Após Tsunami e terremoto varrerem parte do Japão, entre um e outro alarmes falsos (e verdadeiros) de novas catástrofes é hora de começar a pensar no recomeço. Mas em cidades do nordeste do Japão, como mostra esta reportagem de Marcos Uchoa, quase todas de pequeno porte, parte do estrago feito pela onda gigante significa quase tudo, o que torna quase impossível a reconstrução de algumas delas. Especialistas afirmam que o superlativo terremoto de 8,8 na escala Richter não foi provocado pelo desequilíbrio ecológico no qual o planeta se encontra. Ao contrário, tal fenômeno é provocado por colisões de placas tectônicas, não tendo influência direta de desmatamentos e aquecimento global conforme o vídeo abaixo explica.
Este terremoto foi o maior da história japonesa. E, a exemplo do que ocorreu ao Haiti ano passado, a região mais empobrecida do Japão foi a mais devastada. Cidades como Rizukentakata, que teve quase 5 mil casas devastadas são bons exemplos de que o recomeço pode jamais existir para a cidade, restando apenas aos sobreviventes procurar corpos e possíveis sobreviventes. O número de mortos até agora registrado no Japão (26.000 até 19-03) tende a aumentar, uma vez que o número de desaparecidos é muito maior.
Deslizamento na região serrana do RJ
Apesar de chocante, as imagens do ocorrido no Japão e mortes em massa não são as únicas a chocar no primeiro trimestre de 2011. No Brasil, as notícias envolvendo desastre natural na região serrana carioca inauguraram as cenas chocantes do ano, com cerca de 900 mortos e milhares de desabrigados. Mesmo em meio a catástrofe japonesa, a onda de protestos norteafricanas que partiu da Tunísia influenciando os países vizinhos chegava à Tunísia com notícias estarrecedoras de guerra civil sangrenta e o genocídio de vários manifestantes por ataques aéreos comandados pelo presidente ditador Kadaffi. Cenas e eventos que acostumamos a ver nos filmes de ficção, com catástrofes e guerras passaram a ser imagens triviais neste início de ano. Números como: 1000 mortos, 200.000 mortos, 100 mortos parecem apenas números.
Imagem ímpar de mulher e cachorro sendo resgatada. Vídeo aqui.
Consequência do Tsunami. Um desavisado poderia dizer que são brinquedos.
______________ CURIOSIDADE: A cidade de Rizukentakata citada na nota é menor do que a área que será alagada como consequência da construção da Usina de Belo Monte.
Eu não gosto de carnaval. Nunca gostei, embora já tenha participado de um ou outro baile em minha vida. Não gosto, principalmente, porque o tipo de música que normalmente tocam nas festas não me anima a dançar. Me sinto um urubu longe da carniça mesmo. É por isso que não gosto de carnaval, e por nada além disso. Agora, aprendi a olhar com um olhar crítico às coisas. E sinceramente acho isso necessário pra tudo na vida. Por isso tenho minhas ressalvas quanto ao Carnaval. E sobre as críticas que faço, não vi ainda quem sintetizasse melhor do que a jornalista Rachel Sheherazade, no vídeo que pode ser visto abaixo.
Pra quem não teve saco pra ver o vídeo (recomendo que vejam depois, quando tiverem tempo), a jornalista explanou maravilhosamente bem sobre as consequências da privatização da alegria que ocorre no carnaval brasileiro. Sobre as críticas que ela fez, assino em baixo. Realmente resume o que tenho contra o carnaval tupiniquim. Agora, vamos combinar que carnaval é sim uma festa interessante. Existem blocos de rua pacíficos e divertidos em todas as partes do país. Aqui mesmo no Pará, carnavais de cidades como Curuçá, Cametá e Vigia dão exemplo disso. Por isso existe sim um lado do carnaval brasileiro que é democrático, divertido e bastante positivo.
Não vejo nada de errado em pessoas gostarem de ouvir músicas com letras que servem apenas (e pra nada além de) dançar no Carnaval. As marchinas do "Carnaval puro", conforme ostentam alguns críticos, eram pra isso também. Não tenho nada contra as pessoas se juntarem pra comemorar. Se sentem vontade, que comemorem, ué - seja lá o que for. "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"**. E apesar de me distanciar do carnaval, reconheço que a alegria dos brasileiros, a exemplo dos escravos que festejavam na senzala, tem sim algo de combativo se pensarmos bem.
Agora, O carnaval precisa acabar para que as pessoas sejam mais conscientes e deixem de engolir tudo goela abaixo? Não, mas as pessoas precisam ser mais conscientes e deixar de engolir tudo goela abaixo. O carnaval precisa acabar para que as pessoas parem de ouvir só musiquinhas de carnaval o ano inteiro? Não, mas se faz necessário uma mídia mais democrática para que a gente não tenha que achar que música é só chub-dab qualquer coisa. O Carnaval precisa acabar? Precisa. O Carnaval precisa deixar de rolar o ano todo no Brasil. Depois da terça-feira gorda, não tem a menor graça "brincar de ser feliz" o tempo todo. Fugir uma vez ao ano dos problemas que nos cercam pode ser bom, mas fugir sempre é ser destaque na alegoria "unidos afundaremos". Como diriam meus amados Titãs, "fugir da dor é fugir da própria cura. A partir da quarta-feira de Cinzas, que as máscaras caiam.
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*Imagem do bloco "Pretinhos do Mangue de Curuçá/PA. ** Versos da canção "Dom de Iludir" de Caetano.
Hoje é meu aniversário. Fazer aniversário no carnaval não combina muito comigo, mas o que importa mesmo é que é mais uma etapa da vida, mais uma linha de chegada e mais uma corrida que se inicia. Assim como Drummond também acho que o cara que inventou dividir a vida em partilhas foi um cara muito sábio (e muito idiota). Mas ao menos assim, uma vez por ano, a gente tem o direito de se sentir o centro do universo. Até recebi homenagem da minha amiga Michele P. Querem ver? É só clicar aqui.
Se felicidade são momentos de felicidade, então eu sou feliz por este dia.
No dia em que minha irmã faz aniversário - por sinal mesmo dia em que minha querida amiga Michele do blog Meus Devaneios - resolvi publicar algo dedicado a ela, minha irmã Iaiá (na verdade é Naiá) que amo tanto.
