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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Inacreditável!

sábado, 20 de fevereiro de 2010
A Igreja como ela é - Carnaval com Cristo
Quando a música parava, não eram as palavras moralistas que mais a chateava, mas sim parar de ver aqueles braços tão firmes se movimentando. Até que ela percebeu certa utilidade naquelas palavras-entorpecentes do padre, pois toda vez que parava de tocar, o baterista saía do palco e entrava numa sala. Ela foi lá - escondida. Ele falava ao celular. Ela falou coisa melhor.
- Quem é você?
A conversa desenrolou-se para o fantástico festival da carne, no qual o paraíso só é alcançado cometendo os pecados certos. Enquanto a platéia atenta gritava glórias e murmurava lamentações e pedidos, eles poderiam se dar ao luxo de gemer com certo fervor enquanto gozavam. Não foram poucas as vezes, pois a cada intervalo, a sala, a qual somente o baterista tinha acesso, era revisitada. Ele dizia que estava resolvendo um problema muito importante ao telefone, enquanto que para aos amigos dela, ela não tinha gostado do convite e teria partido.
Quando estava para acabar o evento, ela deu a volta e entrou de novo naquela ilha cercada de verdade por todos os lados. Os amigos dela ficaram felizes, acreditando que as preces feitas com muito fervor e sinceridade por ela tivessem sido atendidas.
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Saiba mais da Igreja como ela é aqui
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Sem efeitos especiais

De tão absurdo, nem vou comentar o que ele disse, mesmo porque ele só externalizou de uma forma infeliz o que se convencionou a chamar de Deus: um ser mágico e egocêntrico que pode tanto fazer efeitos especiais em nossas vidas como pode nos jogar no que Ruben Alves costuma chamar ironicamente de "Câmara de tortura eterna".
Mas se Deus é um ser mágico mesmo, por que o filho do Pastor morreu de câncer? Por que o Papa levou um tiro? Por que a Terra Santa nunca está em paz? Se o inferno existe, então só quem deve virar a outra face são os discípulos, e o Pai do Mestre é um hipócrita? Hora, se Deus castiga as pessoas por justiça, então foi justo o que Deus fez ao povo egípcio, matando todos os seus primogênitos para salvar o povo hebreu da escravidão, como se o povo tivesse culpa?
Já pensou se alguém inventa uma máquina do tempo e ao voltarmos dois mil anos atrás víssemos que Jesus não ressuscitou ao terceiro dia, não transformou água em vinho e nem multiplicou os pães? Quantos continuariam acreditando nos ideais cristãos? Eu continuaria.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
O Costinha acertou...

Meu irmão achou uma fita K7 (lembram desse artefato arqueológico?) contendo algumas piadas do falecido humorista Costinha. Me trouxeram lembranças muito boas, de uma época inesquecível. Por isso, resolvi pegar uma das piadas que jamais saem da minha cabeça (eu nunca decoro piadas) e resolvi fazer, digamos, uma adaptação...
Um garoto estava brincando emfrente à igreja enquanto todo mundo celebrava a missa. Brincava de cutucar umas formigas com uma agulha. Toda vez que errava - e ele não acertava nunca - falava: "Errei porra!"
A missa termina
- Errei porra!
As beatas passam escandalizadas
- Errei porra!
- Errei porra!
Todo mundo cochichando
- Errei porra!
Chamam o padre
- Errei porra!
- Errei porra!
- Errei porra!
O padre vai tomar satisfação
- Ei moleque, vai pra casa
- Errei porra!
- Pára já com isso
- Errei porra!
- Errei porra!
O padre agacha e fala ao ouvido do menino
- Se não parar agora, Deus vai mandar um raio bem no meio do teu cu
- Errei porra!
CABRUUUUUUUM!
O padre fica com o fiofó chamuscado; e eis que uma voz grita do além:
- ERREI PORRA!
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Foto: google.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Sem mais valia e sem arroz...

Fui ministrar uma capacitação a uma paróquia sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, sobre a qual falarei melhor em outro momento. A atividade foi realizada na Vila dos Cabanos, um bairro industrial habitado por funcionários da Vale do Rio Doce no município de Barcarena - PA. Amo pegar a estrada, amo olhar o visual e tudo, mas o motora que conduzia o ônibus parecia que tinha como único objetivo oganhar na corrida das tartarugas. Meu Deus do céu, como eu sentia vontade de descer e ir andando. Acho que chegaria mais rápido.
