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segunda-feira, 30 de junho de 2014

ÚLTIMA PAULINISSE - Derradeira parte de um mosaico inacabado

Este blog nunca vai sair do ar, se depender de mim, mas não mais postarei textos novos aqui, salvo na hipótese de eu conseguir publicar um livro com algumas das postagens contidas neste cantinho que há cinco anos é minha válvula de escape para o infinito. Não lembrava, mas quando criei este espaço, na primeira postagem eu disse que ele a realização de uma meta pessoal estabelecida no final do ano anterior. Eu descontinuo as postagens mais ou menos pelo mesmo motivo. Tenho vontade de publicar algo em papel e nada melhor para começar essa vida do que aproveitar o que já produzi.

Foram cerca de 71 mil visualizações nessa meia década. Não significa que cada pessoa que abriu o blog leu um texto todo (tão pouco se gostou), mas é alguma coisinha. Quando eu tinha tempo e disposição pra ser um blogueiro mais ativo eu consegui uma média de 3 mil visualizações/ mês e encerro com menos de um terço disso, um dos motivos pelos quais tomei essa decisão de parar. Se eu não tenho como alimentar regularmente nem como divulgá-lo como se deve, vou continuar publicando aqui pra quê? Se eu quisesse escrever só pra mim e meus amigos mandaria os textos por email ou registraria só no meu PC. Óbvio que criei blog pra que muitas pessoas leiam as porcarias que escrevo.

Eu paro de postar, mas não o tirarei do ar.  Aqui eu expus as minhas entranhas, minhas confidências mais profundas, e minhas loucuras mais desnudas. Também conquistei verdadeiras amizades no mundão da blogsfera. Por isso, enquanto o blogspot existir esse canto existirá.Em breve, além de tentar publicar alguns desses textos pretendo criar um blog só pra contos eróticos e blogar crônicas no site da organização onde trabalho. Darei um jeito de colocar nesse próprio post aqui no futuro os links para vocês conferirem. Também tenho em mente alguns argumentos para romances. "Vamu vê" no que dá.

SOBRE O TÍTULO E PROCESSOS
Como falei em algum post da vida, “Eraldo e suas paulinisses” é um neologismo que brinca com meu nome composto. É legal que o “paulinisse” desobedeça a norma gramatical. Se fosse seguir a “ordem” seria “paulinice”, mas a este cafofo literário aqui jamais quis se enquadrar em regra alguma e enquanto laboratório contém muitos erros de ensaio. Quando re-leio sempre edito uma coisa aqui e outra ali, mas ainda há muitas falhas de concordância, de ortografia, inadequações estéticas. Contudo, como valorizo processos, esses registros com "erros" não me são motivo de vergonha, e sim prova de que a gente muda o tempo todo e às vezes consegue aprender algo. E se noto equívocos é porque alguma coisa assimilei dessa maldita arte de escrever.

Aqui estão registrados textos, inclusive, muito ruins, outros bons, outros "marromenu", ou seja, fica muito do pior e do melhor de mim. Jamais abandonarei minhas Paulinisses e nem deixarei de ser um mosaico de eus, porque pra mim isso é muito mais que um título e um subtítulo. É princípio. Ninguém é a mesma coisa sempre e deixamos uma assinatura particular em cada um de nossos gestos. Esse blog me ajudou a aprender a sobreviver nesse mundo através da escrita. Pretendo continuar fazendo isso de leso que sou.

Aqui uma pequena seleção nos meus textos prediletos dos principais Eus deste mosaico:





Eu Romântico: Twittando

Eu Existencialista: Mosaico de eus em debate



Eu Religioso: Círio de Lucidez

Eu Poeta: Mel e Limão




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Galos, Noites e Quintais - Aventura 5

Minha infância na periferia de Belém é analisada por mim muitas vezes a partir de um olhar sociológico e pedagógico. Mas se pudéssemos voltar no tempo e perguntar ao menino Eraldo Paulino, na época conhecido como Agô, ele provavelmente responderia com um sorriso fácil e tímido que se divertia muito. Foi um período recheado de brincadeiras que a gente construía junto com a turma, coletivamente, de forma autônoma, e algumas vezes longe dos adultos, de preferência. Como já contei antes, a iniciação sexual das crianças, pelo menos na minha época, era feita de forma lúdica, com dinâmicas feitas por nós e para nós mesmos. A primeira descoberta desse universo afetivo e erótico foi bem cedo, quando tinha cinco anos. Eu conto.

Estávamos nos enturmando com os novos colegas do então bairro da Guanabara, meus irmão e irmã mais velhos e eu. Decidimos brincar “Pira-se-esconde”, conhecida mais como “esconde-esconde” por aí. Estávamos num grupo de cerca de 10. O mais velho de nós deveria ter no máximo 10 anos. Escolhemos uma construção abandonada como local para esconderijos. O lugar estava um pouco sujo, tinha a alvenaria quase completamente levantada, mas não havia reboco nem portas, embora alguns cômodos estivessem cobertos.

Já na primeira rodada, enquanto contava até 10 a “mãe” (Como chamávamos quem deveria procurar a turma) todo mundo se escondia eu fiquei parado. Estava achando ótimo estar ali, mas naquele momento descobri não saber brincar direito daquilo. De repente fui ajudado por uma menina cujo nome não revelarei. Segurando meu braço me levou pra uma das salas. Estava Escura. Ela pediu silêncio. Deu uma olhada lá fora pra saber se vinha alguém enquanto eu estava nervoso. Não queria perder, embora não soubesse como ganhar. Ela me encostou perto dela. Me senti protegido. Depois ela começou a me beijar.

Ela deveria ter uns 09 ou 10 anos. Eu fiquei estático enquanto ela me dava beijos e beijos. Não eram de língua. Eram selinhos. Seguidos. Muitos. Na bochecha também, por todo o rosto, mas principalmente na boca. Ela era afoita. Parecia estar querendo aquilo a algum tempo. E tinha mais. Ela se abaixava e se esfregava em mim. Várias vezes. Tinha pegada. Devo dizer que fui ter noção básica de sexo uns três anos depois daquilo. Não entendia nada, portanto, mas lembro de ter ficado excitado na ocasião. Quatro centímetros de pinto duro.

