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terça-feira, 25 de maio de 2010

QUEIMADA - UM CEMITÉRIO DE OPRESSÕES

Força. Doses generosas de brutalidade, adrenalina dor, e.... graça. Esses talvez sejam os grandes ingredientes para tornar tão popular o jogo que alguns conhecem como cemitério, mas é mais conhecido em Belém como queimada. Mas não qualquer queimada. A queimada disputada por verdadeiros gladiadores gays. Uma genuína batalha cercada de tensão e alegria.

O esporte funciona como uma forma de inclusão social de um povo que costuma ser excluído das principais instituições de nossa sociedade: a família, a igreja e a escola. São raras as vezes em que pessoas homossexuais ou bissexuais são aceitas exatamente como são. “Eu até tolero o fresco, mas não suporto a frescura do fresco”, costumam falar as pessoas que, imersas no senso comum, propagam a homofobia, que assim como o racismo é manifestado de forma velada em nossa sociedade.

O que torna especial a relação entre os gays e a queimada, é justamente a inclusão social que o esporte acaba proporcionando a quem é tão acostumado a ficar a margem. No jogo de queimada, ao contrário, os gays ficam no centro e as pessoas tidas como normais é que ficam a margem, admirando o talento dos esportistas ou rindo de graça do bom humor que costuma estar em qualquer ambiente desse público.

ANTES DE JOGAR, O JULGAMENTO

Samantha, 17, não foi batizada com esse nome pelos seus pais. Deles ela recebeu um nome masculino qualquer. Mas desde muito cedo ela percebeu que era ela e não ele, e resolveu escolher esse nome para ser chamada, nome com o qual ela se identifica. “Nunca fui violentada por ninguém. Desde criança percebi que não era igual aos outros meninos”, conta o rapaz que poderia ser facilmente confundida como menina, não fosse pela voz um tanto mais grave e a ausência de seios. Ela diz que em casa às vezes anda ‘como menino’, mas que não costuma sair assim na rua. “Tive minha primeira relação homossexual com 13 anos, mas antes disso eu já sabia que era gay”, afirma a estudante que não enfrenta qualquer repressão familiar, seja dos pais, dos irmãos ou da mãe. Samantha tem uma mãe protestante, por exemplo, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, e mesmo que a formação religiosa da mãe afirme que a homossexualidade é um pecado, aceita sua filha de braços abertos da mesma forma como ama os outros dois filhos heterossexuais.

O suhiman Eloi Fernandes, 27, praticamente descobriu que era gay pelos outros. Desde criança, ao demonstrar-se diferente dos outros meninos, tinha que agüentar comentários do tipo “ah, mas esse aí vai ser veado mesmo”, e mesmo antes de saber exatamente o que isso significava, foi percebendo através de piadas e toda sorte de indiretas que aquilo que ele era, seja lá o que fosse, não era bem quisto pela sociedade. “Desde que eu era entendido, a minha família tinha clareza da minha orientação sexual, tanto que, aos 17 anos, quando cheguei a falar pra eles, todos receberam normalmente” diz. Heloi não se veste como mulher, e faz parte de um outro segmento gay, que mantém mais características masculinas, diferente de Samantha.

O cabeleireiro Junior, 23, diferente dos anteriores, passaria despercebido aos ‘radares’ dos mais inexperientes. Junior é bissexual, e, a exemplo de muitos como ele, descobriu que poderia envolver-se afetivamente com pessoa do mesmo sexo relativamente tarde. “A minha vida sempre foi normal. A minha orientação sexual não era essa. Aconteceu de repente, de forma inesperada”, relata o cabeleireiro. Junior foi a uma micareta, e quando já estava com teor alcoólico suficiente no sangue, foi beijado por seu amigo. Para a surpresa do Junior, o beijo foi bom, o arrancou do armário em grande estilo e o jogou nos braços do seu primeiro namorado. “Na rua onde eu moro, ninguém sabe que tenho essa orientação. Sou bem preservado. Jogo bola normalmente com meus amigos e eles nem sonham que também jogo queimada com as gays”.