Durante a viajem, tive mais tempo do que eu merecia para me borrar de nervosismo pelo desafio que estava para enfrentar.
Primeiro: Era a primeira vez que eu falaria sobre o tema, e o faria para uma paróquia com 23 comunidades e mais de R$ 1500,00 em investimento.
Segundo: Eu tenho um corpo fransino, o que faz com que eu aparente ser mais novo do que eu sou. Só que além disso eu sou novo também, e isso gera muita desconfiança nas pessoas. Imagina só eu fazer um investimento da porra e chegar um moleque para ser o assessor? Assustador, no mínimo.
Ao chegar no local, eu dou alguns dos passos mais difíceis da minha vida. Consigo me lembrar de cada um deles até que alguém viesse falar comigo. E aconteceu de novo: percebi que o olhar dela era de reprovação automáica pela minha aparência, assim como o de todos. O desafio era maior do que eu esperava, inclusive, porque quando vi o público chegar percebi que a maioria eram pessoas idosas, muito diferente do que estou acostumado a falar. A atividade atrasou, o que me deixou muito aliviado porque seria menos tempo de batalha, e assim, caso fose um fiasco, eu seria enterrado mais cedo.
De que forma falar de economia e todos os termos complicados envolvendo o assunto para pessoas que provavelmente nunca ouviram falar de Adan Smith, Engels, Keynes e companhia? De que forma falar mal das grandes empresas a pessoas que são exploradas pela Vale e não sabem? De que forma falar de ecumenismo pra pessoas condicionadas a achar que só através de sua forma de viver a fé há salvação?Simples: simples. Mais carne, menos gordura.
Quem fala em público precisa ter uma sensibilidade incrível para saber quando está sendo chato, quando tem que enfiar uma piadinha pro povo acordar, quando tentar falar alguma coisa que chame a atenção daquela pessoa lá no fundo meio desinteressada sem precisar ser inconveniente. E eu venho tentando desenvolver isso. Técnica que nos permite também saber a hora que temos de calar a boca e quando o que estamos dizendo está causando algum efeito no coração de alguém, pois a única parte do corpo que não aprende a mentir são os olhos. E quando bem na minha frente eu vi os olhos de um senhor lagrimarem quando falei sobre a importância da gratuidade, meus olhos devem ter devolvido para aquele senhor uma mensagem de alívio e satisfação.
Consegui! Não fiz aquela gente que veio de tão longe perder a viagem. Não fiz os organizadores passarem vergonha diante do povo.
"Meu filho, parabéns! Você falou bonito e de um jeito muito simples. Obrigada", disse uma das cursistas, a exemplo de muitas outras pessoas . Também dei meus msn e número de telefone pra algumas meninas (porque ninguém é de ferro). Foi a primeira vez que fui aplaudido de pé. Mas o que me deixou feliz mesmo, foi ver o entusiasmo das pessoas em sair por aí e levar a frente a campanha, inclusive ecumenicamente. Ou seja, saber que tudo o que recebi foi resultado de algo que dei. Não há nada mais gratificante que um salário justo, sem mais valia e sem "arroz"*; alías, as coisas boas da vida são assim mesmo, dadas de graça, como aqueles olhares que levarei comigo o resto da vida.
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* Termo utilizado para denominar atos indecorosos do empregado para com o patrão, como roubar mercadoria.
Foto: Google.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Acerto de contas
- Eu vim aqui pra te dizer que já entendi tudo. Você só queria me usar, se aproveitar de mim. Fingia muito bem ser carinhoso, e até falava todas aquelas declarações de apaixonado, mas eu sei que você deve dizer isso pra todas; imagino até que você já tenha todos aqueles versos dec[ - Oi.]orados, mas... ah, oi.- ...
- Eu me envolvi. Aceitei todos os seus defeitos, e olha que não são poucos. Até mesmo contra a miha família eu estava disposta a lutar, e olha que nunca f[ele olhando de forma cínica para os seios dela]iz isso por ninguém e... . O que foi?
- Saudades.
- Vai começar?
- Desculpe, continue (com sorriso maroto).
- Pensa que eu não sei qual é o seu jogo? Eu fui só mais um troféu pra você. Quando você viu que eu já estava caidinha por você, devo ter perdido a graça. Meu Deus como fui b[olhar convenientemente surpreso dele para o "v" olume no short jeans lycra dela]urra! (constrangida, mas tentando disfarçar) Você pensa que só porque tenho esse jeito meigo eu iria viver atrás de ti? Pois tá enganado. Você sumiu, mas eu só vim aqui te d[ - Ele é bonito?]izer...