Aquilo durou alguns estranhos e gostosos minutos, durante algumas rodadas, até sermos interrompidos pela mãe. Não a da brincadeira. A literal. A minha. Foi tenso. De repente comecei a me perguntar se estávamos fazendo algo errado porque o clima ficou bem pesado. Foi uma tarde muito confusa. Foi do extremo da libido ao extremo de repressão. Ambos incompreensíveis. Mamãe não repreendeu meu irmão ou eu, só minha irmã. Não sei se a mana passou por algo semelhante em outra sala escura durante a  brincadeira, mas não conseguia entender (e até hoje não entendo) porque uma menina poderia me beijar e minha irmã não poderia beijar e ser beijada.

Como D. Fátima suspeitou de algo erótico numa brincadeira onde só estavam crianças? Porque ela também brincou da mesma coisa, será? Não sei. Mas a partir dali, pra mim, brincar de beijar não pareceu diferente de nenhuma outra brincadeira, só precisava ser escondida pra depois não ficar chato. Eu gostava. Brincar era legal. Beijar era legal. Transgredir era legal.

sábado, 5 de maio de 2012

Mel e Limão - Postagens Retrô 12


Tu és a calamidade de um abraço
O terrorismo de um sorriso
O aconchego de uma tapa.
A mais linda flor do nosso espinho...


Nunca pouco.
Nunca fácil.
Do tipo que manda, grita e bate.
Do tipo que chuta, morde e late.
És mulher que domina para ser dominada
por mãos grossas que a controlem,
uma língua que a inunde,
ou uma tora que a rasgue.
Abre-te apenas à masculinidade da desobediência,
a revolta de quem a jogue na cama;
a veia pulsante do mastro da indecência
(rígida, nervosa e insana).


Uma safada que faz carinho.
Mulher pura que goza.
Amiga; musa da punheta do próximo.
Sonhadora da alameda da loucura.
Terrível como a brisa,
és terna, como o mais doce temporal.


És tu, ela.


Mel e limão!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Postagens Retrô 11 - Crise Existencial



Entrevista exclusiva de mim comigo mesmo:



Eu: Você é feliz?

Eu mesmo: Caramba! Tinha que começar logo com essa pergunta?

Eu: Resposta errada. Se tivesse respondido de outra forma, acabaria logo com a entrevista (risos). Agora me diga quantas vezes você já tocou sua existência essa semana.

Eu mesmo: Gostaria algumas vezes de fazê-lo menos, mas ouvi muita Legião Urbana em minha adolescência pra não me perguntar ao menos uma vez por dia por que eu vivo nesse inferno celestial.

Eu: Te incomoda conviver com tantas pessoas que são tão diferentes de você?

Eu mesmo: Normalmente não. Mas me magoa a intolerância das pessoas. Sabe, as pessoas costumam colocar uma redoma de proteção com auto falante ao redor de si. Além de se protegerem dos outros exageradamente, ficam escutando initerruptamente uma frase repetindo sempre coisas como"eu sei", "eu posso" "eu estou certo", "só eu...". Isso me deixa depressivo.

Eu: Vale a pena se sentir assim pelas outras pessoas?

Eu mesmo: Pensando rapidamente, sem muita reflexão, a primeira coisa que pensamos é que não vale a pena. No entanto, se eu começar a pensar assim, não serei melhor do que os que critico.

Eu: Mas você não acha que mesmo assim, ao se achar melhor do que os outros, ainda que de uma forma mais eloquente, você também se coloca no mesmo patamar de eusismo?

Eu mesmo: Cara, não acho que seja errado, de forma alguma, pronunciar eu; mas os pronomes pessoais do caso reto são seis, e apenas dois deles apontam pra nossa própria direção. Além do mais, não acho que somente eu penso assim, absolutamente. Do contrário, estaria digitando isso de um manicômio.

Eu: Mas e você, como se sente em relação a si mesmo?

Eu mesmo: O maior genocida da humanidade pela manhã, o salvador do mundo a tarde e a crise do oriente médio a noite. Nem sempre nos mesmos horários, alguns nem sempre no mesmo dia.

Eu: E agora, como está se sentindo?

Eu mesmo: Bem melhor. Acho que já posso começar a ficar pior de novo.

Eu: Muito obrigado pela entrevista. Sou seu fã.

Eu mesmo: Eu que agradeço, mas infelizmente não posso fazer o mesmo elogio a você.
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Hoje também tem uma republicação nos Imputáveis.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Postagens Retrô 10 - A Igreja Como ela é

Inspirado na Obra de Nelson Rodrigues, conto aqui histórias que deveriam ser mentirosas, mas não são (editado).




Mocidade


Chegaram praticamente juntos ao Culto da Mocidade. Já se conheciam de vista, mas como chegaram atrasados e ficaram longe de onde estavam sentadas as "panelas" de cada um, começaram a conversar. No início era um papo trivial, até que o olhar de um para o outro passou a ser a comissão de frente de uma porção de alas com fantasias aparentemente exóticas para aquele ambiente. Houve momentos em que um chamou o outro pra falar nada de importante, apenas para não deixar aquele desfile com coreografia improvisada acabar.


Ao fim do culto, descobriram que moravam perto um do outro, então, acabou ele indo para a casa dela. Ela estava só em casa naquela noite. O pai da moça era vigilante e a mãe dela estava viajando. Os dois entraram, e da feita que fecharam o portão estavam num pátio isolado da rua. Na porta da sala, os dois deram continuidade ao desfile iniciado outrora, e apesar da pausa gritante entre a comissão de frente e o carro abre-alas, é possível dizer que não perderam nem um ponto no quisito harmonia. O beijo aconteceu de forma tão envolvente e ao mesmo tempo tão automática que nem um dos dois soube dizer como foi exatamente que chegaram ali.


Ao fim do primeiro beijo, perceberam que cada um ainda estava com a bíblia na mão, e foi dela a iniciativa de colocar as duas bíblias no canto da porta. O segundo beijo, não se sabe se pela atitude anterior dela, ou por qualquer outro motivo, foi bem mais pegado. Ele ficou excitado, e ela, se já não estava, ficou ao sentir a pressão dele. A mão dele desceu até o quadril dela, e com uma força moderada a puxou contra ele, talvez pra fazer ela sentir ainda mais a pressão, ou porque a pressão que ele dava era uma forma de aliviar um pouco da dele. Os dois continuaram se beijando; um beijo cada vez mais ardente, e após a mão dele percorrer toda avenida do corpo dela, a mão dela foi a porta estandarte da noite.


No início ele não entendeu porque ela tentou colocar a mãozinha por dentro de sua cueca, na verdade no início ele achou bem estranho. Ela fez duas tentativas, e na segunda, por instinto, ele percebeu o que ela queria. Ele então encostou seu mundo no dela, ainda que o mundo dela ainda estivesse coberto pelo último manto, o que não os impediu de experimentar uma pequena porção do paraíso. Quando aquilo já estava passando daquilo que ela se permitia fazer naquele momento, ela o afastou, e mentiu dizendo que seu pai estava para chegar. Ele então pegou a sua bíblia (meio contrariado pelo fim, mas muito mais satisfeito pelo caminho percorrido) e saiu pelo portão, dando-lhe um beijo de despedida. Depois ela pegou sua respectiva bíblia e entrou também. Entretanto, talvez eles tenham demorado um pouco mais para voltar ao mundo que conheciam de cor. Palpite meu.


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Hoje é meu dia de estar no blog que é só para quem gosta da coisa (ui). Clique na imagem abaixo e conheça.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

Postagens Retrô - 9 -> Pessoas... <-

Pessoas...



Era uma vez, no universo das palavras, conversavam num ambiente cheio de reticências dois pontos de interrogação. A dúvida dos dois era a mesma, mas os dois, de modo diferente, tinham muito medo de qual exclamação viria como resposta. Os dois então se debruçaram nos planetas diversos que a palavra proporciona. De repente, eram dois pontos passeando por vários ambientes de dor, sofrimento, alegria, fogo e fantasia. Até que sob a sombra de uma árvore, num paraíso de concreto já bastante escuro, a luz substituiu a palavra, e o que já eram dor, sofrimento, alegria, fogo e fantasia, misturaram-se numa viagem a outros universos de sensações. Sucções de libido e ternura envolveram as interrogações até que a certeza já não importasse mais, ou pelo menos não o suficiente pra modificar a importância de estar ali, fazendo aquilo, falando nada e dizendo tudo o que realmente deveria ser dito.

Vez ou outra, quando acidentalmente pousavam as duas interrogações no mundo dos pobres desgraçados, um chegava a perguntar ao outro coisas como: "Valeu a pena esperar?", "Mas tínhamos que esperar tanto?", "Por que você desorganiza meu coração já bagunçado?", "Porque você é a resposta pra todas as perguntas que nem ao menos perguntei?" Mas então, o mais suave que a rapidez pode ser, eles voltavam a navegar em correntes macias e envolventes de outros nichos, experimentando o que já sonhavam, sonhando com o que não haviam experimentado.

Até que as duas interrogações viraram apenas uma palavra: "tchau". E com a forma que apenas nossos olhos dizem e somente nossos corações entendem, disseram: "até breve"...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Postagens Retrô - 8

VIA-SACRA DOS CRISTOS DE AGORA







1ª Estação: Jesus é condenado a morrer na cruz.
Nasce mais uma criança na ocupação “Fé em Deus”. Mais um filho da Mãe África vem ao mundo do racismo velado, chamado Brasil.


2ª Estação: Jesus toma sua cruz.
Ainda criança, a criança deixa de ser criança. O menino é invisível até que o sinal feche e ele comece a importunar as pessoas nos carros pedindo esmolas.


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez.
A criança que nunca soube quem foi seu pai, perde sua mãe, que morre no parto de seu quinto irmão. A rua se torna sua morada.


4ª Estação: Maria acompanha Jesus no calvário.
Numa das poucas noites em que consegue dormir aquecido, o menino sonha com sua mãe. Ele mal lembrava o rosto dela. Lágrimas salgadas lavam seus lábios.


5ª Estação: Cirineu ajuda Jesus a se levantar.
O menino é contemplado num projeto social. Duas vezes por semana, ao menos, consegue almoçar e tomar banho nos alojamentos do projeto.


6ª Estação:Verônica enxuga o rosto de Jesus.
No projeto, o menino se desentende com outro. As pessoas apartam a briga e os levam pra diretora do projeto. Ela os abraça. “Por que também não me expulsou?” Espanta-se.


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez.
O menino percebe que não consegue interessar-se pelas meninas como os outros. Agora além de macaquinho, o chamam de veado.


8ª Estação: Jesus cuida das mulheres.
Um portador de necessidades especiais estava sendo achincalhado pelos moleques. Ele se mete. Tira o rapaz de lá sob socos, cusparadas e xingamentos.


9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez.
O menino, do jeito dele, percebe que nesse mundo só tem importância quem tem e não quem é. As drogas o fazem esquecer.


10ª Estação: Jesus é despido de suas vestes.
Maior de idade, o menino que nunca teve um nome e sim alcunha, acaba indo pra cadeia por latrocínio. O nome que nunca teve torna-se imundo.


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz.
Antes de chegar a cadeia, os policiais molestam o rapaz verbal e fisicamente. Antes de jogá-lo na cela, os policiais avisam os presos que ele é gay.