AGÔ E IAIÁ
Estávamos no pé de biribá, no quintal de casa, Minha irmã e eu, quando apareceu uma vizinha nossa. A menina foi praticamente criada na rua, e pelo fato de D. Fátima não permitir que os filhos saíssem muito para a rua nessa época, os outros achavam que o povo de casa era tudo besta. Ela perguntou se podia apanhar um biribá da árvore e eu disse não - tava puto porque os moleques viviam subindo lá pra roubar a fruta. A menina respondeu de uma forma bem doce, como as crianças costumam responder, algo como "enfia esse biribá no cu da tua mãe então, seu filho da puta", e eu dei outra resposta singela como "eu vou é enfiar é meu pau no teu cu sua fudida do caralho", e nessa troca de carinhos ficamos, eu e minha irmã (até então calada) na árvore e ela ao muro.
Em seguida, minha irmã se meteu na briga. E como toda mulher é mais sensível que o homem, ela disse que se aquela menina não saísse logo dali ia arrebentá-la no soco. Mas a menina já devia ter mais brigas no currículo do que Lyoto Machida e Bruce Lee juntos. Quando eu percebi a possibilidade de do verbo se tornar soco, o medo começou a bater, e as minhas bravatas, digamos, começaram a diminuir. Então, naqueles segundos antecedendo a primeira bicuda, eu comecei a pedir calma pra minha irmã. Só que a Iaiá não é lá muito fã de começar uma briga e não terminar, independente se ganhar ou perder. E eu, digamos, era (?) frouxo que só a porra.
Finalmente aquele clima de tensão a separar o "então cai dentro, seus fodidos" do soco que apertaria o start da porrada foi por mim apaziguado com um estratégico "deixa ela ir, Iaiá. Ela num é doida de vir aqui". E como a coisa não inflamou logo, a menina foi embora despedindo-se com um cordial "Vão tomar no cu, bando de otário". Minha amada irmã ficou chamando ela pra porrada e quase foi atrás dela quando eu a segurei. Pra nossa (minha) sorte não fomos às vias de fato. O fim dessa história doce de minha irmã e eu foram alguns conselhos serenos. "Da próxima vez que tu começar uma briga, vê se tem coragem de encarar, abestado", acariciou-me minha caríssima irmã. Pra minha sorte, ela ainda me livrou de apanhar pelo menos mais umas dez vezes até nossa doce infância acabar.
*Na adolescência, essa menina brigona tomou muito no cu, mas não acho que possa comemorar, porque suspeito que ela gostou, dadas as famosas filas formadas pra isso em construções abandonadas.
**Eu briguei mesmo duas vezes na minha vida (outro dia eu conto). E por incrível que pareça, não perdi nenhuma rs.
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Feliz aniversário, mana. Que o Deus da justiça e da verdade que condena ou no mínimo tem pena de quem usa o santo nome pra se esconderem atrás do medo do que é diferente possa te acompanhar em cada batalha que travares na vida, mesmo as que sejam pra ajudarem quem mais precisa - como tantas vezes fizeste por mim.
Ele foi ver o amigo baterista se apresentar num barzinho desses da vida. A banda era muito interessante, como não é difícil encontrar por aí. Tem muita gente ótima que jamais consegue um lugar de destaque no mundo artístico. Mas não, ele não vai fazer uma aventura musical neste post, e sim, tem uma cantora gostosa na banda do amigo baterista, e sim de novo, foi por isso, realmente, que ele foi ao barzinho.
O amigo do Canalha falava muito dele, por isso quando foram apresentados, ela foi logo perguntando se ele era o amigo safado. Como ela perguntou com um sorriso no rosto, ele aproveitou a deixa pra não se conter. Depois de conhecê-la e de dizer oi, tudo o mais que falou foram elogios e provocações. Ele dizia, por exemplo, que achava que se ela gemesse como ela canta, não haveria homem que resistisse, etc, etc. Isso depois de menos de cinco minutos de papo. E assim ele fez por mais 6 semanas seguidas. E toda vez, a partir do primeiro dia, ele dizia que no próximo show ele iria ao pequeno camarim do barzinho transar com ela antes do show, porque aí sim ela entraria aquecida. Ela sempre ria. Ele nunca ia. Ela sempre dizia que ele não teria coragem. Ele sempre ria.
Depois de dois meses seguidos (três vezes por semana), ela já ia pra lá esperando encontrá-lo. Já sentia saudades dele. Mas obviamente não admitia. Ela prometeu a si mesma que não ia ser mais uma vítima dele. Então, súbito, o Canalha parou de ir. Simplesmente sumiu. Durante os dois primeiros shows com a ausência dele, ela cogitou perguntar ao baterista por ele, mas não queria demonstrar qualquer saudade. Mas o amigo (conforme previamente combinado) sempre falava dele Na verdade, o Canalha ia aos shows, mas não entrava, ficava esperando ela ligar antes da apresentação. Ela até ligou umas três vezes, mas sempre de dia ou depois das apresentações. E o Canalha não atendia. Até que um dia, ela ligou antes de subir ao palco (BINGO!). Depois do segundo toque, ele bateu à porta do mini-camarim. Ela foi atender com o telefone ao ouvido. Era ele.
Ele a pegou pelo braço antes que fingisse não querer, e fez exatamente como descreveu a ela em tantas conversas. Não trancou a porta (pra aumentar a emoção), e a encostou com força na parede. O corpo dele parecia querer afundá-la na parede. O fez com tanta força, que num momento se afastou um pouco preocupado em não machucá-la, mas ela logo tratou de demonstrar que aquilo não era suficiente para machucá-la. Ele Abriu o feiche da calça e começou a roçá-la sobre a saia e a calcinha. Ela tentou fugir de lá umas duas vezes, mas quando ele levantou a saia e arredou a calcinha, só restou a ela gemer e curtir aquele momento que nem ela sabia que queria tanto. Alguns gemidos dela foram audíveis aos amigos (e cúmplices) dela mesmo em meio ao estrondoso som ambiente, mas nenhum deles comentou com ela (naquele dia).
Quando acabou, ela perguntou a ele por que ele fez aquilo com ela. "Porque você queria, flor", respondeu ele. Ela se ajeitou e foi cantar. Depois do show eles foram a um motel, mas não teve a mesma graça, por isso eles saíram do motel e fizeram na rua mesmo. "Uma relação que nasce torta nunca se endireita", analisava o Canalha. "O lado ruim dos desejos probidos é que as vezes eles se realizam", retrucou ela.
A juventude está fazendo uma revolução no norte da África. A juventude que, justamente pela influência da internet, das redes sociais, das novas tecnologias, costuma ser chamada de apática, acomodada e superficial hoje em dia é a mesma juventude que usa esses novos recursos pra derrubar velhos modelos na África. A juventude de 1968 não era necessariamente "A tal" porque não eram TODOS os jovens que tinham como sobrenome McCartney ou Hendrix, assim como nem toda a juventude de hoje em dia se renderia a um Mubarak da vida. A história é feita por quem a faz, e os rótulos são apenas guias para as prateleiras e nada além disso.
