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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Postagens Retrô 5

Este texto eu escrevi ano passado. Se enquadra bem com esse momento introspectivo que as paulinisses minhas se encontram esses tempos. Texto editado.

Infância...


"Oh que saudades que eu tenho da aurora da minha vida
da minha infância querida
que os anos já não trazem mais"
Casimiro de Abreu

Não sei se é por eu ter vivido uma adolescência muito obscura, mas o fato é que eu venero a minha infância, mais precisamente a faixa etária entre 7 e 11 anos, quando eu brincava na rua quase todos os dias, quando eu vibrava a cada selinho que eu dava nas meninas, quando eu jogava bola de dia de tarde e de noite, quando os meus piores dias tinham só pouca diversão.

Quando leio o poema do Casimiro de Abreu* me vem um misto de prazer e tristeza. Lembrar da infância me deixa triste ao perceber que eu não sou mais tão livre como naquela época, como já não experimento o novo com a mesma voracidade, mas ao mesmo tempo, ao relembrar daqueles dias felizes eu me sinto feliz no presente também, é como se eu me transportasse de novo, e sentisse o perfume da manhã, ainda que artificialmente de certa forma.

É claro que é impossível voltar no tempo. A montanha da vida tende sempre a nos levar para cima (até a derradeira queda), mas é inevitável experimentar o sabor do tempo passado com certo pesar. A impressão que tenho é que quanto mais eu tenho saudades do passado eu fico mais velho. Hora isso me chateia, hora não.

O criador do Menino Maluquinho, o cartunista Ziraldo, conta que a idade da personagem é essa, entre 7 e 11 anos, porque é a fase mais feliz da pessoa. É quando não temos mais uma inocência demasiada, ou seja, quando já fazemos uma leitura de mundo interessante, mas ao mesmo tempo não temos os conflitos da adolescência e o peso do mundo adulto. A partir do que ele diz, eu sou o arquétipo do Menino Maluquinho, pois quando era criança aprontava horrores e era feliz de dormir quase toda noite sorrindo (como minha mãe conta).***

Mas a minha adolescência foi muito difícil, obscura e insalubre. Tenho a impressão que há uma lacuna em minha vida; parece que eu vivi até os 11 anos, quando começaram a aparecer as minhas primeiras espinhas, e voltei a viver com 21. Na adolescência, eu me escondia, era perfeccionista ao extremo, tinha medo de não beijar direito, medo de todo mundo me achar o cara mais feio do mundo, tinha medo de conversar com os outros, enfim, eu vivia numa escuridão da noite sem luar e sem estrelas. Não é que eu não entenda a importância dessa fase para eu ser o que sou hoje, pois foi nessa fase que eu descobri as grandes bandas, os grandes literatos, a militância, enfim, o norte para o qual meu nariz aponta, mas definitivamente não tenho saudades dessa fase.

Eu nem sei porque eu estou escrevendo isso, e acho que nem quero. As respostas dos adultos por vezes são muito mais irritantes que os Perguntas das crianças. Viver de forma sem dar bola demais para a seriedade sisuda no mundo adulto parece síndrome de Peter Pan, mas pensando bem, o mundo dos adultos é que parece a verdadeira Terra do Nunca. Não é que eu não goste de crescer, na verdade, o que eu não gosto é de envelhecer, no sentido fiosófico da palavra. A aurora da minha vida é realmente a infância, mas o sol continua nascendo todo dia, e me dizendo toda vez que ilumina a minha pele a mesma mensagem de amor que todos adoramos ouvir: sempre podemos fazer novo de novo**, e até morrermos, sempre teremos mais uma chance de dormir sorrindo. Obrigado sol, por me mostrar que a criança está aqui sempre que preciso.

Canção de Milton, interpretada pelo 14 Bis e Samuel Rosa que tem tudo haver!

_________________
**Parafraseando verso de Paulinho Moska
*** Não entrei em detalhes de minha infância aqui, porque já o faço na série que publico nesse blog chamada Galos, Noites e Quintais.

30 comentários:

SolBarreto disse...

Nao tem ideia de como gostei do seu texto! Como me identifiquei...voltei a minha infancia tambem...
Concordo com você plenamente e as vezes tambem tenho a impressão que pulei a adolescencia, parece que eu não a vivi...ficava enterrada dentro de casa, tinha poucos amigos, alias amigos eram os meus livros, minhas musicas, meu mundo particular...

Valéria Sorohan disse...