12ª Estação: Jesus morre na cruz.
A cadeia. Imundice. Compactação de gente. Desumanidade. Revolta. Rebelião. Retaliação. Tiro. Menos um.


13ª Estação: Jesus é descido da cruz.
Na universidade, chega mais um indigente para ser exibido na feira de ciências biológicas.


14ª Estação: Jesus é sepultado.
Após o evento que deixou algumas pessoas enjoadas, o corpo foi enterrado no cemitério que fica na em qualquer lugar, esquina com canto algum.


15ª Estação: Jesus ressuscita dos mortos.
Pedro, o “aleijado” salvo por um rapaz negro e gay que levou porrada e cusparadas para fazê-lo, conseguiu ser acolhido por uma ONG que possibilitou seus estudos. Agora mestrando em ciências sociais, Pedro batizou seu filho de Jonatans, o nome daquele herói que é sempre citado quando fala de solidariedade. Pedro espera, do fundo do coração, que Jonatans esteja num bom lugar.
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Imagem: Fonte na própria.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Postagens Retrô 7

BOLETIM DOS ÚLTIMOS TEMPOS: Fatos que mudarão o mundo! (editado)

  • Durante o show de Paralamas e Titãs em Belém, um rapaz achou um celular de última geração. Ao invés de guardá-lo no bolso, o jovem saiu perguntando para o povo de quem era o celular. Ninguém mentiu. Então o rapaz pediu que avisassem a quem aparecesse procurando o celular que o aparelho estava guardado com ele. Ao fim do show o dono reencontrou o aparelho.
  • Um casal estava brigando enquanto seu primeiro filho tentava andar sozinho pela primeira vez. Antes que rolasse a primeira ofensa mais séria, o bebê deu seus primeiros passos em direção ao casal. Depois disso, o casal desistiu de brigar para ficar incentivando o filho a andar de um lugar para o outro da casa.
  • Uma mãe que havia expulsado o filho homossexual de casa após descobrir a orientação sexual dele foi atrás de sua cria. A mãe arrependida preferiu declarar seu amor ao filho independentemente de sua orientação e impedir que um aliciador o levasse para a prostituição.
  • Um homem que havia tido um dia horrível no trabalho conseguiu paz ao ver o sorriso de uma criança. No retorno para casa depois de um dia estressante, um homem foi interpelado por uma criança linda que nunca tinha visto. A criança abriu um sorriso espontâneo e maravilhoso e disse apenas “olá”, mas serviu para o homem perceber que um coração pulsava em seu peito acima de tudo e que a vida é maravilhosa.
  • Duas crianças de diferentes classes sociais brincaram juntas no parque. Uma criança loura, filha de empresários, brincou com uma criança negra, filha de uma empregada doméstica solteira, no parquinho do Bosque Rodrigues Alves. Brincaram intensamente sem enxergar qualquer diferença entre elas. Após muito brincarem, as crianças beberam suco no mesmo copo e foram embora pra suas respectivas casas e classes.
  • Um garoto de periferia que havia planejado seu primeiro assalto com os amigos foi aprovado na peneira do Paysandu. Sem muita coisa pra colocar na cabeça, o rapaz via no assalto a chance de poder conseguir algo fora das regras, já que as regras formais não o favoreciam. Aprovado inesperadamente na peneira, o jovem cancelou seus planos criminosos porque no horario em que planejava em roubar haverá seu primeiro jogo com a camisa do papão.
  • Um rapaz tímido e excluído das grandes rodas em sua escola ganhou o beijo mais disputado do colégio. A menina mais disputada da escola conversou por acaso com o menino que quase não falava com ninguém, e percebeu que apesar de falar pouco, o garoto falava muito melhor que a maioria dos meninos populares. Após o beijo, o moleque não se sentiu mais inferior a ninguém.
  • Um rapaz que era acostumado a jogar lixo na rua ganhou uma bronca da nova namorada. Todo bombom que consumia, todo picolé que chupava, toda embalagem que descartava geravam sujeira na rua porque o rapaz não tinha o hábito de jogar lixo no lixo. Ao ver seu namorado fazendo isso, a garota deu-lhe um sermão de quase meia hora, e o garoto prometeu que nunca mais jogaria lixo na rua.
  • Uma senhora de oitenta anos recebeu bom dia e ajuda de motorista de ônibus.Quando a senhora fez sinal para o ônibus, sequer esperava que o coletivo fosse parar. Mas além de parar para a senhora, o motorista desejou bom dia com um sorriso terno e ainda ajudou a "vovó" a subir os degraus altos do ônibus. Somente após a senhora estar completamente acomodada o motorista arrancou devagar e seguiu.
  • Durante uma apresentação do governo no Hangar – Centro de convenções da Amazônia – um portador de necessidades especiais recebeu muita ajuda. Após a apresentação, o governo ofertou um lanche para os participantes. No entanto, como o lanche era servido em bandejas, um rapaz com dificuldades de locomoção não podia se meter no meio do povo porque poderia cair, então ficou lá sentado sem falar nada pra ninguém. Quando ele menos esperava, várias pessoas espontâneamente começaram a levar lanche pra ele. O portador foi uma das pessoas que mais comeu nesse dia.
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Imagem: google.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Postagens Retrô 6

Ando completamente sem tempo para escrever coisas novas. Apresento aqui mais um texto que escrevi quando ainda não blogueava.

Maioridade penal não é brincadeira de criança.

Existem determinadas opiniões que caem no senso comum. Uma delas diz respeito à maioridade penal. A maioria das pessoas costuma dizer que deveriam mesmo reduzir a maioridade penal para que os delinquentes de 16 anos paguem o preço justo pelas barbáries cometidas. Entretanto, infelizmente a maioria da população não consegue ver o que de fato rege este debate, se é de fato a luta por justiça ou simplesmente empurrar a sujeira para debaixo do tapete.

