido no assunto por aí...

Abração!

António Rosa disse...

Excelente texto. Sobre o preconceito. Bem analisado e explicado. Você sempre me surpreende. Abraço.

Batom e poesias disse...

Meu querido, eu que já cantei por todo tipo de lugar, desde "bailão" na menor cidadezinha no fim do mundo ou no "bufet" mais sofisticado, afirmo que o "mau gosto" não tem preconceito.
Ele ataca qualquer um... rss

Sempre gosto dos seus textos articulados.

Beijos mil de batom.
Rossana

Dai disse...

Você esta muito certo mesmo, inclusive a Bethania trocou, não lembro bem, um "te" por "lhe" e acabou errando gramaticalmente. O que eu estou querendo dizer com isso é que às vezes as pessoas floreiam achando que o que acham ser mais bonito é o correto e acabam errando. No final, do jeito sertanejo estava mais correto à norma culta do que cantado pela Maria Bethania.

Mas eu tenho certa aversão sim por pessoas que ouvem sempre a mesma coisa, que nem reparam que a letra não tem o menor sentido, que não conhecem certas pessoas que fizeram a história da música, seja nacional ou internacional. Sei lá, acho importante conhecer algo além do nosso mundo 1x1.

beijo!

[Ananda] disse...

nossa,eu tbm sou uma preconceituosa musical,o.O mas hj em dia tento respeitar mais isso,apesar de me causar revolta (não pq eu quero é algo q chega sem eu querer).
No final,eu sei q preconceito é uma coisa sem sentido,q é coisa de retardado,mas nãoo quero me tornar retardada então o máximo q posso fazer é tentar respeitar e não agir q nem idiota.^^

o.O Bom agora é so esperar..bjs moço.