Três histórias paralelas, que se cruzam na Belém, uma rua do bairro da cabanagem onde costumam jogar aos sábados pela tarde vários gays, bissexuais e travestis o esporte que pode ser considerado deles. “Eu não jogo futebol porque não vou jogar entre os meninos vestida de mulher, também não jogo com as meninas porque apesar de ser gay, eu tenho mais força que elas, por isso o meu esporte predileto é a queimada mesmo; é onde eu me sinto realmente bem”, conta Samantha.

Pelo caminho, muitas provocações e reviradas típicas de cabelos como resposta. Vindo de vários lugares, elas se encontram. Inclusive, entre os gays, quase ninguém usa o artigo “o”, a não ser quando é pra chamar pelo nome de batismo, como por exemplo Diego, ou Eduardo. “Eu não gosto que me chamem de veado”, avisa Junior, que ao encontrar suas amigas as chama de bicha, veado, ou de nomes similares, dando a clara impressão de que, entre elas pode, e para muitos como Junior, somente entre elas também.

Inclusive, a dificuldade de definir o que é ele e o que é ela na queimada disputada por essas pessoas é algo que não deve servir de preocupação. O que convém ser “ele” e o que convém ser “ela” na sociedade tradicional, acabam diluindo-se numa realidade híbrida , uma mistura exótica (apenas para os tradicionalistas) de macho e fêmea, força e graça, certo e errado, que já não andam em separado, ou, mais ainda, jamais existiram para quem está ali, a beira da rua, contando quantas pessoas vão jogar, para dividir os times.

Eloi, que vive jogando em times por aí, em torneios amadores realizados por associações de moradores ou entidades de classe, avalia a aglutinação de cerca de vinte pessoas pra jogar é pouca. “É bacana quando vem mais gente, o jogo fica mais emocionante”, acredita ele. Rapidamente os times se dividem. “Ah, eu não vou jogar não. Tem muita gente forte lá, eu tenho medo de me machucar”, confessa Samantha, se posicionando na calçada pra assistir o jogo que começa.

A PENETRAÇÃO SOCIAL

A queimada é muito utilizada para recreação escolar. Nesse caso, é geralmente disposto com meninas de um lado e meninos do outro. Entre crianças, é muito comum haverem times mesclados também, seja brincando nas ruas ou nas escolas. O local do jogo é um espaço retangular que é dividido com uma linha ao meio para dividir os dois times. Outras duas linhas ficam ao fundo dos dois times; a partir desses limites, ficam aqueles jogadores que foram acertados pela bola sem conseguir segura-la, ou seja, que foram mortos. Assim, atrás do time A, ficam os mortos do time B, e vice-versa. Esse local é chamado de cemitério (daí o nome dado por muitos a este esporte).

O objetivo do jogo, é eliminar (matar) todos os jogadores do outro time. E a estratégia básica do jogo é a combinação da bola de quem ainda não morreu com os mortos no cemitério, e entre estes, os vivos do time adversário ficam encurralados, só podendo recuperar a bola aparando-a, ou quando a bola fica em seu respectivo campo, geralmente quando se morre alguém.

Mas a partir de uma certa idade, a força masculina das graciosas jogadoras gays acaba os distanciando dessa linha Unissex. E além de recreação, o joga acaba demonstrando a força que o esporte já demonstrou em outras modalidades, como o basquete nos Estados Unidos e o Futebol no Brasil em relação ao racismo, a força da inclusão social.

“As pessoas geralmente costumam xingar a gente quando não são acostumados a nos ver jogando. Mas em lugares em que costumamos brincar, isso não acontece.” Revela Eloi, que já viu pessoas chegarem ao extremo da intolerância ao jogar pedras nos homossexuais jogando. