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segunda-feira, 30 de junho de 2014

ÚLTIMA PAULINISSE - Derradeira parte de um mosaico inacabado

Este blog nunca vai sair do ar, se depender de mim, mas não mais postarei textos novos aqui, salvo na hipótese de eu conseguir publicar um livro com algumas das postagens contidas neste cantinho que há cinco anos é minha válvula de escape para o infinito. Não lembrava, mas quando criei este espaço, na primeira postagem eu disse que ele a realização de uma meta pessoal estabelecida no final do ano anterior. Eu descontinuo as postagens mais ou menos pelo mesmo motivo. Tenho vontade de publicar algo em papel e nada melhor para começar essa vida do que aproveitar o que já produzi.

Foram cerca de 71 mil visualizações nessa meia década. Não significa que cada pessoa que abriu o blog leu um texto todo (tão pouco se gostou), mas é alguma coisinha. Quando eu tinha tempo e disposição pra ser um blogueiro mais ativo eu consegui uma média de 3 mil visualizações/ mês e encerro com menos de um terço disso, um dos motivos pelos quais tomei essa decisão de parar. Se eu não tenho como alimentar regularmente nem como divulgá-lo como se deve, vou continuar publicando aqui pra quê? Se eu quisesse escrever só pra mim e meus amigos mandaria os textos por email ou registraria só no meu PC. Óbvio que criei blog pra que muitas pessoas leiam as porcarias que escrevo.

Eu paro de postar, mas não o tirarei do ar.  Aqui eu expus as minhas entranhas, minhas confidências mais profundas, e minhas loucuras mais desnudas. Também conquistei verdadeiras amizades no mundão da blogsfera. Por isso, enquanto o blogspot existir esse canto existirá.Em breve, além de tentar publicar alguns desses textos pretendo criar um blog só pra contos eróticos e blogar crônicas no site da organização onde trabalho. Darei um jeito de colocar nesse próprio post aqui no futuro os links para vocês conferirem. Também tenho em mente alguns argumentos para romances. "Vamu vê" no que dá.

SOBRE O TÍTULO E PROCESSOS
Como falei em algum post da vida, “Eraldo e suas paulinisses” é um neologismo que brinca com meu nome composto. É legal que o “paulinisse” desobedeça a norma gramatical. Se fosse seguir a “ordem” seria “paulinice”, mas a este cafofo literário aqui jamais quis se enquadrar em regra alguma e enquanto laboratório contém muitos erros de ensaio. Quando re-leio sempre edito uma coisa aqui e outra ali, mas ainda há muitas falhas de concordância, de ortografia, inadequações estéticas. Contudo, como valorizo processos, esses registros com "erros" não me são motivo de vergonha, e sim prova de que a gente muda o tempo todo e às vezes consegue aprender algo. E se noto equívocos é porque alguma coisa assimilei dessa maldita arte de escrever.

Aqui estão registrados textos, inclusive, muito ruins, outros bons, outros "marromenu", ou seja, fica muito do pior e do melhor de mim. Jamais abandonarei minhas Paulinisses e nem deixarei de ser um mosaico de eus, porque pra mim isso é muito mais que um título e um subtítulo. É princípio. Ninguém é a mesma coisa sempre e deixamos uma assinatura particular em cada um de nossos gestos. Esse blog me ajudou a aprender a sobreviver nesse mundo através da escrita. Pretendo continuar fazendo isso de leso que sou.

Aqui uma pequena seleção nos meus textos prediletos dos principais Eus deste mosaico:





Eu Romântico: Twittando

Eu Existencialista: Mosaico de eus em debate



Eu Religioso: Círio de Lucidez

Eu Poeta: Mel e Limão




domingo, 9 de setembro de 2012

O Descobrimento do Universo

Texto feito em parceria com a blogueira Alana, do blog Palavreando...



Ele escrevia contos de fada sobre ela. Fazia daqueles cachos castanhos o travesseiro das suas palavras. E de lá, elas brotavam sorrateiras para cada parte do violoncelo, que para ele, era o corpo dela.