Programas policiais proliferaram a roposta da diminuição da maioridade penal na televisão a serviço da sede de sangue do povo, e para que a população pense que a emissora está de fato agindo em favor do povo. Nessas lástimas televisivas sempre tem um apresentador com pose de justiceiro propondo que se ponham na cadeia os bandidos, que político tem que ir para a cadeia ou discursos superficiais do tipo. No entanto, o que quase não se vê é uma análise mais profunda que de fato apresente à população o que está realmente acontecendo, algo que forme e não somente informe.

A favor da diminuição da maioridade penal existem basicamente argumentos que dizem que se uma pessoa de dezesseis anos vota, se tem direito a participar da decisão política do país, por que não poder responder criminalmente pelos seus erros? Há também quem diga que qualquer jovem de dezesseis anos já sabe o que é errado ou certo, ainda por cima em plena era digital, por isso um adolescente que comete um crime hediondo pegar três aninhos no máximo de "castigo" não faz justiça. Entre outros argumentos que perpassam sempre pelo viés de que uma pessoa de dezesseis anos - idade para a qual se pretende reduzir a maioridade penal, que na lei em vigor é de 18 anos - já pode ser responsabilizado pelo crime que comete.
Então tá certo. Agora eu gostaria de ver se a filha de quem prega esse tipo de coisa engravidasse aos dezesseis anos, será que ela deveria cuidar da criança só? Será que pelo fato de uma adolescente de dezesseis anos já saber praticar sexo ela já tem maturidade para assumir um filho só, sem a ajuda dos pais? Claro que não, ainda que ela deva sim assumir a responsabilidade pelos seus atos, não podemos dizer que é a mesma coisa uma pessoa de dezesseis anos ou uma de trinta engravidar. É óbvio que, por mais que se tenha uma quantidade de formação absurda sendo acessíveis a adolescentes, uma pessoa passa por etapas, e quando essas etapas não são respeitadas surgem problemas. E negar educação a quem comete crimes, ou erre, é negar a oportunidade de termos adultos melhores. Por isso, para o bem dos adolescentes e de toda a sociedade, um jovem de dezesseis anos não deve ser responsabilizado da mesma forma que um adulto.

Mesmo porque isso não resolveria o problema social que gira em torno da criminalidade neste país. É evidente que a falta de políticas públicas, que a desestruturação familiar, que a falta de emprego, sobretudo nos grandes centros urbanos, que a escassês de terras no campo para o povo, e tantas outras mazelas terceiromundistas contribuem para o auto índice de criminalidade no país. Construir cadeis, ou mesmo entupí-las não tem se mostrado a melhor solução. Hoje, no Brasil, 65% da população carcerária são jovens de 18 a 29 anos, dentre os quais 85% não terminaram sequer o ensino fundamental. Ou seja, não seria uma solução muito mais benéfica para o país se a educação fosse de maior qualidade e mais acessível aos adolescentes do que jogar um/a indivíduo/a numa cadeia por ter roubado uma carteira e lá o/a preso/a adolescente conviver com todo/a tipo de criminoso/a, fatalmente fazendo com que essa pessoa imatura passe por uma faculdade do crime com direito a mestrado e doutorado?

Falo isso porque não existe lei perfeita. Se existisse lei perfeita, não existiria advogado ou juiz. Uma lei que poderia muito bem ser justa para alguns casos, seria de uma crueldade imensa para com a maioria epobrecida. Alguém imagina que fazer uma reformulação da maioridade penal sem reformular todo o judiciário não faria com que só adolescentes pobres pagassem pelo crime que cometerem? Ou alguém aqui acha que diminuindo maioridade penal a justiça vai reinar nesse país como num passe de mágica? Se o Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA) existe, e nós vemos nossas crianças e adolescente a cada dia mais abandonados, imagina se a partir de agora, ao invés de criarmos leis que defendam os adolescentes nós comecemos a criar leis que os prejudique? Nem todo crime acontece por razões maniqueístas. Nem todo mundo que está cadeia é um sujeito mal natural e definitivamente.

Se adiminuição da maioridade penal acontecer, os traficantes vão usar pessoas ainda mais jovens para o crime. Se nem um debate mais maduro acontecer antes disso, e o congresso e o Ministério da Justiça se contentarem a fazer meras enquetes - que toda vez aparecem favoráveis a diminuição - ,daqui a pouco vamos fazer o mesmo debate sobre adolescentes de quatorze anos, alegando que há adolescentes de quatorze anos bem entendidos etc.

O mais sensato seria fazer uma reformulação no ECA, para que penas mais rígidas ou formas alternativas de penalizações a adolescentes já próximos a maioridade penal garantissem maior justiça a crimes brutais cometidos por adolescentes, pois sei que sempre há excessões. Mas antes disso, deveriam ser reformulados por completo os centros de tratamento de adolescentes infratores, que por mais que esteja menos pior hoje, ainda que tenham mudado o nome, não conseguiu deixar de ser a FEBEM dos nossos pesadelos na prática. Antes disso também, deveriam ser votadas leis que garantissem melhores condições de trabalho aos professores, reformular o ensino público, garantir políticas públicas para a infância e juventude, garantir que o estado seja reconhecido como um protetor para que o adolescente não veja no dono da boca esse papel. Garantir que os jovens do campo possam ter condições de viver sua vida no campo, para que diminua o inchaço populacional, e por consequência a violência nas cidades. Depois que o Estado garantir isso, ou pelo menos dar prioridade a essas discussões, aí eu penso que seria justo rever alguns pontos do ECA.
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Imagens: Google.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Postagens Retrô 5

Este texto eu escrevi ano passado. Se enquadra bem com esse momento introspectivo que as paulinisses minhas se encontram esses tempos. Texto editado.

Infância...


"Oh que saudades que eu tenho da aurora da minha vida
da minha infância querida
que os anos já não trazem mais"
Casimiro de Abreu

Não sei se é por eu ter vivido uma adolescência muito obscura, mas o fato é que eu venero a minha infância, mais precisamente a faixa etária entre 7 e 11 anos, quando eu brincava na rua quase todos os dias, quando eu vibrava a cada selinho que eu dava nas meninas, quando eu jogava bola de dia de tarde e de noite, quando os meus piores dias tinham só pouca diversão.