Atendendo a mais um desafio do jornalista e blogueiro paraense Adison César Ferreira do ...LENDA PESSOAL, feito a mim e a blogueira Sara Portal, do blog Maktub!!!, que seria tratarmos de AMOR E SEXO. Adison já escreveu aqui a sua maravilhosa contribuição, então hoje a bola está comigo, sendo que amanhã é a vez da Sara. Então já que a bola tá comigo, vamo lá...
Como Arnaldo Jabour já falou quase tudo a respeito da diferença entre amor e sexo, resolvi falar então sobre algumas coisas que existem em comum.
Ambos são assuntos de amplo debate, no qual muitos sabem quase nada (incluindo eu), mas julgam saber quase tudo. Para o amor e para o sexo todo mundo tem uma opinião, seja ela libertária ou conservadora. Pior, todo mundo tem uma fórmula. Tudo quanto é diabo de revista, livro, programa de TV, música, papo de bar, todos querem explicar em última instância como fazer sexo e viver o amor da melhor forma possível. A impressão que dá é que não tem ninguém que se dá mal no sexo e/ou no amor, pois, seja o cara que não come ninguém ou a mulher que está solteirona a vida toda, todos/as parecem viver no paraíso verbal das certezas absolutas.
Há quem diga que para o sexo e para o amor a gente deve estar pronto para se abrir, se arreganhar mesmo ou mergulhar de cabeça com tudo. Há quem diga que para o amor e para o sexo devemos viver não para os outros e sim com os outros, além de, seja com os cuidados de nossas mãos ou das mãos alheias, cuidar do nosso da mesma forma que cuidamos do outro, e jamais esqueçamos que embora tentemos o tempo todo fazer que dois se tornem um, o nosso um e o um do/a outro/a jamais deixará de existir individualmente. Eu costumo dizer que o amor e o sexo são um jogo no qual ficamos felizes que o/a outro/a ganhe e comemore conosco, e enquanto ambos estão com a mesma vontade e a mesma felicidade que o/a outro/a vença, tudo está em paz, pois amor e sexo sem equilíbrio é sinônimo de que, no mínimo, uma pessoa ficará na mão, ou seja, no amor e no sexo, é dando que se recebe, e é só dando que se fode.
Baseado na obra de Nelson Rodrigues, conto aqui histórias que deveriam ser mentirosas, mas não são.
O BOM OBREIRO.
Era uma igreja famosa pela presença de muitos jovens. Quem invejava a juventude dali mal podia imaginar que o maior desafio da moçada lá não eram as drogas, as bebidas ou a prevaricação, e sim a "diaba de uma velha" (palavras de um deles). E de tanto falarem de missão, velha, envio, velha, conversão, velha, perdão, velha, misericórdia e mais da velha, num culto desses da vida um jovem recém convertido encasquetou que ouviu Jesus dizer que o propósito de estar ali era renovar a velha (oi?). Apesar de esse tipo de "visão" ser considerada normal e ao mesmo tempo obra do senhor, não houve quem o encorajasse nessa missão. "Tem certeza que Jesus falou mesmo isso? Tem certeza que não mandou dizer pra ela orar só em casa pra sempre?", murmuravam alguns (jovens de pouca fé).
Mas o novato, com toda a empolgação do mundo parecia irredutível. "O que um novato vai ensinar pra uma irmã que praticamente fundou essa congregação?", cochichavam alguns no começo. Mas os resultados, surpreendentemente, apareceram muito depressa. Em menos de um mês, a senhora (sim, eles passaram a chamá-la de senhora) parou de despejar grosseria gratuita, passou a não ser a primeira a apontar o dedo na cara das pessoas, aliás, passou a não mais fazer intriga com ninguém. Tudo ficou tão melhor, que o novato "redentor" passou a despertar a atenção das irmãs "moças" mas ele não dava bola pra nenhuma. Parecia mesmo querer apenas servir o Senhor.
Súbito, a ex-megera parou não só de falar grosserias, como passou a não falar mais quase nada. Parecia uma morta viva de tão silenciosa Parecia estar sofrendo. Só que ela, ainda que diferente, não foi o assunto mais discutido dessa vez. Sentiram falta mesmo foi do novato, que parecia tão convertido e de repente parou de frequentar os cultos. Duas semanas sem aparecer e sem atender o celular, e a galera tratou de ir até a casa dele pra tentar resgatar a alma aparentemente vacilante. Foram recebidos pela mãe e pelo irmão que acenou rapidamente e continuou jogando videogame. A mãe, muito discretamente, passou o recado que não era da conta deles onde o filho estava, mas que ele não estava mais naquela cidade. Eles, também discretamente, insistiram. A mãe, o mais discreta que conseguia ser, apesar do constrangimento aparente, tentou dizer que ele estava bem, embora longe dali, os amigos já iam insistir de novo até que o irmão do novato, que estava nitidamente irritado por estarem naquela lengalenga, explodiu:
- Conta logo pra eles que a senhora pegou ele comendo uma velha na cama dele, mãe!
A mãe corou, e quase se enterrou sob o tapete. E ainda jogando, de costas para os presentes, continuou.
- Conta pra eles que ele foi mandado pra igreja porque tinha um caso com a professora, outra velha, e que a senhora mandou ele pra casa do papai em Curitiba porque não sabe mais o que fazer com ele.
A mãe fuzilou o filho com os olhos, enquanto as bochechas pareciam mais uma pimenta malagueta.
- Pronto, agora eu vou ficar de castigo uma semana porque meu irmão maior gosta de comer velhas.
...
Não se sabe quem ficou mais constrangido, se foi a mãe ou os amigos. A vontade que todos tinham era de se teletransportar pra uma outra dimensão, mas tudo acabou com o mais insosso dos tchaus. "Ele seria um bom obreiro", comentou um jovem depois de sairem da casa.
BOLETIM DOS ÚLTIMOS TEMPOS: Fatos que mudarão o mundo! (editado)
Durante o show de Paralamas e Titãs em Belém, um rapaz achou um celular de última geração. Ao invés de guardá-lo no bolso, o jovem saiu perguntando para o povo de quem era o celular. Ninguém mentiu. Então o rapaz pediu que avisassem a quem aparecesse procurando o celular que o aparelho estava guardado com ele. Ao fim do show o dono reencontrou o aparelho.