Ela aceitava aqueles olhares com a culpa de quem foi criada num jardim aonde as flores eram proibidas de desabrochar. Tinha vontade de ir, mas só quando já estava de volta. Sonhava com fogo sem ao menos poder ter sido fagulha, e pedia perdão a Deus por imaginar que todas aquelas notas que ele tocava eram sempre lá.

Nas sobrancelhas levemente arqueadas pelo olhar temeroso, ele a observava como se as palavras fizessem dela pôr-do-sol, início e fim ao mesmo tempo, abrindo espaço para um eclipse que aconteceria adiante. Para ele, nas pupilas dilatadas ela era o dragão fêmea, que inescrupuloso cuspia fogo e fumaça em meio ao quarto vazio de tudo que não fosse os dois.

Ela então passou a olhá-lo como quem abre a porta e a tocar nele como quem abre as pernas. Sorria de tudo que ele falava, mirava tudo que ele fazia, mas parecia que quanto mais ela andava menos saía do lugar. Era pecado demais chegar e dizer que o queria. Na verdade, ela se culpava pelo simples fato de querer tanto, mas aquela brasa não parava de incendiar - e um fogo que ela já não conseguia acreditar que aquecia os dois. Por que ele não a tomava para si, se ela já era dele?

Ele, confuso em meio àquilo que o corpo dela lhe dizia, se perdeu. Afundou-se no conto de fadas do qual sonhara fazer parte, e pensou ver sua musa musicista perder-se também nas notas, no fogo e no colchão, deixando-o desnorteado. Ele fugiu então pelos labirintos de onde viera até cruzar com os primeiros olhos castanhos que o esperavam na esquina. Estes olhos, que de musa não eram, trouxeram-no à realidade que não queria viver. Agora, era só o corpo, a culpa,  a puta, o gozo, a roupa, a polpa da noite que chegava ao fim.

Restou a ela a rua da dor que todos percorrem quando a paixão é via de mão única. Ele e a outra. Ela consigo. Ela, ela mesma, e ele nas lembranças. É o que ela tinha, e o que ela era conforme se descobria. Todos aqueles desejos fizeram com que ela achasse com as próprias mãos o caminho do desejo em si mesma. Ela sonhava e a mão descia, apalpava, esfregava. O dedo dentro. A mexida; o contorcer; o contorcer; o mexer; o entrar; o arreganhar e apertar de pernas; o gemido que escapava; aquilo que veio lá de dentro quando ela finalmente chegou. Ao abrir os olhos depois de experimentar o orgasmo, ela viu os olhos que a observavam pela fresta da porta que esquecera aberta. A mãe, ao perceber-se flagrada, foi rezar como quem sente inveja, e a moça sentiu a vergonha de quem não se arrepende.

sábado, 26 de novembro de 2011

O Canalha - Caça Especial


Dessa vez, não sou eu quem contarei a história do personagem predileto da mulherada. Quem conta essa caça especial de "O Canalha" é a Mirella do blog Mi amore. Deliciem-se.

Carolina cresceu em uma família de médicos. Aos dezessete anos, iniciou o curso de Medicina em uma das mais tradicionais faculdades de seu estado. Ela era a previsibilidade em pessoa. No primeiro ano da faculdade, conheceu seu primeiro namorado, um “mauricinho” rico e convencional como ela, e com quem mantinha relações sexuais mornas e padronizadas, com orgasmos raros e tímidos. Manteve o relacionamento por oito longos e tediosos anos, até ela descobrir que ele a traía com a moça cuja família era a mais tradicional e influente da cidade.t

 Estava há um mês sem namorado quando se mudou para um estado vizinho, a fim de iniciar um mestrado. Ao sair com os novos amigos da faculdade, viu aquele sujeito e teve arrepios. Ele era lindo, não podia negar. Moreno, musculoso e tatuado, andava de mãos dadas com uma garota linda, de pele bronzeada, longos e esvoaçantes cabelos loiros e usando um short curto, que exibia as pernas mais perfeitas que Carolina já vira em toda a sua vida. Sentiu arrepios e nojo porque o sujeito devorava Carolina com os olhos, sem se importar com a garota ao seu lado. “Canalha, não tira os olhos de mim mesmo com a namorada ao lado!”, pensou Carolina. 