Delícia de texto. Não pulei nada, vivi cada fase com intensidade. A adolescência realmente é uma fase complicada, acho que mais para as meninas.
A infância tive a minha, agora vivo a do meu filho. Ele solta umas que eu curto muito.
Outro dia ele chegou e disse: mãe as meninas são ETs, porque elas não tem "piupiu".
Quando ele ganhou sua primeira nota de papel correu para mim e falou: mãe quanto custa uma passagem para Miame. E por aí vai.

BeijooO*

Luna Sanchez disse...

Que texto bonito!

Dá prazer, sim, saber que aquilo que fomos e que nos traz saudade ainda vive em nós, contribuindo para sermos o que somos. O que vivemos será pra sempre nosso e essa afirmação é beeeem mais profunda do que possa parecer e também bem mais comprometedora. ;)

Beijos, querido!

ℓυηα

Léo Santos disse...

Muito bem feita essa reflexão, que nos mostra que o ciclo da vida é mais ou menos o mesmo pra todo mundo, ou seja, seguimos todos um mesmo itinerário, até o fim da linha!

Um abraço!

Léo Santos disse...

Muito bem feita essa reflexão, que nos mostra que o ciclo da vida é mais ou menos o mesmo pra todo mundo, ou seja, seguimos todos um mesmo itinerário, até o fim da linha!

Um abraço!

Léo Santos disse...

Muito bem feita essa reflexão, que nos mostra que o ciclo da vida é mais ou menos o mesmo pra todo mundo, ou seja, seguimos todos um mesmo itinerário, até o fim da linha!

Um abraço!

Rick disse...

Eraldo:

Show de bola!
Só hoje me dei conta que também tive uma adolescência um tanto quanto obscura!

Abraços!

Vênus disse...

Oi Eraldo,

cheguei até aqui através do blog do Rick. Li algumas coisas e gostei demais! Voltarei outras vezes.
Adoro essa frase do post anterior ("Só não se perca ao entrar
no meu infinito particular").

Abraços

Lury Sampaio disse...

Identifiquei-me muito com o texto porque estou em uma fase em que nunca quis tanto voltar a ser criança, mas também já descobri que a criança que tem aqui dentro não irá morrer.
Belas palavras.
beijos.

Kéfhane disse...

Vi você em outro blog e vim aqui de curiosa que sou! hehehe

Gostei muito do blog e dos textos, li vários...

Beijos

Nara disse...

Sinto que quando somos crianças o mundo nos deixa livre, ao crescer, nos prendemos ao mundo.

Beijo,
Nara

Daniel Savio disse...

Infelizmente, não dá para correr da saudade quando tivermo a origem dela atrelada a felicidade, mas cada fase tem os seus prazeres, mesmo que as vezes pareça um fundo de complicaçõs.

Hua, kkk, ha, ha, é um diário mesmo lá, por isso não liga não =P

Fique com Deus, menino Eraldo.
Um abraço.

Suzana Martins disse...

Nossa, e eu fiquei aqui com saudades da minha infância. Saudade do triciclo, de correr pelas ruas, de brincar de casinha e de soltar pipa. Fui crescendo e fiquei com saudade da adolescência e das festinhas feitas em casa...

Ô texto gostoso!!!

Beijos querido!!^^

Hana disse...

Nossa que reverência linda a infância, amei amigo meu, e por falar em infância, amanhã eu vou me vestir de bruxinha e celebrar o halloween com as minhas crianças da escola, rss, acompanha-las a bater de casa em casa em casa perguntando, – doce ou travessura, que mico adorável,como professora ja me vesti de palhaça e agora de bruxinha, como a vida é bela, pra vc, eu como bruxinha deixo uma travessura, te desafio a viver lindamente feliz, com esta paz no coração, e que a harmonia esteja sempre contigo, junto com amor infinito em seu coração!!Ou seja, como uma eterna crainças.
bruxinha Hana

so sad disse...

essa poesia do casimiro foi uma das primeiras que aprendi , ainda criança.
com a vida a gente aprende que a melhor resposta é ser feliz!
beijo

Alline disse...

Despertaram as saudades, as minhas também. De brincar na lama, de andar descalça, de não ter hora nem preocupação nem vaidade. Melhor que a gente pode dizer que viveu intensamente essa fase e tem boas lembranças pra trazer de volta vez por outra.

Um beijo, daqueles bem grandes!

Foose disse...

Olá amigo!

Estou de casa nova! O Foose não terá mais post. E agora estarei no novo endereço: Setima Art (http://setimaart.blogspot.com/). Peço-lhe amigo que deixe de seguir ao nosso antigo endereço que foi alvo de sabotagem. Agradeço mais uma vez a sua participação e incentivo no nosso curto tempo no antigo Blog!
Obrigado e um grande abraço...