Quando leio o poema do Casimiro de Abreu* me vem um misto de prazer e tristeza. Lembrar da infância me deixa triste ao perceber que eu não sou mais tão livre como naquela época, como já não experimento o novo com a mesma voracidade, mas ao mesmo tempo, ao relembrar daqueles dias felizes eu me sinto feliz no presente também, é como se eu me transportasse de novo, e sentisse o perfume da manhã, ainda que artificialmente de certa forma.

É claro que é impossível voltar no tempo. A montanha da vida tende sempre a nos levar para cima (até a derradeira queda), mas é inevitável experimentar o sabor do tempo passado com certo pesar. A impressão que tenho é que quanto mais eu tenho saudades do passado eu fico mais velho. Hora isso me chateia, hora não.

O criador do Menino Maluquinho, o cartunista Ziraldo, conta que a idade da personagem é essa, entre 7 e 11 anos, porque é a fase mais feliz da pessoa. É quando não temos mais uma inocência demasiada, ou seja, quando já fazemos uma leitura de mundo interessante, mas ao mesmo tempo não temos os conflitos da adolescência e o peso do mundo adulto. A partir do que ele diz, eu sou o arquétipo do Menino Maluquinho, pois quando era criança aprontava horrores e era feliz de dormir quase toda noite sorrindo (como minha mãe conta).***

Mas a minha adolescência foi muito difícil, obscura e insalubre. Tenho a impressão que há uma lacuna em minha vida; parece que eu vivi até os 11 anos, quando começaram a aparecer as minhas primeiras espinhas, e voltei a viver com 21. Na adolescência, eu me escondia, era perfeccionista ao extremo, tinha medo de não beijar direito, medo de todo mundo me achar o cara mais feio do mundo, tinha medo de conversar com os outros, enfim, eu vivia numa escuridão da noite sem luar e sem estrelas. Não é que eu não entenda a importância dessa fase para eu ser o que sou hoje, pois foi nessa fase que eu descobri as grandes bandas, os grandes literatos, a militância, enfim, o norte para o qual meu nariz aponta, mas definitivamente não tenho saudades dessa fase.

Eu nem sei porque eu estou escrevendo isso, e acho que nem quero. As respostas dos adultos por vezes são muito mais irritantes que os Perguntas das crianças. Viver de forma sem dar bola demais para a seriedade sisuda no mundo adulto parece síndrome de Peter Pan, mas pensando bem, o mundo dos adultos é que parece a verdadeira Terra do Nunca. Não é que eu não goste de crescer, na verdade, o que eu não gosto é de envelhecer, no sentido fiosófico da palavra. A aurora da minha vida é realmente a infância, mas o sol continua nascendo todo dia, e me dizendo toda vez que ilumina a minha pele a mesma mensagem de amor que todos adoramos ouvir: sempre podemos fazer novo de novo**, e até morrermos, sempre teremos mais uma chance de dormir sorrindo. Obrigado sol, por me mostrar que a criança está aqui sempre que preciso.

Canção de Milton, interpretada pelo 14 Bis e Samuel Rosa que tem tudo haver!

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**Parafraseando verso de Paulinho Moska
*** Não entrei em detalhes de minha infância aqui, porque já o faço na série que publico nesse blog chamada Galos, Noites e Quintais.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Postagens Retrô - 4

Esse eu tenho certeza que a maioria ainda não leu! (viu, Tânia?! rsrs) Eu o publiquei quando tinha só 3 seguidores. É um texto doce e sensível - editado.

PALAVRÃO É O CARALHO

Alguém já pronunciou "Puta que Pariu" num momento de raiva? Não? Então Experimentem. É uma verdadeira terapia pronunciar essas palavras dando ênfase nas sílabas "PU" e "PA"; garanto que é algo verdadeiramente terapêutico. Acho cafona a visão que muitos/as tem hoje em dia dos palavrões, como se fosse algo pervertido, digno de tapinhas na boca, mesmo em pleno século XXI.

Ano passado, em São Paulo e na Bahia, livros didáticos foram "flagrados" contendo palavrões em tirinhas ilustrativas. Aí pronto, toda a sociedade moralista se viu revoltada com isso. Até penso que pais e educadores devem ter pensado "puta que pariu! quem foi esse filho da puta que deu essa mancada?!", mas é inconcebível seus filhos e filhas dizerem o que todo mundo diz, nem que seja em pensamentos. E até parece que os palavrões contidos nas tirinhas seriam alienígenas para as crianças. Sei que há pessoas que não chamam palavrão, mas não há pessoa com mais de 6 anos que não conheça um vasto repertório de palavrões.

Os palavrões carregam discriminação tamanha consigo devido a sua origem quase sempre associada a sexualidade, e nós, cidadões e cidadãs do século XXI, ainda não nos sentimos a vontade com temas envolvendo foda e seus adereços. Mas acontece que na grande maioria das vezes os palavrões são usados como interjeição, e nesses casos, as pessoas usam para expressar com mais vigor seus sentimentos, e nem o dizem pelo sentido literal da palavra. por isso, para mim, é inconcebível tamanha espécie causada por essas palavras mágicas. Na verdade, é um paradoxo que justamente a caretisse das pessoas dêem o devido gosto aos palavrões. Tenho certeza que se fosse permitido, chamar alguém de "culhão" não seria tão bacana.

Eu acho lindo crianças e mulheres chamando palavrão. Não porque eu de fato veja muita graça nisso, mas toda vez que eu vejo mulheres e crianças chamando palavrão, eu penso que um pouco da hipocrisia do mundo está caindo. Afinal de contas o que é foda, no sentido literal do palavrão? É sexo, é fazer amor; o que tem de demoníaco nesse prazer que Deus deu às pessoas? O que são caralho e buceta? São órgãos genitais que as pessoas convivem diariamente, seja com os seus próprios, seja com o dos outros; de uma forma tão natural como convivem com braços e pernas, então por que condenar uma criança que chama caralho ou buceta? O que é puta que pariu? é uma profissional do sexo que deu a luz a uma criança; como é que isso pode ser visto como algo feio por alguém? Ou seja, mesmo os palavrões em sentido literal não têm nada demais.