“Hum, carne nova no pedaço. E essa é diferente das outras.” Pensou Marcos, ao avistar Carolina. Ele não havia sequer terminado o Ensino Médio, mas sentia-se doutor no quesito “sexo feminino”. O recato e o luxo estavam estampados em Carolina. Ela estava elegantemente vestida com salto scarpin preto, saia social um pouco acima dos joelhos e uma blusa azul de seda, comprada em sua última viagem a Paris. Seu requinte se destacava aos olhos de Marcos, acostumado àquele mundo de microvestidos e macrodecotes. “Uau, um prato cheio para a minha luxúria”, zombou ele em pensamento, enquanto desfilava ao lado de Denise.

“Uma vadia totalmente louca por mim”. Era assim que ele definia Denise, a loira de pernas perfeitas. Marcos procurava Denise nas noites frias de inverno, quando não conseguia nenhuma gostosa carente e louca para ouvir umas mentiras sobre amor em troca de uma boa trepada. Ela procurava desesperadamente chamar sua atenção e agradá-lo, por isso vestia-se de modo vulgar e fazia sexo como uma puta profissional, gemendo falsamente a fim de que ele se sentisse “o cara” na cama. Denise vibrava de felicidade quando ele ligava nas sextas à noite, imaginando que, no fundo, ele a amava, por isso sempre voltava a ligar.


Denise sempre via Marcos na companhia de outras mulheres, mas contentava-se com as migalhas de carinho que recebia. Ela se enchia de felicidade quando ele falava, durante o sexo, e enquanto puxava seu cabelo, o quanto ela era uma putinha gostosa. "Ah, ele só tem medo de ter um relacionamento sério", pensava ela.

 Agora Marcos estava ali, diante daquela garota linda e requintada, de pele clara e cabelos negros cuidadosamente penteados. Estava louco para sentir o cheiro e o toque daquele pele. Estava louco para desabotoar aquela blusinha de seda e despentear aqueles cabelos. Imaginou-se deslizando a língua por aqueles mamilos e teve arrepios ao imaginar o que ela escondia por debaixo de tanta banca. Estava morrendo de tesão e decidiu: precisava se aproximar daquela delícia.

Dias depois, Carolina não entendeu nada. Lá estava ela, em uma festa de acadêmicos. O que aquele ser desprezível estava fazendo ali? Marcos estava na sua frente, sorrindo gentilmente e lhe oferecendo uma bebida. Ela hesitou, mas decidiu aceitar. Iria manter-se à distância do sujeito e, afinal, estava em uma festa cheia de colegas. Que mal poderia lhe acontecer? Conversaram casualmente e Carolina se surpreendeu ao perceber que já havia contado que era médica, assim como seus pais e irmãos, que vinha de outro estado e que havia recentemente terminado um namoro de oito anos. Aquele cara era realmente bom de papo. E ainda era cheiroso e envolvente. Será que ele teria terminado com a namorada? Pensou Carolina, tentando, ao mesmo tempo, afastar a atração iminente que surgia dentro de si.

Começaram a namorar. Marcos nunca mais procurou Denise. Era perigoso, precisava conquistar Carolina. Precisava ganhar sua confiança. O sexo entre eles era maravilhoso. Marcos pirava com a pele branquinha, macia e cheirosa daquela mulher. Dedicava-se por horas a chupá-la e a explorar com as mãos e a boca cada pedacinho daquele tesouro. Carolina nunca sentiu tanto tesão com um homem. Chupava com vontade e rebolava como uma verdadeira safada. Ficava irreconhecível quando despia a fantasia de “boa moça”.