Nini C . disse...

Nuss, que bom te ler. Também sinto falta da minha infancia, principalmente dos 5 aos 9 anos, depois disso a minh infancia acabou ;(
Mas aí já é otra historia. rs...

Beijo.

Batom e poesias disse...

Espere! Não ligue ainda!
Só vai piorar. rss

Me deu curiosidade em saber quantos anos você tem...

"Existirmos, a que será que se destina"?
bjs

Rossana

[Ananda] disse...

AHHH como é lindo lê esse texto de novo,acho que é um dos textos que eu mais gosto,pois ,de certa forma me indentifico muito,muito com confusões,com essas coisas tão chatas e até idiotas de adolescentes que eu vivo,mas agora tô ficando uma menina bem mais de boa do q a 2 meses atrás.
Sua forma de escrever é extremamente linda , me encanta e consegue me prender e mecher comigo,vc tbm é todo assim,como seus textos.
Minha infância foi legal,tirando que eu era uma bobona e adolescência tô aprendendo a ser uma rebelde,revoltada, q odeia polícia,q tá adotando ideais anarquista (admiro) ,quer mudar o mundo,ama rock e deixa eu ver acho q não consigo manter nenhum relacionamento com nimguém,acho q tenho essas crises q vc tinha as vezes mas consigo superar.

Lorena Prazeres disse...

Seguindo aqui, segue tbm? Te achei no blog da Luna, beijos

Michele P. disse...

Eraldo
Ando a desconfiar que este que "leio" não é quem eu costumo "ler". rs

Hana disse...

Aki encontro muitos amigos, vi na lista de comentários, pode ter certesa que aki volto sempre, mesmo que seja pra reler, é saudável e me transporta seus textos. Parabéns de novo!!
com carinho
Hana

Raquel de Carvalho disse...

A melhor coisa é ser criança eternamenteeee!!!!
ehehehe
Adorei a musiquinha!!!!

Beijossss

Priscilla Marfori... disse...

Você escreve muito bem... gosto de vir aqui lê-lo!
Abraços.

Luna disse...

eu ainda sou criança, tenho sindrome de pete pan. certas coisas que faço e digo na frente dos meus pais e eles dizem sorrindo: essa Luna!

haha

eu brinquei muito, nossa, minha infância foi maravilhosa, vivi todas as minhas fases de forma intensa. sou feliz por isso.

adorei o texto, pra variar.

beijos.

Daniel Savio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hana disse...

E por falar em infância meu amigo, vc tem um pósinho mágico aíi para eu jagar na cabeçinha de uma das minha filhas que quer se casar aos 21 anos, quero uma porção mágica pra ela voltar a ser meu bebe, rss.
Seu texto eu li e reli hoje, as palavras são as mesma mas hoje vista de um ângulo deferente, adoroooo sempre!!
com carinho
Hana

disse...

Bah que texto lindo de se ler!

E realmente... que saudades da minha infancia... e falando nisso... o menino maluquinho completou 30 anos esses dias heheheh!

bjos

Eraldo Paulino disse...

Sol: Eu encontro muitas pessoas que se identificam com isso. Parece que a adolescência incomoda muito mais o próprio adolescente que os outros. Bjs.

Valéria: rsrs Delícia, né? Criança ao nosso redor é certeza de magia. Bjs!

Luna Sanches: Ô se dá. Beijão!

Léo: Será que sou um saudosista babão? rsrs Abraço!

Rick: Bem vindo ao clube. Abraços!

Lury: Então não perca mais ela, querida. Bjs!

Kéfhane: Valeu mesmo. Bjs!

Nara: Também sinto algo parecido, querida. Bjs!

Obrigado pela visita sempre marcante, meu caro. Abraços!

Suzana: Saudade do que é bom é tão bom, né? Bjs!

Hana: bjs bruxinha!

so sad: concordo. bjs!

Alline: Me vi em tuas palavras tbm. bjs!

Foose: Já é. abs!

Nini: Fiquei curioso, mas vamos deixar quieto. bjs!

Batom: eu sempre acho que não... rsrs bjs!

Ananda: Valeu mesmo minha linda. bjs!

Lorena: calaaaaro. bjs!

Michele: mosaicos... bjs!

Raquel: adoro ela. bjs!

Priscila: obrigado. bjs!

Luna: vc é um doce, querida. bjs!

Daniel: Valeu, meu caro. abs!

Rê: vc q é linda. bjs!