Um casal estava brigando enquanto seu primeiro filho tentava andar sozinho pela primeira vez. Antes que rolasse a primeira ofensa mais séria, o bebê deu seus primeiros passos em direção ao casal. Depois disso, o casal desistiu de brigar para ficar incentivando o filho a andar de um lugar para o outro da casa.
Uma mãe que havia expulsado o filho homossexual de casa após descobrir a orientação sexual dele foi atrás de sua cria. A mãe arrependida preferiu declarar seu amor ao filho independentemente de sua orientação e impedir que um aliciador o levasse para a prostituição.
Um homem que havia tido um dia horrível no trabalho conseguiu paz ao ver o sorriso de uma criança. No retorno para casa depois de um dia estressante, um homem foi interpelado por uma criança linda que nunca tinha visto. A criança abriu um sorriso espontâneo e maravilhoso e disse apenas “olá”, mas serviu para o homem perceber que um coração pulsava em seu peito acima de tudo e que a vida é maravilhosa.
Duas crianças de diferentes classes sociais brincaram juntas no parque. Uma criança loura, filha de empresários, brincou com uma criança negra, filha de uma empregada doméstica solteira, no parquinho do Bosque Rodrigues Alves. Brincaram intensamente sem enxergar qualquer diferença entre elas. Após muito brincarem, as crianças beberam suco no mesmo copo e foram embora pra suas respectivas casas e classes.
Um garoto de periferia que havia planejado seu primeiro assalto com os amigos foi aprovado na peneira do Paysandu. Sem muita coisa pra colocar na cabeça, o rapaz via no assalto a chance de poder conseguir algo fora das regras, já que as regras formais não o favoreciam. Aprovado inesperadamente na peneira, o jovem cancelou seus planos criminosos porque no horario em que planejava em roubar haverá seu primeiro jogo com a camisa do papão.
Um rapaz tímido e excluído das grandes rodas em sua escola ganhou o beijo mais disputado do colégio. A menina mais disputada da escola conversou por acaso com o menino que quase não falava com ninguém, e percebeu que apesar de falar pouco, o garoto falava muito melhor que a maioria dos meninos populares. Após o beijo, o moleque não se sentiu mais inferior a ninguém.
Um rapaz que era acostumado a jogar lixo na rua ganhou uma bronca da nova namorada. Todo bombom que consumia, todo picolé que chupava, toda embalagem que descartava geravam sujeira na rua porque o rapaz não tinha o hábito de jogar lixo no lixo. Ao ver seu namorado fazendo isso, a garota deu-lhe um sermão de quase meia hora, e o garoto prometeu que nunca mais jogaria lixo na rua.
Uma senhora de oitenta anos recebeu bom dia e ajuda de motorista de ônibus.Quando a senhora fez sinal para o ônibus, sequer esperava que o coletivo fosse parar. Mas além de parar para a senhora, o motorista desejou bom dia com um sorriso terno e ainda ajudou a "vovó" a subir os degraus altos do ônibus. Somente após a senhora estar completamente acomodada o motorista arrancou devagar e seguiu.
Durante uma apresentação do governo no Hangar – Centro de convenções da Amazônia – um portador de necessidades especiais recebeu muita ajuda. Após a apresentação, o governo ofertou um lanche para os participantes. No entanto, como o lanche era servido em bandejas, um rapaz com dificuldades de locomoção não podia se meter no meio do povo porque poderia cair, então ficou lá sentado sem falar nada pra ninguém. Quando ele menos esperava, várias pessoas espontâneamente começaram a levar lanche pra ele. O portador foi uma das pessoas que mais comeu nesse dia.
Agora que passou o período de amplo debate sobre o erro na prova do ENEM 2010, gostaria de dar o meu pitaco. Não gosto muito do tom imediatista que a maioria dos articulistas e comentaristas dão aos temas polêmicos na imprensa brasileira, por isso prefiro deixar a coisa fluir nesses casos pra poder me manifestar, uma vez que esse debate vai além de um mero exame falho. No ano de 2010 o Exame Nacional do Ensino Médio veio com a pretensão de torná-lo uma espécie de exame único para o egresso de calouros nas universidades brasileiras, com algumas pessoas da imprensa brasileira até mesmo chamando isso de "revolução" do ensino médio. Muitas universidades acataram, outras não. Mas afinal, o ENEM tem como unificar e simplificar o acesso dos estudantes às UFs? O ENEM presta mais ou menos por ter falhado de forma tão grosseira nas últimas edições?
Não há como negar que o método avaliativo em si das provas do ENEM são melhores em relação aos vestibulares tradicionais. A interdiciplinaridade, a contextualização das questões, a eliminação de questões decorebas, a necessidade de leitura e real compreensão do problema para a resolução das questões, tudo isso incentiva que os cursinhos e principalmente o ensino médio brasileiro modifiquem a forma robotizada de ser, orienta que cada disciplina seja baseada em muita leitura, etc. Mas apenas substituir uma prova por outra melhor e nacional não resolve o problema do ensino médio brasileiro, nem do escasso acesso dos jovens brasileiros às universidades.
Temos cerca de 24 milhões de jovens no Brasil. Desses, apenas 13,9% estão cursando o ensino superior, o que é vergonhoso. Quase metade dos estudantes que fizeram o ENEM em 2009 tiraram notas abaixo da média. Isso demonstra que só o ENEM em si não resolverá o problema da educação no Brasil. É necessário investir em salários dignos ao profissionais, melhorar a infra-estrutura e o acesso a educação em todos os níveis, só pra começar. É notável o avanço, a construção de novas universidades, e outras coisinhas aqui e ali, mas tudo isso é muito, mas muito pouco. Enquanto não tivermos um método avaliativo que seja mais completo, que leve em consideração as peculiaridades de cada região, que leve em consideração a desigualdade da educação brasileira, que seja feito em mais e melhores etapas e enquanto não tivermos cadeiras públicas de ensino superior para pelo menos 90% da população juvenil brasileira, estaremos muito longe do ideal.
Portanto, o fato de ter dado problemas graves nas duas últimas realizações da prova é algo absolutamente superável. Se o problema do ensino brasileiro se resumisse à boa elaboração e execução do ENEM, estaríamos feitos. Mas o problema do MEC é muito maior. Precisamos de fato de uma revolução na educação brasileira, mas essa revolução está longe de ser apenas o ENEM.
As pessoas hoje em dia costumam estar mais ou menos solteiras. Parece que a moda é ficar solteiro e sair pegando para que ao menos uma pessoa no mundo não saiba disso. Até parece mesmo que a melhor coisa do mundo é ter alguém pra quem não podemos dizer quem pegamos, alguém pra quem possamos ter vontade de mentir descaradamente, alguém que não acredite em tudo que dizemos. Parece que as pessoas não procuram namorados ou namoradas, procuram alguém pra contar algumas mentiras, ou, como costumam falar por aqui, alguém para dar o "S".