Até entendo palavrão como indelicado em alguns casos, porque devemos respeitar a cabeça dos outros. E como não sou "dependente químico" de palavrão, eu aceito não chamá-lo em certos ambientes para não causar desconfortos gratuitos, mas quando alguém usa o discurso de que isso é pecado ou falta de educação, eu me pergunto sobre o que é pior para a sociedade, as pessoas encararem sua sexualidade com maior serenidade e maturidade ou manter essa manta hipócrita sobre temas envolvendo sexo como se foder não fosse uma coisa do caralho, e como se estar afinado com sua sexualidade não fosse essencial para o bem viver de todos/as.

Se não gostaram, podem mandar eu tomar no cu ou ir pra casa do caralho...

PS: Não admitam que "Cu"seja considerado palavrão... pois tem só duas míseras letras!
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Imagem extraída do blog Correio de Notícias, no qual encontrei um debate na linha desse texto que escrevi, demonstrando que o que falo sobre palavrão e relaxamento está comprovado cientificamente (viu? Num disse?!). Vale a pena ler.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Postagens Retrô - 3

Nesta postagem, trago um dos poucos textos românticos que já postei. Só depois de iniciar minha peregrinação para ajustar as marcações fui perceber isso. Então trago a vós o texto que mais gostei de ter escrito neste estilo. Na próxima postagem, deixarei minha moleza de lado e postarei algo inédito.

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TWITTANDO

06h00m -
Acordo esfregando os olhos... acenderam a luz... pelas minhas mãos cerradas o sonho que tive com você se esvai.. como água
07h14m - Caminhando para o trabalho, sinto seu cheiro. Olho pra trás... não era você... não era ninguém.
08h46m - Estou trabalhando. Sinto seus lábios nos meus... sua língua está em minha boca... NÃO ESTÁ? Não está...
09h12m - No intervalo pro café. Estou sorrindo... nos divertimos tanto naquele dia... - Você tá ficando maluco? - não (risos constrangidos); não é nada. Estou lembrando de uma coisa...
10h10m - Meu colega de trabalho fala a mesma palvra que você me disse após nosso último encontro... Minha calça fica apertada na região genitária... meu coração fica apertado na região da saudade... minha alma fica em frenesi na região do fogo ardente...
11h49m - estranho... reparo que não estava pensando em você
12h00m - Meu peito formiga qual d'uma golada desavisada de cachaça... é você?!... ... ... não. Claro que não é... nem poderia...
14h15m - Chego em casa finalmente. Estou com muito sono. Durmo. ... seria tão bom continuar o sonho que tive pela manhã
15h57m - Conseguimos finalmente encaixar nosso beijo... estamos num só ritmo... nossos corpos estão muito encostados... você pressiona seu quadril contra mim... friccionando... acendendo... um poste sai voando... minha mãe fala bom dia enquanto a beijo... um cachorro mia com a capa do Crypto... ... ... acordo! Suado!
16h00m - ...
17h44m - Levanto bastante apressado... ... ... dessa vez não sonhei com você... chato
18h12m - Vou pra faculdade. Um vazio preenche meu peito. A luz de seus olhos enubrecem minha vista... estou cabisbaixo tal qual um herói pedindo socorro, ou um palhaço pedindo alegria...
por que
você não está aqui?
19h27m - O professor entra na sala. Entra sorrindo. Começa a explicar sobre a noticiab(o amor que sinto por você é tão lindo. Me faz bem amar tão profundamente uma pessoa tão especial como você)ilidade...
20h34m - Trabalho complexo... concentração.
23h56m - Sinto falta de entrelaçar meus dedos em suas mãos em uma tarde quente de Belém... te chamar de safada enquando fazemos amor... ver as maçãs do seu rosto avermelharem quando digo que você é linda... falar com voz de criança que voxê é meu bebexinho... ouvir você cantar em meu ouvido "Eu preciso dizer que te amo/ Te ganhar ou perder por engano"... olharmos um nos olhos do outro e simplesmente dormir fitando o universo que aparentemente nos pertence...
23h57m - Queria que você existisse...

sábado, 5 de junho de 2010

Postagens Retrô - 2

Nesse mês de aniversário, apresento mais uma paulinisse, dessas que pipocam do Eu idiota do meu mosaico de eus de quando em vez. Vale ressaltar que nesta dei uma editada, pra tirar excessos de gordura. Lembrando que recebi um selo de um blogueiro Pai d'égua: Léo_Santos
PROVÉRBIOS DE MSN
Eu tenho a mania de inventar frases. A maioria destas abaixo, eu criei expontaneamentemente teclando com alguém no msn, e outras eu criei no banheiro, no ônibus, namorando, ou seja, elas pipocam naturalmente vez ou outra...
  • A falsidade é o apelido discriminado da simpatia.
  • Não existe roubo, o que existe nesse país é doação involuntária.
  • O que seria das piadas sem os estereótipos? O que seria dos estereótipos sem as piadas?
  • Na trilha dos desgraçados só há um refrão, um eterno refrão.
  • O não de mulher é um eufemismo irresistível.
  • Há uma semelhança incrível entre cu e coração romântico: não é qualquer um que consegue entrar direito.
  • Há dois tipos de pessoas que certamente jamais serão cornos: os desinformados e os teimosos.
  • Na Amazônia, nós vivemos as quatro estações num só dia de verão.
  • O demônio é parente não tão distante do papai Noel e do lobo-mal.
  • Se a igreja é o ópio do povo, os partidos são as heroínas dos militantes.
  • Antes das igrejas serem a indústria do dízimo, elas precisam ser fábricas de deuses.
  • Na falta de novas lendas para a Amazônia, inventaram a lenda do desenvolvimento sustentável.
  • A arte simplesmente é, e não tem culpa do pai ou da mãe que tem.
  • O meu tipo ideal de mulher é aquela que respira.
  • A verdade é uma mentira bem contada.
  • Ter fé é se perguntar várias vezes a mesma pergunta e entre tantas preferir sempre a mesma resposta