- quem?
- O carinha lá...
- Por que quer saber?
- Ele é?
- É lindo.
- Ele é inteligente?
- É.
- Tava com saudades de ti.
- ...
- Eu vou embora. Já vi que perco tempo com você.
Ele a abraça forte por trás. Ao encaixar os braços em volta dela, sussurra no ouvido:
- você veio dizer tudo isso pra mim ou é a ti mesma que tenta convencer?
- vai me soltar ou eu vou ter que gritar?
- Desculpe. Não faço mais.
Ela anda dois passos, e, com a força que ela sempre gostou, ele a abraça forte. E por um instante, a moça não consegue distinguir se a avenida dos sonhos que ela caminha semi-acordada é para uma subida ou a uma ladeira.
Quando ela finalmente consegue ter forças pra falar alguma coisa, diz:
- Eu já perdi muito do meu tempo chorando por tua causa. Me sinto amada agora, e vim aqui pra ter certeza quevocê não passa de um fanthmmmmmf hmmmmmmmmmmmf hmmmmmf
- Desculpe (olhar cínico). Dessa vez é de verdade. Prometo que não faço mais.
- Tchau.
- Eu gostei.
- Até nunca mais.
- Diga que não gostou.
- ...
Ele grita:
- Eu pedi um tempo, mas foram os seus medos que disseram o "não" mais demorado. Quando a mentira deixar de ser cômoda pra ti, venha desnudar a verdade comigo. Eu rasgo a calcinha dela, e quem sabe você não arranca com os dentes a sua cueca. Certeza é aquele velho caduco daquela esquina qualquer. Lembre-se disso
- ...
.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Quem não mente não vira gente


Você não mente? Mentira. Todo mundo mente.A mentira é um mecanismo de controle social em nossa sociedade, e ainda que o nosso código moral condene a mentira oportunista, ou seja, aquela que machuca, fere, causa dor e/ou algum tipo de dano, não é possível que uma pessoa viva em paz socialmente se ela não souber mentir.
A falsidade, por exemplo, é o apelido da simpatia, mas em contextos iguais ou diferentes, ambas utilizam-se da mesma ferramenta para diferentes fins.
Uma pessoa com o cabelo ressequido chega num dado ambiente. "Nossa amiga, mas que lindo o seu cabelo", seria um dos comentários típicos de mulheres cujo veneno escorre involuntariamente pelo canto da boca. Mas também pode ser o mesmo comentário de uma pessoa que, mesmo achando o cabelo da pessoa em questão horrível, não se sente bem em utilizar-se de uma "sinceridade inconveniente", e prefere ser, digamos, simpática. Nem uma falaria a verdade, e, do mesmo modo, ambas concorreriam ao Oscar de melhor atriz - uma como mocinha e outra como vilã.
Aliás, o saudoso Paulo Autran, considerado o melhor ator que esse país já teve, costumava dizer que todo e qualquer ser humano atua, o que diferencia um ator profissional é que ele consegue fazer isso num palco ou diante de uma câmera. Diante do chefe não somos da mesma forma que diante do namorado. No frente da sogra somos Assim, pelas costas de réia somos assado. Ninguém é 100% "assim" o tempo todo, tudo depende do contexto. Podemos dizer que desde criança, por um questão de sobrevivência em sociedade, somos acostumados a selecionar as verdades a dizer ou a demonstrar, ou mesmo as verdades que temos de criar.
Eu costumo dizer que se eu não soubesse mentir, eu ainda seria virgem, e se mulher não mentisse, não haveria rentabilidade para motéis.
Imagina só um convite assim:"Meu bem, vamos foder hoje?" Raramente funcionaria. Mas se ele chama pra "jantar", as chances dele aumenta. E se ela por um acidente do destino perguntar se ele a convida somente porque quer sexo, ele jamais poderá confirmar. É um a espécie de princípio do jogo do sexo.
E entre agarros e gemidos a coisa funciona geralmente assim:
Não.
Pára.
Não.
Pára.
Não pára
nãopáranãopáranãopára...
Quem não lembra do Chicó do Auto da Compadecida e suas mentiras? Ariano Suassuna se baseou em figuras muito comuns no interior para criá-lo. Por aqui, chamamos esse tipo de gente de Potoqueiros (quem conta potoca). Em uma entrevista dada ao Jô, Suassuna comentou sobre o caso de um Chicó da vida que contava suas mentiras para um público muito atento, quando um forasteiro, se valendo de sua "genialidade" questionou a inteligência do povo ali atento a acreditar em tudo; aí um virou pra ele e falou que só uma pessoa muito abestada pra não entender que todo mundo sabia que era mentira, e exatamente por isso estavam ali.
Segundo Mario Quintana, a mentira não passa de uma verdade que não chegou a acontecer. Não a condenemos assim tão genericamente, pois ela é muito útil de quando em vez.
Top 10 de pessoas que (nem que seja láááááá no fundo) adoram mentira:
01º - Corno Manso (te faz de doido e conta pra ele)
02º - Mulher de safado ("prometo que essa foi a última vez")
03º - Dizimista (porque o céu é baratinho)
04º - Eleitorado brasileiro (...)
05º - Mãe (Quem nunca mentiu pra mãe não herdará o Reino dos Céus)
06º - Chefe (viva o caos no trânsito)
07º - Mulher sexualmente reprimida ("finge que não quer ou não poderei querer")
08º - Amigos pré-adolescentes ("Cara, eu comi umas dez já"; "Tá fraco ainda, eu comi 20")
09º - Cliente ("Você é muito especial para nós")
10º - Pessoa rica ("Pra quê me preocupar com a vida real se eu posso comprar fantasias?")
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Foto: Google
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Ditados Pós-modernos - antalogia
- Depois que inventaram essa palavra "pós-moderno", a gente não pode mais chamar ninguém de idiota
- Pica grande, buraco pequeno, tanto cuspe até que entra
- Quer saber como ela ficará no futuro? Olha se ela terá grana
- Cada um por si e Deus por mim
- O último que sair tecle Alt + F4 e depois Enter
- Em terra de hétero, quem se assume é rei
- Uma safada só não faz orgia
- A voz do povo é a voz da Globo
- Não sabendo que era pecado, ela foi lá e deu
- Quem tem grana vai a Roma
- Os acomodados que se mudem
- O que os olhos não veem o cu sente
- É com patetas que elas casam mais
- Apressado fode em pé
- Quando a esmola é demais, o povo faz fila
- Quem brinca com fogo acaba engravidando
- Entre padres e pastores não ressuscitou ninguém
- Quem quiser bem feito que pague
- Manda quem pode, obedece quem quer o emprego
- A ocasião faz a traição
- De preconceituoso e demagogo todo mundo tem um pouco
- De "meu amor" em "meu amor" a menina enche o saco
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Haiti
Crianças desesperadas gritando por suas mães enquanto muitos pulmões se exaurem entupidos de poeira. Desespero. Concreto.
Países sanguessugas mandando ajuda fantasiados de solidários como se o terremoto no Haiti não tivesse começado desde que Colombo pisou ali. América? América.
Gente se vestindo de seres humanos enquanto a próxima sensação da mídia não chega, mostrando quem sabe o fim do desrespeito à soberania do Haiti. Assim.
Lágrimas já tão comuns no país mais empobrecido da América caindo recheadas com perguntas do tipo: Porque eu? Por que nós? Por que aqui?
O planeta se contorcendo de dor, coitadinho, sem perceber que acaba as vezes machucando aqueles que menos tem culpa.
Pessoas caminhando para lugar nem um, como se todos os caminhos que antes pareciam estar fechados simplesmente tivessem desaparecido. Do nada. O nada.
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Foto: i Fotogaleria
Para saber mais:
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A Igreja como ela é
Inspirado na Obra de Nelson Rodrigues, eu também digo que não é exatamente com satisfação que afirmo o presente conto da vida real e dou fé, pois no fim, são histórias (quase) como todas as outras...
Ao fim do culto, descobriram que moravam perto um do outro, então, acabou ele indo para a casa dela. Ela estava só em casa naquela noite. O pai da moça era vigilante e a mãe dela estava viajando. Os dois entraram, e da feita que fecharam o portão estavam num pátio isolado da rua. Na porta da sala, os dois deram continuidade ao desfile iniciado outrora, e apesar da pausa gritante entre a alegoria anterior e a de agora, é possível dizer que não perderam nem um ponto no quisito harmonia. O beijo aconteceu de forma tão envolvente e ao mesmo tempo tão automática que nem um dos dois soube dizer como foi exatamente que chegaram ali.
Ao fim do primeiro beijo, perceberam que cada um ainda estava com a bíblia na mão, e foi dela a iniciativa de colocar as duas bíblias no canto da porta. O segundo beijo, não se sabe se pela atitude anterior dela, ou por qualquer outro motivo, foi bem mais pegado. Ele ficou excitado, e ela, se já não estava, ficou ao sentir a pressão dele contra ela. A mão dele desceu até o quadril dela, e com uma força moderada a puxou contra ele, talvez pra fazer ela sentir ainda mais a pressão, ou porque a pressão que ele dava era uma forma de aliviar um pouco da dele. Os dois continuaram se beijando; um beijo cada vez mais ardente, e após a mão dele percorrer uma deliciosa trilha pelo corpo dela, a mão dela foi a porta estandarte da noite.
No início ele não entendeu porque ela tentou colocar a mãozinha por dentro de sua cueca, na verdade no início ele achou bem estranho. Ela fez duas tentativas, e na segunda, por instinto, ele percebeu o que ela queria. Ele então encostou seu mundo no dela, ainda que o mundo dela ainda estivesse coberto pelo último manto, o que não os impediu de experimentar uma pequena porção do paraíso. Quando aquilo já estava passando daquilo que ela se permitia fazer naquele momento, ela o afastou, e mentiu dizendo que seu pai estava para chegar. Ele então pegou a sua respectiva bíblia (meio contrariado pelo fim, mas muito mais satisfeito pelo caminho percorrido) e saiu pelo portão, dando-lhe um beijo de despedida. Depois ela pegou sua respectiva bíblia e entrou também. Entretanto, talvez eles tenham demorado um pouco mais para voltar ao mundo que conheciam de cor. Palpite meu.
PS: Nem todas as histórias em meu "banco de dados" são tãããão suaves assim...
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Amor à primeira vista

Foi na sexta série. No primeiro dia de aula reencontrei com meu melhor amigo daquela época, Joilson. Ele foi logo dando um aperto de mão firme e me puxando pra ir ao segundo piso da escola.
"Vamos lá em cima que tem uma baita duma gata lá", falou ele com o sorriso maroto e um entusiasmo de sempre.
Quando chegamos lá, com um frio na barriga confirmei que ele não havia exagerado. Era realmente linda. Uma morena com lábios carnudos e olhos verdes.
Nos olhamos ao mesmo tempo. Meu coração pulsou imediatamente, e só anos mais tarde eu fui entender aquele sorriso oferecido a mim com cobertura de olhar docemente delicioso. Era o sinal de que o coração adolescente dela também pulsou ao me ver.
Não lembro de todos os detalhes, mas recordo de nos colocarmos numa típica situação de adolescentes enamorados, em que muitas brincadeiras são feitas como uma forma de reagir ao sentimento naquele momento completamente alienígena, principalmente para os meninos que amadurecem bem mais tarde em relação às meninas. O Joilson, sem vergonha como era, começou logo a tirar brincadeiras com ela, e me incentivava a embarcar nelas. Numa dessas brincadeiras-de-adolescentes-sem-jeito, naquele mesmo dia, findamos ele e eu cada um segurando um dos braços dela. Ela o repeliu com uma certa ignorância, e a mim não. Segurou na minha mão e sorriu. Eu fiquei sem graça pelo Joilson, que logo reconheceu o que estava rolando, e ao mesmo tempo fiquei com uma sensação de paz no coração enquanto largava suavemente os dedinhos dela.
O que fiz depois? Ah eu... lógico que eu... fugi de lá (também não foi correndo!).
Minutos depois alguma amiga dela foi à minha sala, e sem o professor perceber me disse nitidamente pelas frestas da parede de tijolos furados: "A Dani te ama!".
Quem é Dani? O que é amar? Será que Dani é aquela morena de olhos verdes que me olhou daquele jeito intimidador minutos antes? E por que eu me sinto estranho quando estou perto dela?
O amor de adolescente não é lindo? É mesmo. O amor de um adolescente tímido é tão inexplicável e sublime quanto qualquer outro, mas bem mais assustador.
Como podem imaginar, eu não aproveitei esse amor à primeira vista. A beijei (fui a primeira pessoa a beijá-la), mas por não ter a mínima maturidade pra entender aquele gostar, fugi dela como eu pude. Fui um bixo-do-mato minha adolescência inteira. É pena mesmo. Mas aquele primeiro encontro, aquele primeiro olhar, aquela sensação desvirginadora de beijar alguém que quer mesmo seu beijo, são coisas que marcaram muito a minha vida; lembranças guardadas no meu relicário de sensações lindas.