Dois meses depois, Carolina estava completamente apaixonada por Marcos e ele decidiu: “É agora. Não tem como falhar.” Levou Carolina para jantar. Vinho à vontade. Muito, muito vinho. Era sexta feira e, a uma da manhã, Carolina estava tonta. Marcos pediu que ela realizasse uma fantasia sexual dele. Disse que seria o homem mais feliz do mundo e que jamais esqueceria esse presente. Ela perguntou do que se tratava, com a voz embargada e acariciando as coxas dele. “Menage. Eu, você e outra mulher.” Ela estava prestes a dizer a ele que jamais faria aquilo quando percebeu os sinais de desapontamento em seu rosto. “Ok. Eu topo.”

Carolina e Denise. Ambas apaixonadas pelo mesmo homem e dispostas a agradá-lo. Ali, juntas. Denise quis beijá-lo. Ele pediu que beijasse Carolina. Ela beijou. Lentamente, sentiu os lábios macios da moça branquinha. Carolina estava em êxtase. As mãos de Denise eram quentes e ávidas. Exploravam o corpo uma da outra com maestria. Carolina desceu a boca e sugou de leve os mamilos de Denise, que gemeu de prazer. Com vontade, Carolina deslizou suas mãos pelas pernas perfeitas daquela loira sensacional. Denise virou-se e fez com que Carolina deitasse. Chupou-a com imenso tesão e Carolina gozou como nunca em sua vida. Denise também gozou, nas mãos de Carolina.

Foi só depois que notaram que Marcos não havia participado. Assistia a tudo sentado, gozando sozinho, extasiado com a cena daquelas duas mulheres incríveis. A loira e a morena. A recatada e a putinha. Sentia-se o homem mais feliz do mundo. Estava louco por elas. Apaixonado pelas duas. De um modo que nunca imaginou que seria.

Elas nada disseram. Vestiram-se e saíram, deixando Marcos sozinho e perplexo. Denise e Carolina nunca mais o procuraram. Não aceitavam as suas ligações. Não atendiam quando ele batia à porta de suas casas. Marcos nunca mais foi o mesmo. Ficava com outras garotas, mas aquelas duas não saíam de seus pensamentos. Carolina iniciou um namoro com um rapaz do mestrado, tempos depois. Denise continuava solteira, mas ficava casualmente com um ou outro cara nas baladas.

E nunca, nunca mais deixaram de se encontrar, assistir a filmes regados à pipoca, rir da cara do Marcos e gozar como loucas. “Programa de amigas.”,  Carolina dizia ao namorado. 

domingo, 16 de outubro de 2011

Santinha


Pode me chamar de retrógrado
machista, ou o que for,
mas gosto das sonsas,
das mulheres que se escondem atrás do "amor"...
...das mulheres que se negam a demonstrar a própria devassidão.
Gosto do jogo de palavras, dos olhares que dizem sim enquanto a boca diz não.

Gosto da malícia de quem se oferece se negando
de quem é santa na igreja e vadia na cama.
Gosto que não goste de ser literal.
Gosto que não goste que te levem a mal.
Não tenho nada contra as livres,
até feminista eu sou, se for o caso,
acontece que nos seus labirintos eu me acho.

Não quer homem safado? Tudo bem, é só você que eu amo.
Não gosta de putaria tanto quanto eu? Tudo bem que só eu não preste.
Não quer sair para transar? Tudo bem, vamos jantar.

Eu gosto, santinha
 do contorno que suas neuras me fazem dar...
...até chegar lá.
_____________
A resposta para este poema você encontra clicando na imagem abaixo

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Impenetrável

A comunicação de um olhar, de um quadro, de um verso, de uma crônica, faz com que a gente perceba que a forma tem poder, tanto quanto as pétalas das flores ou os dentes de um jacaré. Toda essa beleza primária e ao mesmo tempo sofisticada e profunda encontro em muitos amigos arquitetos da palavra na blogsfera. Vou encerrar* o mês de comemorações com o presente que recebi  de Antônio LaCarne,  O Impenetrável, que muito inspira meu Eu Cronista. Ele é alguém que conheci a pouco tempo, vasculhando ao leo a blogsfera, e representa, com seu talento homônimo, a vertente da blogsfera que também me encanta: Existe muito ainda a desbravar! Abaixo, o jeito impenetrável de escrever:



Amigo Eraldo:

As formas continuam a desaparecer e você narra os acontecimentos do dia com a palavra fisgada na boca. Cada detalhe simétrico é parte de uma visão sua, e ausentes percorremos os espaços das ruas, prédios infinitos, ruelas, sensações caídas e salvas de um décimo quarto andar doloroso, diário, preciso. Meu preciosismo profundo por cartas, bilhetes, avisos próximos. De longe, envio palavra, significado e aceitação às suas crônicas - eximias na retratação da modernidade. Cada pedaço é um grão de areia imantado no seu jardim. Nas costas do envelope deixo data e hora marcada. Pense que estou aqui: a ler cada frase sua reconstruída num papel guardado, jamais jogado fora. Outros anos virão e mais celebrações serão planejadas. Mas a rota, desconhecida.
________________
*Esse tipo de postagem continuará com outras pessoas ainda. Gostei de brincar disso!

domingo, 26 de junho de 2011

Coisas e Coisas

Seguindo as homenagens aos meus amigos da blogsfera, hoje gostaria de partilhar um texto de alguém que me muito inspira o meu eu safado. Não foi muito fácil escolher alguém pra me ajudar com esta postagem, pois graças a Deus acompanho muita gente safada (oi?), mas, devo confessar que sou completamente apaixonado pela Nina, criação de Alline do blog Coisas e Coisas. Alline, aliás, é o arquétipo da mulher do século XXI. Linda, livre, sem amarras machistas, e principalmente muito inteligente e escreve crônicas com uma energia incrível. Ainda bem que Canalha... 