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Postagens Retrô

Mês de junho esta casa comemora aniversário. Faz quase um ano que comecei, não só a escrever num blog, como a ter contato com a blogsfera. No entanto, por diversos problemas, não consegui ainda imergir nem 1% do que posso (e a blogsfera permite) no oceano dos blogs. Comecei mesmo a fazer, ainda que timidamente, uma blogagem mais eficiente a partir de setembro do ano passado, por isso a maioria dos que me lêem hoje não tiveram contato com esses textos. Por isso, neste mês celebrativo trarei alguns desses posts e mais algumas informações a respeito das paulinisses, como o porquê do nome e a postagem que até hoje não tive coragem de fazer, tratando sobre o aborto. Guardando os agradecimentos e as formalidades para uma outra hora, deixo aqui o primeiro texto desse mês retrô...
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HOMOFOBIA É PECADO




A homofobia é uma vila cheia de vizinhos casados, em que aquela mulher fofoqueira consegue se achar melhor do que a “colega” do kit-net ao lado porque transa com seu marido sem fazer tanto barulho ou sem gemer descaradamente seu prazer. A homofobia é a forma com que uma porção de cabeças duras se baseiam no senso comum equivocado para externalizar suas debilidades humanas. A homofobia fere, destrói, e parte de covardes. A homofobia é cruel. A homofobia é nojenta. A homofobia é pecado.

O preconceito contra gays, lésbicas, bissexuais e travestis, no ocidente, baseia-se numa concepção fundamentalista do cristianismo. A base dos cristãos-homofóbicos parte basicamente de algumas máximas típicas. Entretanto, se Deus disse “crescei e multiplica-vos”, e por isso é uma aberração haver um casal gay, então um casal formado por homem e mulher estéreis é também cruel? Se um casal transa sem objetivo de ter filho ele está cometendo pecado? Na bíblia, livros como o de Levítico e as Epístolas paulinas condenam a homossexualidade, mas o livro do Levítico também diz que mulher menstruada é impura e deve ser afastada da sociedade (Lv 15) e Paulo declara que mulher não pode se manifestar publicamente sem o consentimento do marido (I Cor 34 s). Portanto, o mesmo preconceito que possibilita essas proposições machistas, também provoca tais condenações homofóbicas. A base bíblica desses preconceituosos travestidos de cristãos é tão sólida quanto um pudim estragado, e, como diria Ruben Alves, para as pessoas de bem, toda lei deve ser submetida ao bom senso.

Outro argumento muito usado por homofóbicos é que a homossexualidade e a bissexualidade são uma mera escolha. Quem é que escolhe se achincalhado publicamente pelas pessoas que mais ama e por pessoas que nem conhece? Qual o indivíduo que chegando a certa idade escolheu ser vítima das garras cruéis de uma sociedade padronizadora? Se fosse uma mera questão de escolha, quantos padres não escolheriam deixar de ser gays? Quantas freiras não escolheriam deixar de ser lésbicas? Quantos filhos machos de pastores da vida não escolheriam deixar de sentir aquele formigamento quando chegam perto do seu homem desejado? Perguntem pra quem está no grupo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) se o que sentem não faz parte deles tanto quanto faz parte deles o desejo de amar e serem amados e amadas.

Algum tempo atrás, era comum uma pessoa branca entender que as pessoas negras são inferiores. Hoje em dia também é, mas existe uma reflexão bastante avançada sobre essa questão que força o indivíduo a, ao menos, ter receio de escancarar seu racismo. O mesmo processo, espero, acontecerá com os homossexuais. Só que com os homossexuais reside um problema ainda maior, porque uma mulher branca pode escolher um marido branco pra não ter um filho negro. Mas ninguém pode impedir que seu filho nasça gay, e essa imprevisibilidade é aterradora para pessoas acomodadas intelectualmente.
Ter receio do que é diferente e reagir com preconceito é intrínseco aos seres humanos. Eu mesmo, quando percebi que minha irmã era lésbica, uma das criaturas que mais amo no mundo, fiquei apavorado. Naquele momento entendi que ela estava sendo abduzida por lésbica perversas. Logo a minha irmã que sempre foi bem mais esperta que eu. Hoje, graças a espiritualidade conciliada com a racionalidade, ao bom senso, e a vontade de não ser medíocre, eu continuo amando e admirando a minha irmã como se nada demais tivesse acontecido, porque de fato não aconteceu.

O Apóstolo Paulo declarou que o amor é o dom supremo de Deus. Podemos fazer tudo, mas se não tivermos amor, nada seremos. Então devemos forçar um homem gay a casar com uma mulher, mesmo sabendo que ele jamais amará de verdade sua esposa? Se nascer com uma lésbica o desejo de amar uma mulher isso não é um dom divino? Existe forma perversa de amar? Um homem pode ser caridoso, ter fé, ter esperança, como diria Paulo, mas sem amor nada disso vale, porque a única coisa que só brota de Deus é o amor. Se um homem ama um homem, se uma mulher ama uma mulher, esse amor é sublime, puro, e honroso, porque tudo que vem de Deus assim o é. Deus é amor, e amor só dele brota. Agora, principalmente para os crentes e as crentes eu pergunto, de onde brota o preconceito? De onde brota a vontade de oprimir? De onde brota a crueldade? É de Deus?

Bem aventurados os Gays, as Lésbicas, os Bissexuais e os Travestis, porque vocês são esmagados pelas igrejas dos homens, mas no Reino de Deus serão livres.