Se isso é bom ou ruim? Não sei. Nesse momento prefiro tentar saber se estou enganando ou sendo enganado.
___________________ Ganhei um monte de presente que recebi da da Sol Barreto. Ela que tem a delícia de blog Caminhos e Descaminhos me deu essas delícias de lembranças. É por isso que eu amo a blogsfera!
as veze a gente se preocupa mais com o sapato do que com a dança as vezes mais com a dança do que com a diversão as vezes mais com a diversão do que com a felicidade as vezes mais com a felicidade do que com a gente
acho que o segredo, derepente, é não perder o foco
Preconceito é que nem pentelho. Uns cuidam melhor, outros cuidam menos, há os que não cuidam nada, mas todo mundo com mais de 12 anos tem. Faz parte da vida ter receio do que é diferente, e faz parte da vida também nos sentirmos donos da verdade, ainda que essa verdade seja que não somos donos da verdade. Eu, por exemplo, demorei muito pra apurar meu enorme preconceito musical.
Eu só conseguia ouvir com gosto rock com letras de protesto. Pensem que na mesma época em que me vidrei em rock estava no auge do axé. Eu odiava tudo aquilo. Pior. Eu odiava as pessoas que ouviam aquilo. Dizia que elas eram alienadas. Depois eu comecei a CULPAR as condições sócio-econômicas e do péssimo ensino público que dificultavam o maior crescimento intelectual da maioria da população, assim a maioria não conseguia entender algo mais denso nas músicas. Hoje me irrito ainda com a super-exposição de qualquer coisa, mas penso que ter a mente fechada traz mais irritação do qualquer letra simplória de música.
Quantos doutores por aí não são ignorantes? Quantos professores não tivemos que mereciam sentar do outro lado da sala e receber zeros consecutivos? Quantos padres e pastores não se comportam como demônio? Quantas mães não se comportam como predadoras? O sangue, os contratos, os títulos, os diplomas podem até simbolizar algo, mas nada substitui o que você verdadeiramente é. Nada mostra mais do que você sabe e do quão bom é capaz de ser do que a atitude que se tem nas situações de maior dificuldade. Por isso não vai ser a música que se tem no ipod a tornar-nos melhores ou piores. Pois Hitler adorava arte erudita.
Todo mundo malhava sertanejo, mas quando Maria Bethania cantou "É o amor" quantos inteligentes não cantaram junto? Malhavam Claudinho e Bochecha, mas quando Adriana Calcanhoto (Partimpim) cantou "Fico assim sem você", será que a letra se tornou mais inteligente? Acredito que não. Foram só pessoas que poderiam até se acharem melhor do que os gênios que as ouvem, mas mostraram que o verdadeiro artista percebe a beleza nas coisas mais simples da vida antes de retratá-la ou condená-la. Gostaria muito que houvesse uma exposição mais democraticamente abrangente dos produtos fonográficos em nosso país, mas penso que a internet acaba preenchendo um pouco dessa lacuna. Mas, no fim, preconceito é pior do que qualquer mau gosto, seja ele qual for.
____________________ * Vale a pena ouvir o "Bailão do Ruivão" de Nando Reis e "Iê Iê Iê" de Arnaldo Antunes, álbuns que, de certa forma, concordam comigo. **Gostaria muito que os carros com equipamentos sonoros de alta potência explodissem todos, especialmente na praia, porque ninguém é obrigado a ouvir o que não quer. ***Imagem: Google.
Eu costumo dizer que as festas do fim de ano não são lá coisas que me alegram muito, nem me deixam lá muito animado pra sair e fazer as coisas que todo mundo costuma fazer por essa época. Mas eu não poderia deixar de dizer a todas as pessoas que me curtem, seja aqueles que me conhecem pessoalmente ou não, que foi ótimo poder viver o ano de 2010 perto de vocês. Seja perto de suas palavras ou perto do calor do vosso abraço, eu me tornei melhor esse ano por causa de vocês. Eu acredito no ser humano. Acredito em todas as pessoas que tem a capacidade de amar e de superar as dificuldades. Acredito na vida que resiste apesar de tudo que se faz contra ela.
Sei que em 2011 as pessoas continuarão agredindo a mãe terra, que a elite mundial continuará promovendo a desigualdade, que continuarão(emos) oprimindo os menos favorecidos, e que continuará sendo uma verdadeira aventura continuar vivendo com bom humor na face da terra, por isso, desejo aos blogueiros que sigo e que me seguem, a todos os meus amigos e amigas, familiares e toda a constelação de pessoas que amo a força para resistir e continuar buscando a plenitude da vida e a felicidade que não seja forjada sob a infelicidade de ninguém.
Bons orgamos aos que fodem!
Boas vigilias aos que oram!
Boas noites aos que dormem!
Bons sonhos ao que ousam!
Bons ventos aos que nele cavalgam!
Boas notas aos que não cansam de ser avaliados!
Bons perdões aos que se enxergam!
Boas festas aos que não deixam que elas acabem nunca!
E Paz a todos e todas que nela creem com todo o fervor de seus atos!
Em muitas noites, quando crianças ou não, quiseram acordar de um pesadelo os dois gaúchos, mas noutros, como no vivido por eles agora, gostariam de não estar acordados, e sim dormindo sob o manto cosmopolita e subtropical do Rio Grande. Estavam diante da praga, mas não podiam bater ou correr simplesmente porque não sabiam se poderiam. Devido a iluminação de velas, os outros não poderiam ver o semblante de medo dos dois. Ele lembrou o que havia prometido a ela, mas conforme recordava não era no mesmo dia que se pagavam as dívidas prometidas à Matinta, e sim no dia posterior. E ainda assim, conforme lembra muito bem o gaúcho, seria uma velha a desgraçada a perturbar e não uma nova como aquela.
"Bom, como estamos todos estão apresentados, vamo lá pra beira do rio ver a noite passar, depois, quando tiverem pedindo arrego de tão cansados, vocês dois vão dormir aqui com a nossa anfitriã, pois lá na casa do trapiche não tem mais espaço pra atar rede", disse o amigo paraense aos gaúchos, mas a sulista logo disse da melhor forma como conseguiu disfarçar o desespero que não seria de bom tom eles ficarem lá, pois, pareceriam privilegiados perante os outros. O paraense tentou explicar que a razão, de fato, era a da ordem de chegada mesmo, pois quem chegou primeiro atou lá fora suas redes e, além do mais, a dona da casa odiaria ter de dormir só, e, quando soube da chegada de pessoas de outro estado, foi ela mesma quem pediu para se alojarem dentro da casa mesmo.
