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terça-feira, 5 de março de 2013

Sobre ser e desobedecer

"Vou errando enquanto o tempo me deixar"
(George Israel/ Paula Toller)

"Ai que prazer
não cumprir um dever"
(Fernando Pessoa)


"Outros que contem passo por passo
eu morro ontem"
(Vinicius de Moraes)

"Nossa cidade é tão pequena
e tão ingênua
Estamos longe demais das capitais"
(Gessinger)

"Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta,
que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda"
(Cecília Meireles)

Por Santiago S.V.


Definitivamente não nasci para frequentar lugares onde há certezas demais, onde tudo é muito certo dos caminhos e as regras merecem ser cumpridas. Deve ser por isso que eu nunca abandonei definitivamente a Igreja Católica Apostólica Romana, de repente porque nela encontro-me entre uma minoria de vozes que fazem eco à subversão que em mim habita, independente de ideologias. Deve ser por isso, aliás, que nunca me senti plenamente à vontade em partidos políticos, em grandes movimentos sociais ou algo assim, pois em geral sinto minhas contradições sufocadas nesses espaços e já me basta uma só religião a seguir.

Não desobedeço por desobedecer e não creio que todos devam pensar/ agir como eu, mas é muito chato estar em lugares onde minha beleza não tenha espaço para ser horrível; onde eu não possa ser idiota sem perder o status de inteligente; onde eu não possa ser revolucionário e ao mesmo tempo amar um sectário da mesma forma que amo um pelego ou um doce repressor; ou onde eu não possa fazer a coisa errada tendo a certeza que é a maneira mais certa de agir.

Tem gente que não percebe o "Cabeça Dinossauro" em gente que nunca lançou (ou talvez nunca lance) um álbum melhor que "Televisão". Há gente que enxerga apenas a própria coerência ou a coerência daquele dado grupo pelo qual é "devoto" como luz, sem levar em consideração que o foco dessa luz direciona as sombras. Há gente que entende de jardim, entende de buquê de rosas, de arranjo de margaridas, mas não repara numa flor sequer, muito menos se atenta à beleza subestimada dos espinhos. E há gente que não.

Contudo, já reparei que a gente se sente mais à vontade quando aponta nos outros os defeitos que nós mesmo temos de mais grave.
________
Este post foi inspirado no delicioso blog 2 + 2 = 5

6 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Que beleza Eraldo! Que beleza! Vc é literalmente foda nas idéias e como vc as traduz bem com as palavras ...

"pder fazer a coisa errada tendo a certeza que é a maneira mais certa de agir." Isto é sublime ...

Compartilhando seu texto ...

beijão

Edu ardo disse...

Supimpa! Belo mesmo.

Batom e poesias disse...

Eu sou tão assim também... fiquei feliz em saber que és também.
Texto tão bonito quanto rico.

Bjs de batom
Rossana

Adison Ferrera disse...

Uau!

Adison Ferrera disse...

Uau!

Fátima disse...

Oi Eraldo

Identifico muito em tudo que escreveu. Adorável ler o que escreve, como sempre.

Saudades
Beijo meu