 SOMOS DOIS

Queria chegar cedo e passar o som com os rapazes, seria nosso último show antes de eu viajar para Floripa. Sem carro, busquei o ponto de táxi a duas quadras do apartamento, na frente da padaria. Da esquina já vi o carro, um Uno com cara de rodado, o último do ponto. O taxista falava ao celular e pensei que não faria diferença se eu passasse na padaria para comprar cigarro, afinal a noite ia ser longa. Peguei logo dois maços, um saco de balas de hortelã e o último pastel de carne do balcão e fui fazer contato com o homem.
Ele me viu e sacudiu a cabeça e o indicador ao mesmo tempo querendo me afugentar. Custei a entender por que fechou a janela na minha cara. Era bem provável que se eu não tomasse uma atitude iria ficar para trás. Dei a volta no carro e me instalei no banco do carona.
Encarei-o de frente. Barbado, suado, a camisa aberta no peito ornado pelo cordão fino de ouro com um crucifixo. Abri a boca para dizer alguma coisa e quebrar o gelo, mas ele foi ríspido ao me interromper – não estava livre. Canalha! Sem dúvida me interessou, não pelo conjunto previsível, mas pelos lábios grossos que logo imaginei me percorrendo os bicos do peito. Me beija lá, vai... Também chamou a atenção a aliança na mão esquerda, uma aliança vistosa de quem não esconde seus laços. 
- Eu não vou sair daqui enquanto você não disser que vai me levar.
Ele desligou o carro.
- Tá certo, moça. Pra onde?
Pegou o endereço da minha mão, me tocou, e não consegui ficar indiferente à intensidade de seus dedos, meu estômago se contraiu inteiro. Ele? Não demonstrou nenhuma emoção e me mandou colocar o cinto para podermos ir embora logo. Podia ter me ajudado, podia ter me agarrado de surpresa e feito... feito tudo! Mas só deu a partida no carro. 
Reclamei do calor, puxei assunto, falei de mim e aos poucos ele foi relaxando. Não sabia se devia, talvez fosse minar o clima amistoso que demorou a se estabelecer entre nós, mas a curiosidade foi maior que tudo. Então você é casado? Ele fez que sim com a cabeça sem parar de mascar chiclete.  
- E você? É?
- Não tá vendo que não uso aliança?
- Isso não quer dizer nada.
- Se eu fosse casada usaria.
- Se fosse casada sairia com outro cara?
- Depende.
- Depende do quê?
- Se ele fosse um amigo, por exemplo...
- Não tô falando disso.
- Eu vou ser obrigada a responder?
- Sairia comigo?
- Com você?
- É. Por que não?
- Por que não?
O sinal estava verde. Será que vai dar tempo? Eu ri, não precisava traduzir meu desejo em palavras para aquele ali. Canalha! Ele sabia que ia me conduzir e fez uma ligação antes de se desviar do caminho indicado no papel. Canalha!  
Entrei na frente cheia de expectativa. A sala comercial aparentemente desocupada era o local de encontros dele e dos colegas do ponto. Estava imaginando coisas? Havia apenas o colchão de solteiro encostado na parede e o frigobar caindo aos pedaços no outro canto. Ele esticou o colchão.
- Quer beber alguma coisa?
- O que você beber.
Ele veio com duas latas de cerveja não muito geladas. Tirou a camisa mostrando logo a barriga bronzeada e nada saliente. Tomei um gole só e também comecei a me despir naturalmente, sem falar nada, não precisava. Ele esfregava a mão por cima da cueca enquanto me observava e esperou que eu me livrasse da calcinha para se aproximar. Puxou o elástico que prendia meu cabelo. O que é que ele quer? Ele pegou algumas mechas e arrumou-as sobre meus seios. Cheirou, acariciou o cabelo. Dedilhou o mamilo que se contraiu com o toque e me surpreendeu ao dizer que sua mulher tinha cabelos curtos e ele adorava cabelos compridos. Ai, canalha...
Deitamos na cama improvisada sobre o chão. Os cheiros variados indicavam que outros corpos tinham ocupado aquele mesmo espaço há não muito tempo, não liguei. Estava ansiosa para provar aquela boca carnuda, mas ele fugiu afundando a cabeça em meus cabelos. Por que não? Para não trair a mulher? Lutamos por alguns minutos até ele me imobilizar com o peso de seu corpo. Fiquei estática sentindo os músculos rijos, a carne quente, suada. Ele me penetrou de uma vez, me roçando por dentro, meus peitos tremiam e eu derretia nas mãos dele.
Quando levantou a cabeça para ver minha expressão de gozo, consegui me agarrar ao seu pescoço e surpreendê-lo com um beijo. Ele tentou me empurrar, não deixei. Me beija e esquece tua mulher, seu porra! Ele me atendeu e se entregou, a língua chupando a minha, vasculhando minha intimidade com saliva e sem o pudor que achei que tinha. Mordi-lhe o lábio inferior com vontade, deve ter doído, era o que eu queria. Para se vingar me colocou de bruços e o perdi de vista, a boca, tudo. Tentei me erguer, mas ele se enfiou onde devia e foi fundo. Acho que passamos mais de uma hora nos digladiando naquele colchão e não consegui outro beijo. 
Eu não lembrei que tinha prometido chegar cedo para passar o som com a banda. Ele esqueceu que aquele era o dia da semana que as crianças ficavam na casa dos avós para ele e a mulher poderem transar. Tarde demais para dois canalhas como nós.



quinta-feira, 23 de junho de 2011

Batom e Poesias

Tem gente que quer ser estrela e não é. No caso de Rossana Mazza Masiero é o contrário: ela é estrela mesmo sem querer. Rossana tem um defeito: Ela só consegue ser poetiza quando respira, quando existe. Muitos tentam fazer e até fazem poesia, mas poucos como ela são poetas de fato.


A conheci através do seu blog, o Batom e Poesias.Depois passamos a nos falar através de msn e facebook. Numa dessas conversas descobri que ela havia publicado algumas obras e que também é uma cantora excelente - quem achar que exagero pode comprovar no vídeo abaixo. Mas pra ela, isso tudo não é nada.