"Tá bom, a gente vai ficar aqui mesmo", disse calmamente o gaúcho. A gaúcha arregalou os olhos claros e ficou a imaginar que seu companheiro já estaria sob algum tipo de feitiço quando, percebendo instintivamente como ela o encarava, ele mexeu os lábios enquanto subia as sobrancelhas e disse sem precisar de voz: "CAL-MA". Para tomar aquela decisão, ele começou a imaginar que jamais houve qualquer história comprovada cientificamente. As lendas não eram apenas lendas, e, se aquele grupo já teria ido lá várias vezes e nunca aconteceu nada, ao ponto de sempre voltarem lá ano após ano, não seria só ficando com o cu na mão que entenderia aquele mistério. Depois de breve argumentação, ainda sob discreto protestos da moça, o casal de fora resolveu ficar ali dentro. A parceira conseguiu se acalmar um tantinho com a segurança passada a ela pelas palavras do agora destemido gaúcho. Depois do último "boa noite! Vamos deitar porque já estamos cansados", seguido de "nós vamos brincar de beber um pouco lá fora", agora eram só ele, ela e a Matinta na casa.
Foi tudo muito rápido.A porta bateu. A iluminação em todo o ambiente ficou completamente cinza.Ela se mijou mas não conseguiu se contorcer de vergonha. Os olhos dele arregalaram-se, mas não conseguiu gritar. A Matinta não se movia, mas ao mesmo tempo parecia estar em todos os lados; hora distante, hora encarando-os nariz a nariz, hora era um pássaro, hora era a jovem horripilante. Diferente do que aconteceu na mata, eram eles mesmos quem não se moviam. Tinham vontade de gritar, mas não conseguiam; tinham vontade de sair correndo mas as pernas estavam imóveis; tinham vontade até mesmo de pular no pescoço dela pra ver o que acontecia, mas nem isso. Estavam, acordados, vivendo um pesadelo, e o pior: não havia ninguém ali a não ser eles mesmos. Pior do que sentir o terror e o medo, é não conseguir externar tudo isso. Estavam presos num pesadelo alojado dentro de si.
De repente, tudo o que era cinza, passou a ficar absolutamente escuro. E no breu total, ele recuperou os movimentos. "Eu poderia comer os dois aqui e agora, mas não. Vou comer só essa branquinha aí, só pra ela deixar da pavulagem dela", sussurrou a Matinta ao ouvido do forasteiro. Ele, que havia lido sobre a "lenda" mas jamais leu ou entendeu o porquê de temerem-na tanto, agora não conseguia responder nada. Ele esperava resolver aquilo com a razão, mas não há razão sem experimentação, sem certeza previamente testada, e aquele momento era absoluta e aterradoramente inédito. Mesmo tremendo, só conseguiu foi sussurrar, não porque queria falar baixo mas porque só foi possível emitir aquele tanto de voz: "Tenho como te arranjar tabaco agora". Conseguiu ainda pedir, para a criatura deixá-la em paz e levá-lo no lugar. Mas ela somente começou a assobiar como resposta. Todo o breu começou a ser salpicado por pequenos mas constantes flashes de luz. O assobio aumentava, o vento também, os flashes seguiam o mesmo ritmo, e agora ele é quem gritava, dessa vez com a permissão da Matinta. Súbito os flashes pararam, e ainda com a mesma intensidade de ventania e de assobios, ele viu a boca com dentes encavalados da Matinta crescer, alargar-se, dilatar-se até consumir toda a sua amiga gaúcha. Ele correu pra impedir, mas de repente toda aquela boca escancarada virou-se para ele. Ia engoli-lo...
...
O gaúcho acordou com a gaúcha chorando ao lado dele no mesmo colchonete. "Ela me engoliu", dizia ela com o rosto ensopado de lágrimas. "A mim também", pensava ele tentando consolá-la. Suavam frio. Se abraçaram. Eram por volta das seis da manhã. Depois de um tempo abraçados, passaram a ouvir o som dos punhos de uma rede reclamando por ter de balançar. Era um som constante e semelhante ao de uma porta sem lubrificação abrindo e fechando rapidamente. A garota arredou para trás. O coração dele esfriou de novo. Os dois deitaram e ficaram esperando os outros acordarem. De repente bateram muitas dúvidas nele. Aconteceu mesmo aquilo tudo na noite anterior? Como os amigos não ouviram os gritos? Por que não morreram? Como ele e a amiga lembravam a mesma coisa? Bater nela? matá-la? Fugir dali? "Eu não comi vocês porque não estava com fome, mas não prometam mais tabaco se não têm. Eu já fumei a maconha que vocês tinham aí e estou bem. Só nunca contem essa história a ninguém, a não ser como se fosse lenda", disse a voz entre entre idas e vindas daquela rede encardida.
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* Antes de mais nada gostaria de dizer que amo gaúchos, conheço vários virtual e pessoalmente, e quando pensei em pessoas para ilustrar este conto, não tive dúvidas em por estes.
** A história é baseada em muitas histórias que ouvi a minha vida toda por aqui, e que, por incrível que pareça, adoraria tê-las vivido eu pessoalmente.
***Meu HD queimou, e estou temporariamente sem PC, por isso demorei a postar, e não tenho visitado vocês. Mas prometo que logo-logo volto a encher o saco de todos de blog em blog.
Quando ele percebeu o assobio aumentar vertiginosamente, ao mesmo tempo em que uma aterradora ventania começou a balançar as folhas, ele quase gritou. Conforme um amigo paraense havia contado e o como ele mesmo já havia lido em livros didáticos, algumas centenas de anos atrás, a Matinta Perera era uma ave que assobiava e assombrava até se transformar em uma velha feia que só a porra; e a monstra só descansava quando o/a perturbado/a em questão prometia tabaco a ela.
Só aí ele percebeu que sua colega de caminhada pelo ramal já estava quase roxa de gritar. Ele teve muita vontade de encher a cara branca dela de tapas, mas seria mais masoquismo do que produtivo, então a abraçou. Nisso, o céu de 18h finalmente desabou dando lugar a uma escuridão total. O assobio parou. A ventania também. Eles ouviram o som de algo pousar, algo pesado, fedorento. De repente, a lua apareceu cheia, mas não iluminava toda a mata. Como um holofote, destacava só aquela criatura, franzina, vestindo um trapo que mal cobria-lhe as pernas magras e o busto. Fedia. Mas não era uma velha, era uma moça.