Minhas últimas palavras eu gostaria de dedicar à Dani, que provavelmente nunca vai ler, mas temos que acreditar no milagre da internet:
Dani, se eu fui o primeiro a te beijar, seus lábios foram os primeiros a me fazerem levitar. Eu vivi e você também deve ter vivido muitos amores, mas à primeira vista, só aquele encontro, só aquele olhar nos proporcionaram.
Beijos incandescentemente adolescentes!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O Novo e o Velho

O entusiasmado ano novo parecia indiferente quanto ao visível cansaço do ano velho.
- Eu vou ser o que você não foi. Afirmou com o semblante radiante de soberba o Ano Novo.
- Eu também disse isso, meu filho. Respondeu o Ano Velho após a típica ofegada delatora de enfermos.
- O que são essas manchas em você? Perguntou o Ano Novo, que pela primeira vez notara de verdade a velhice do ano velho, estado que para ele não deveria estar tão avançado assim.
- São as manchas da derrota recorrente, das sementes que não germinaram. Árvores que deveriam escrever flores de Copenhague e só gritaram frutos de egoísmo mórbido, gente que deveria ao menos brincar de vida mas só quiseram levar a sério a morte, verdades de paletó sem talento até para ser mentira, chances travestidas em verdadeiras miragens, e uma distância ainda mais enorme e cruel entre os perfumados e suados. Respondeu o Ano Velho.
- Mas você não está só mancha, há muito de vistoso e virtuoso em você. Comentou Ano Novo, enquanto escandalosamente notava pequenas manchas em seu pulso esquerdo.
- Essas manchas são hereditárias. Você herdou da incompetência de seus antepassados, e está propenso a repassá-las se não parar de ser o mais como propriedade exclusiva do mesmo.
O Ano Novo continuou então seu caminho. Num dado momento notou como é quase impossível ser o que jamais foram os anos anteriores, mas continuar não era algo negociável, ele tinha de avançar no tempo e não sabia (nem conseguiria) fazer diferente algo diferente disto. Continuou então observando atentamente nos quadros, nas páginas e nas partituras as novidades absolutas.
- Por que já no início do caminho um dos jardins da esperança foi inundado? Será algo de podre no Reino da Dinamarca? Será? Questionou-se o vigoroso Ano Novo enquanto continuava seu caminho, no trecho ladrilhado por blocos de otimismo.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
2009 já era...

Não sei se estou ficando velho, mas esse ano o tempo me assustou. Eu nunca fui exatamente um relapso, mas em 2009 foi a primeira vez que eu percebi o quanto a vida passa rápido, e quanto as muitas revoluções que acontecem a cada segundo nos empurram a um emaranhado de acontecimentos ao ponto de nos deixar num verdadeiro labirinto enfeitado do espaço-tempo.
Eu comecei a entrar nessa viagem em meados de novembro, quando eu estava olhando no meu orkut as fotos do Fórum Social Mundial que aconteceu em Belém do Pará em janeiro, e a sensação que eu tinha era que aquilo havia sido há cem anos atrás (Meu Deus! Foi em janeiro!). Com a globalização sentada e coçando o saco no sofá de nossas salas, temos bilhões de informações caindo em nosso colo de pernas abertas, e gozamos sempre muito rápido cada uma delas. É mais ou menos assim: Oi/ Tchau! Num piscar de olhos. Não parece que foi há muito tempo que o Michael Jackson morreu? Parece que foi esse ano que nos borramos de medo da gripe do porco? É assustador!
O homem historicamente buscou grandes realizações para garantir a eternidade. Praticamente todas as religiões e crenças oferecem respostas a essa preocupação da humanidade com a mira certeira do tempo. Se antes a preocupação se materializava nas gravuras, nas múmias, na promessa de vida eterna/ reencarnação ou algo do tipo, atualmente nós veneramos o imediato através de imagens em vídeos e fotos digitais de alta resolução e/ou louvando o senhor em cultos espetacularizados. Antes priorizávamos a perfeição, o conteúdo, a durabilidade, para garantir a eternidade. Atualmente buscamos o prático, o divertido, o passageiro, para garantir o melhor agora possível. Com a avalanche de informações e a aparente praticidade de todas as coisas, nosso olhar ao além e ao aquém aparentemente atrofiou. Só temos tempo e saco para o já e o aqui.