A descendente de italianos não gosta de tocar no assunto, mas é um ícone cultural de São José dos Campos/SP. Semana passada, a generosa Rossana me enviou um exemplar de uma obra publicada dela, o "101 Poemas" - e que presente! Com certa agonia desembrulhei o Sedex, e descobri ao abrir primeira e exatamente a página 109, que ela publicou um poema pra mim, mesmo antes de me conhecer.



De mim

Quando pensei me conhecer
enxerguei-me um quebra-cabeças
de peças dispostas aleatoriamente
confuso, difuso e disperso

um mosaico...

Aos poucos, me olhando melhor
achei que fazia sentido
o padrão dos desenhos
da minha alma refletida
num espelho de almas repetidas

um caleidoscópio...

Já hoje, me sabendo cada vez menos
sob o olhar arguto da vida

Sei eu:
múltiplos caleidoscópios
de um enorme mosaico indefinido
refletido em espelhos quebrados

sou eu...


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Aniversário das paulinisses

Hoje o "Eraldo e suas paulinisses" completa 02 anos de existência. Nesse tempo, foi como se o egocentrismo que me fez criar esse cantinho tivesse sido vítima de uma operação "Cavalo de Tróia" quando percebi que o barato mesmo da blogsfera não é o EU e sim o NÓS; não de mim PARA os outros, mas COM os outros.




Por isso, sem demagogia alguma, hoje fico feliz por ter um blog porque ele me deu possibilidade de conhecer pessoas maravilhosas. Gente amiga, talentosa, estranha, genial, que pelo mosaico desses "tus" extraordinários fizeram o meu eu ganhar mais partes interessantes ao mosaico existencial que é a vida. De uma forma geral, todas as pessoas que visito frequentemente e a as que infelizmente o tempo não me permite ser tão presente são realmente algo que tem me feito feliz nos últimos dois anos.

Por isso, resolvi encher o saco de um monte de gente para celebrarem comigo esses dois anos de paulinisses. Não queria explorar ninguém (juro), mas é que interagir com gente que admiramos é coisa mais legal de ter um blog. Por isso, perturbei algumas pessoas para me ajudarem com isso. Por exemplo, em relação ao novo layout, o novo banner/título maravilhoso deste blog eu ganhei do mágico Tonho, autor de vários blogs e o melhor poeta visual que eu conheço; o banner deu o tom ao novo visu. A nuvem de tags com meus "eus", ganhei da indomável Luna Sanches , uma das blogueiras mais originais do Brasil. Na hora que não sabia mais o que fazer com o novo layout, a lírica Michele P me deu uma forçona.



Essa semana ainda vai ter mais gente participando aqui com posts. Alguns eus do meu/nosso mosaico terá a participação de alguns blogueiros que tiveram a gentileza de aceitar o meu convite para participar. Falarei melhor sobre eles a cada postagem. Agora, gostaria de apresentar a quem não conhece duas blogueiras que transcenderam a barreira da blogsfera e se tornaram minhas amigas mesmo, como já aconteceu algumas vezes nesse tempo. Mulheres sensíveis, nem por isso menos fortes. Trata-se de Mirella de Oliveira e  Michele P que interpretam abaixo o poema que ganhei da última. Pessoas lindas que dedicaram uma parte da vida corrida delas para participar das paulinisses. Se tenho motivo pra me gabar nesses dois anos? Tenho: só acompanho gente foda na blogsfera.


Abaixo, um poema, dois sotaques:



Ora avesso, indiferente.
Ora amigo, confidente.

Por vezes maroto,
outras vezes domado.

Sempre coerente,
pungente.

De olhar distante,
faz-se presente.

De sorriso poupado,
faz-se de rogado.

Partes de um quebra-cabeça
em que as peças não se encaixam.

Dividido,
ambíguo.

Incerto,
perplexo.

Tão ele.
Tão eu.
(Michele P)
___________
*A imagens são algumas das propostas do Tonho até chegar ao que ficou o Banner. Muito obrigado, companheiro. Jamais esquecerei tua generosidade.
**Muito obrigado também, Luna, pela generosidade. Teu profissionalismo e criatividade são exemplos para mim.
***Obrigado a todas e todos.