A gaúcha achou a bruxinha uma coisa horrível. Dentes encavalados apesar de branquinhos, cabelo suplicando por hidratação, unhas sujas, pernas muito tortas, enfim, toda sorte de defeitos que uma mulher consegue achar em outra numa frações de segundo. O gaúcho achou-a tal qual a comida do Ver-o-Peso experimentada naquele mesmo e fatídico dia: meio estranha mas dá pra comer. "Se tu for embora e deixar a gente ir, passa mais tarde lá pra pegar tabaco", disse ele com o cu na mão, lembrando-se da saída sugerida nos livros para aquela situação.
Ocorreu que a jovem Matinta sumiu. Na verdade, nem foi ela quem sumiu, a lua simplesmente deixou de focá-la. Tudo escureceu novamente, e num piscar de olhos, os relógios voltaram ao normal e a lua nova voltou para o lugar de onde não deveria ter saído. Eles se abraçaram. Ela chorava e ele apenas respirava aliviado. Momentos depois eles ouviram vozes. Eram os amigos paraenses que, por já se tratar de mais de dez da noite e sem qualquer contato resolveram verificar se havia algum problema. De fato, havia, mas nenhum dos dois turistas teve força pra contar. "Nos perdemos", justificaram.
Chegaram estourados. A casa onde ficariam era simples. Não dava pra ter muito a dimensão do espaço porque a noite já se ia com muita profundidade. Restou a eles, antes de repousarem, conhecer os anfitriões. "Vamos te apresentar quem está tomando conta da casa. A avó dela, a simpática senhora que sempre nos recebeu aqui já não se encontra entre nós. E esta, gente fina como é, está aqui ao invés de estar viajando a Belém apenas para nos acolher", apresentou o paraense amigo do gaúcho. A anfitriã apareceu lentamente, contra a luz. Os cabelos ressequidos, as unhas, a perna torta. Era ela. Quando os viu, focou toda a sua atenção à gaúcha, e sorriu com os dentes encavalados. A anfitriã era aMatinta. e o cu dos dois voltou a contrair...
Conclui sexta que vem.
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Recebi este selo do meu amigo Antônio Rosa, do maravilhoso blog Cova do Urso.
Como regulamento, para este selo, devo ainda divulgar uma imagem e dizer o que vejo demais nela. A imagem é esta:
Escolhi essa porque representam as coisas com que mais aprendi na última década.
E também recebi da maravilhosa So Sad, de um dos blogs mais originais da blogsfera, chamado 2 + 2 = 5
Gostei muito de receber estes prêmios, mas, quebrando completamente o protocolo por completa falta de jeito pra cumprir a tarefa de escolher entre os blogs que amo, anuncio aqui que esses dois selos são presentes para todos os que sigo e que me seguem. Beijos e Abraços!
A primeira década do milênio está acabando. Passou rápido, não acham? E nesses períodos é sempre bom revisarmos o que guardaremos no relicário de nossas almas ou no armário das coisas que só não jogamos fora porque não escolhemos ter mal de Alzheimer. Nisso, meu amigo Adison Cesar do blog ...Lenda Pessoal teve mais uma das suas brilhantes idéias e desafiou a blogueira e jornalista Yorrana Oliveira e eu para junto com ele postarmos a nossa lista de melhores filmes da década. A lista dele, com a qual tenho muita afinidade, já pode ser vista aqui, hoje é a minha vez e amanhã será a vez da Yorrana (não, não somos cavalheiros).
Como não combinamos de fazer exatamente um ranking e sim uma lista, então preferi dividir por categorias que mais gosto, sendo assim...
10 - Adaptação de Obra Literária: Lavoura Arcaica
Baseado no romance homônimo de Raduan Nassar, o diretor Luiz Fernando Carvalho fez a melhor adaptação de uma obra literária para as telonas nesta década, na minha modesta opinião. O filme é lindo e tem o melhor roteiro, os melhores diálogos e uma das melhores fotografias desta lista. Além do mais, conta no elenco com Selton Mello, Raul Cortez e Leonardo Medeiros.. ôh!
09 - Ação Kill Bill
Eu poderia dizer aqui somente que o filme é de Quentin Tarantino e pronto, que já estaria de bom tamanho. Mas devo acrescentar ainda que eu não sou fã de filmes de ação, e o desgraçado desse diretor pegou os elementos mais clichês de um filme de ação, como vingança e violência, misturou a uma puta atriz mais um roteiro digno de Tarantino e deu nisso: dois volumes que quem gosta de filme bem feito no mínimo deve assistir.
08 - Documentário Fahrenheit - 11 de Setembro
"...nós vivemos em um tempo de ficção. Nós vivemos em um tempo em que resultados fictícios de uma eleição proclamam um presidente fictício. Vivemos em um tempo em que esse homem (Bush) nos leva a uma guerra por razões fictícias...", discursou Michael Moore na premiação do Oscar 2003 quando ganhou a estatueta de melhor documentário. Metade da platéia engomada aplaudiu, outra não, enquanto as tropas estadunidenses invadiam o Iraque. Esse discurso me fez correr pra assistir, e amei. Pra quem não viu, aviso, ou você odiará ou amará.
07 - Independente As Filhas da Chiquita
Quem pensa que o Círio de Nazaré é a maior festa religiosa do Brasil pode não saber que é também uma das maiores manifestações culturais e democráticas do mundo. Uma celebração sem fronteiras, sendo inclusive pluri-religiosa. Aqui, a ótima cineasta paraense Priscila Brasil conta como a comunidade LGBT participa da festa. Vale a pena conferir aqui.
06 - Adaptação de Heróis das HQs Batmam, The Dark Knight
Esta década também foi marcada por grandes possibilidades de adaptações dos quadrinhos, setor que carrega muito preconceito ainda, mas autores como Alan Moore e Frank Miller, autores nos quais este filme de Cristopher Nolan se baseou, mostram que HQ também pode ser literatura #defendo. E nesse filme, Heath Ladger (que também arrasa em outro filme da década chamado "A Última Ceia") dá show como o melhor vilão dos quadrinhos na minha opinião, o Coringa, que é demente, e alegra-se com a injustiça, o posto do Batman que também é demente, mas é sisudo para superar qualquer injustiça. O filme e a dupla fazem uma ótima reflexão sobre o bem e o mal.
05 - Romance Closer, Perto Demais
Se não pelo ótimo roteiro, pelo ótimo elenco e por um filme romântico como só os ingleses sabem fazer, pela trilha sonora, se não viu, não deixe de ver. É ótimo. Abaixo deixo aqui a música da trilha da qual foram feitas versões por Ana Carolina e Seu Jorge & Zelia Duncan e Simone, mas, assim como as músicas da Legião Urbana, nenhuma versão supera a original.