O ano de 2009 já está acabando. Breve ele será apenas aquela imagem salva no HD, aquele beijo que aguardamos tanto, aquele herói que se foi, ou seja, um mosaico de sensações diluído no rio da vida que corre sempre, apesar de tudo. Gostaria que ao invés de só gozarmos a vida tivéssemos mais paciência pras preliminares, pras conversas e carícias do depois, mas percebi em meu amargo novembro que não tem sido bem assim. Parafraseando o acidentado Dinho Ouro Preto e seu parceiro Alvin L, declaro a quem possa interessar:
2009 em breve será só mais um ano
Uma camisinha na lixeira
Um osso sem tutano
__________________________
Feliz
PS: Na dúvida sobre qual cueca ou calcinha usar na virada, não use nada – pode ajudar. XD
Dezembro:
Twittando...
Novembro:
Receita_para_ser_um_bom_universitário
Outubro:
nalireCo
Setembro:
Infância...
Agosto:
Ditados_Pós-modernos
Julho:
Pipas
Junho:
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Deus e o Diabo - Oração de Natal!
Fileiras enormes com milhares de demônios e formavam o que de longe mais parecia um grande formigueiro organizado sobre uma planície seca e mórbida. Inclusive, somente de muito longe era possível ver de fato o tamanho daquele batalhão. Eis que surge em meio a uma grande explosão de enxofre o Tinhoso. Seus chifres aparentemente estavam lustrados, sua pele estava mais vermelha que de costume, sua calda recebera um enfeite dourado na ponta; com os dentes cerrados olhou para todos e soltou um ruído que no início parecia inaudível, tamanha a agudez, mas em seguida mais parecia um ronco suíno carregado no colo por um mega sistema sonoro. Era a saudação do Coisa Ruim.
A batalha entre Lúcifer e Gabriel seria épica se não fosse tão breve. Antes mesmo de qualquer ataque efetivo de Gabriel, o tridente do Tinhoso o atravessou, fazendo voar penas.
- Inspire alguma daquelas parábolas agora, seu desgraçado. Gritou o "Você-sabe-quem".
Silêncio.
- São Pai, Filho e Espírito Santo. Reconheceram os anjos, santos e profetas, todos já com aparência de ilesos, que logo se ajoelharam.
De repente, todos os que não eram demônios começaram a sumir, indiferentes às súplicas do Diabo.
Ares, antes de sumir, colocou as mãos nos ombros de Lúcifer.
- Nenhum de nós jamais faria tamanho sacrifício. Isso perdeu a graça.
- Mas como, com um único gesto esse sonso pôde convence-los? E os fiéis dele?! Vocês não querem mais?
-->
sábado, 19 de dezembro de 2009
A música simplesmente é
Uma verdadeira orgia musico-blogal!
O fato é que a música está em todo lugar, porque é de todo lugar que ela brota; uma música pode nascer de uma paisagem disneysíaca ou de uma espremida no banheiro. A música brota do limbo, do purgatório que separa o céu do inferno, das palafitas que separam os transeuntes dos igapós.
A música não tem obrigação de ser nada, nem tem culpa do pai ou da mãe que têm. A música simplesmente é. Não serve pra educar, nem serve pra ser nada. Uma música de vanguarda para analfabetos é como ouro era para os nossos antepassados indígenas. Aliás, musicais mesmo eram eles, pois preferiam os espelhos, ou seja, algo que os fizessem refletir o que de fato eles eram a se iludirem com um brilho que não era de fato deles.
A música é feita com uma poção mágica, cujos ingredientes são:
- Uma pitada de Ar
- Duas doses de Diafragma
- Articulação ósseo/muscular a gosto
- Doses generosas de Alma
A música, pra ser entendida, deve ser sua.
Um dos critérios obrigatórios desta blogagem coletiva é elaborar uma lista com as melhores músicas segundo nosso próprio gosto, o que é muito difícil - ainda que fosse um top cem seria complicaddo. Por isso eu vou expor não necessariamente as minhas músicas prediletas (amo elaborar listas de melhores qualquer coisa), mas sim aquelas que melhor refletem meu jeito de ser e de pensar no presente momento que vos falo agora neste exato instante:
1 -Eu Quero Apenas
2 - O Vencedor (Marcelo Camello)
3 -Do the evolution (Pearl Jam)
4 - Roda Viva
5 -Eu era um lobisomem juvenil (Dado Villa-lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Nós e a Legião

que tudo era pra sempre,
sem saber que o pra sempre sempre acaba" (R. Russo)
Ontem reencontrei um dos meus primeiros amigos de colégio, chamado Edinan, mais conhecido como Edinho. Foi ele quem me apresentou ao mundo dos video games. No auge do console Super Nintendo ele vivia desenhando (e muito bem) em seu caderno os personagens do jogo que era febre na época, Street Fighter 2, e pela curiosidade de saber de onde brotava toda aquela inspiração aceitei o convite dele e fui até uma locadora de vídeo games. Pagamos um real cada e jogamos por uma hora. Na verdade só ele jogou, eu só perdi. Pior. Deixei cair o joystick - crime!. Perdemos 15 min de nosso tempo. Depois disso eu passei a ir sozinho pra aprender. Aprendi.