The Blower's Daughter de Damien Rice 04 - Drama Crash
Cara... vê isso, se não viu. Eu só posso dizer que na cena que ilustra esta imagem, eu chorei. Chorei muito.É a cena mais emocionante da década pra mim.
03 - Ficção O Senhor dos Anéis
J.R.R. Tokien escreveu no século passado uma história que tem o nível de "Alice no Pais das Maravilhas", "Peter Pan" e outros, mas com uma riqueza de detalhes impressionante jamais vista. Tanto que o filme de Peter Jackson, que é perfeito, está longe ainda de alcançar a grandiosidade desta obra literária. E este monstrinho aqui na imagem é o melhor ator virtual da década.
02 - Filme fora do eixo Brasil-língua inglesa O Segredo dos Seus Olhos
Original. Lindo. Lindo. Nem dá pra lembrar da arenga futebolística nesse maravilhoso filme argentino. Oscar de melhor filme estrangeiro foi pouco pra ele (valeu, Prof. Ismael, pela indicação).
01 - O filme da década. Linha de Passe
Tá, se você me olhar bem sério e perguntar de novo, eu vou ficar sem graça. Não é de fato O MELHOR FILME. Apesar do ótimo Walter Salles ser o diretor, talvez se as pessoas virem o filme não acharão lá tuuuuudo isso. Mas, eu me vi no filme. Não que seja a minha história lá, mas é a história de tudo aquilo que me cercou e que me cerca. Dificuldades e sonhos das periferias. As mazelas, a beleza, os talentos desperdiçados, a invisibilidade perante as elites. Saí da sala de cinema agradecido por ter chegado onde nem cheguei. E quando pensei no filme da década, pensei em minha história que tanto mudou radicalmente neste descabaçar de milênio. Esse filme é no que mais me vi e o que mais vivi nessa década.
Tá certo. Eu estou errado, vocês estão certos. A partir de hoje:
Eu vou casar para fingir ter uma estabilidade familiar enquanto minha esposa e eu brincamos para ver quem trai mais e melhor sem ser descoberto. E vamos ter filhos para a TV e a internet tomarem conta enquanto compramos nossa ausência enchendo os fedelhos de mimos que saciem os fetiches incorporados como vírus pelas babás eletrônicas a quem os confiamos solenemente.
Eu vou acreditar num Deus que vai me encher de dinheiro se eu começar a só ouvir canções melosas que falem de Deus, passar a viver numa redoma religiosa cercada de verdade por todos os lados e passar a só ler passagens bíblicas que justifiquem a maldade e a imbecilidade das pessoas contra quem elas não aceitam. E vou dizer que foi o Espírito Santo que agiu toda vez que eu chorar na catarse montada pelo circo da fé nas igrejas e vou crer plenamente que as esmolas que eu dou aos pobres e as gorgetas que dou aos líderes religiosos caem diretamente na minha conta lá no céu.
Eu vou começara votar no cara mais arrumadinho, que fale macio, diga que ama os pobres e que saiba contar as mentiras certas que me motivam sem que eu jamais lembre que existem ideologias e que não é pra promover festas e dar esmolas que os políticos são eleitos.
Eu vou acreditar que o trabalho dignifica as pessoas, que o meu chefe é o representante de Deus na terra e é por isso que trabalharei para que ele enriqueça mais enquanto eu continuarei fodido.
Eu vou sonhar com a mulher ideal, aquela que saia direto da tela da TV, do cartaz do bar, da parede da oficina ou da minha punheta mais bem batida, e acreditarei que ela vai me amar mesmo pobre e feio assim como eu sou.
Eu vou fazer agora só aquilo que me dá dinheiro. Vou transformar minhas amizades em clientelas, ao invés de ser namorado vou ser cafetão e ao invés de amar vou vender; No lugar da familia vou por sócios minoritários e no lugar dos sonhos elaborarei uma planilha com projeções de lucro.
Vou ouvir só músicas modinhas, assistir e ler coisas com hemorragias de pobres e vestir só, somente só aquilo que algum estilista leso lá da casa do caralho diga que é pra eu vestir.
Vou dar porrada no meu filho se o vir andando com um gay, dizer que macumba é coisa do demónio e que espiritismo é coisa de Deus, que homem pode ficar porre mas mulher não pode porque é feio e que em Belém só tem índio e que a gente usa jacaré como transporte alternativo reiteranto sempre e em todo momento QUE EU NÃO TENHO PRECONCEITO!
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Eu postaria hoje a segunda parte de No Ramal, mas esta postagem já estava programada a um tempinho e eu não lembrava; sexta feira que vem trarei a continuação.
Negros são trazidos pra trabalharem como animais para os brancos.
A princesa liberta os negros.
A princesa não torna os negros livres.
Os negros vão para os morros.
Todo mundo que não tem casa vai para os morros.
Os negros que não tem trabalho começam a roubar.
Os negros e favelados descobrem que traficar aos branquinhos lá de baixo dá muito mais grana que só ficar roubando merreca deles.
A polícia percebe que ajudar os traficantes é muito mais lucrativo que correr o risco de prendê-los.
Quanto mais os traficantes conseguem poder, mais há lucratividade para o mercado alternativo da lei.
A cidade ganha a oportunidade de sediar importantes eventos.
Agora:
Depois que a coisa fica demais, a polícia e as forças armadas entram lá pra tirar os brinquedos que eles próprios deram aos traficantes. Querem arrumar a casa para as olimpíadas e pra copa, e para os tantos eventos internacionais que se aproximam. Jamais uma ação policial ganhou tanto apoio local e nacional como o de então.
Após tantas vidas perdidas graças ao estado não ter agido assim a anos, o complexo do alemão, o maior conjunto de favelas à mercê dos traficantes assim como a vila Cruzeiro estão tomados pelo estado.
Depois:
Se o estado tiver entrado lá primeiro pensando em libertar o povo (na sua ampla maioria) honesto e trabalhador que mora no morro e depois pensando nos branquinhos lá de baixo e de outros continentes, se o estado apurar, prender e condenar todos os servidores públicos que historicamente colaboraram para que a coisa ficasse como ficou (incluindo policiais e autoridades do alto escalão do estado), se as políticas públicas forem mais contundentes (pra não dizer eficientes) do que até agora as bases da polícia pacificadora instauraram nos morros ocupados, e se o sistema penitenciário for completamente reformado para deixar de escritório gradeado para bandidos e ser faculdade do ódio para os bandidos que voltarão (caso não morram antes) a conviver conosco eu juro que ficarei feliz de verdade.