Manhêêêê!!! Quero um Super Nintendo!
Dona Fátima suou e eu ganhei um. Virei fera. Era um dos melhores da rua.
Nesse meio tempo me distanciei de Edinan, por todos os motivos que todos estão cansados de saber: distância geográfica, de almas, de sortes, de corpos, etc.
Por ironia do destino eu virei dono de uma locadora de vídeo games anos depois. E voltamos a conviver nessa época. Mas não ficamos próximos como antes. Nós viramos rivais de vídeo game. Ficávamos horas disputando. Delícia ter algum bom desafio desse tipo. Não substituía o prazer de namorar e jogar bola, mas depois dessas coisas jogar com quem sabia jogar era o que mais gostava de fazer.
Anos depois, já quase no fim da era da locadora em minha casa, quando já não tinha o mesmo barato jogar vídeo games, inclusive, por um acaso nos pegamos conversando sobre Legião Urbana entre amigos em comum. Edinho já era fã da legião a mais de dez anos na época, e eu conhecia não fazia nem um ano. Ele, portanto, fazia parte daquela religião renatorrusseana que não só sabia de cor todas as letras como se orgulhava de ser um dos poucos que além de ouvir também entendiam o que diziam as letras densas da banda.
Quando ele percebeu que eu gostava e ainda comentava veio até minha casa no dia seguinte e puxou logo o assunto da legião. Depois eu percebi que ele veio na verdade me testar pra ver se eu poderia ser considerado membro da seita ou algo assim:
Edinho: Cara, o que você entende quando o Renato Russo canta "e lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa"?
Eu: Acredito que seja uma crítica ao egoísmo, como se eu estivesse dizendo que as pessoas não são dignas de minha ajuda, que minha solidariedade é maior do que qualquer um.
Edinho: O.o
Fui aprovado com folgas. Edinan não era porra nenhuma na época além de gostar a mais tempo de legião, mas passar no teste dele foi uma das coisas que mais me deu orgulho nessa vida. Senti que a partir dali eu poderia me considerar um legionário. Então, periodicamente nos reuníamos para fazermos as viagens existenciais que as letras de Manfredini proporcionam. Em nossa conversa era fácil se ouvir questionamentos como:
- Por que o mundo é assim?
- Por que esse país não vai pra frente?
- Por que vivemos num mundo tão cruel?
- Por que que a gente é assim?
Até que chegou um momento em que isso passou a ficar desgastante. Sabe quando você mesmo começa a se achar um chato? Ele saiu dessa viagem antes de mim. Eu demorei mais a me tocar que ficar numa viagem existencial de vez em quando é até saudável, mas viver permanente mente assim é assinar um contrato de exclusividade com a tristeza, a chatice e a depressão gratuitas. Nos distanciamos de novo. Ele parou de só questionar e passou a viver de lá, e eu também parei de me auto-flagelar e viver de cá. Como moramos próximos, nos vemos com certa frequência, mas daquela forma como todos os ex-amigos íntimos se falam, ou seja, numa fração de segundos que separa o oi da resposta passa o flash back de nossa história, e ao mesmo tempo fazemos um raciocínio lógico: distância + tempo = falta de entrosamento.
Nos encontramos no ponto de ônibus. Nos falamos normalmente - Fala! Eaí?! - cada um em seu próprio universo e sem descer de sua nave estelar . Nenhum de nós pareceu disposto a forçar uma intimidade em nome dos velhos tempos. Seria meio ridículo àquela altura, penso. Ao invés de perguntar se eu estou trabalhando/ em que, ele olhou a minha bolsa do trabalho, e eu ao invés de perguntar aonde ia, observei que ele tomou um ônibus para a universidade. Simples assim. Sem ter de passar pela frescura da formalidade obrigatória ele seguiu. Eu também. Enquanto isso, assustadoramente, o mundo continua girando.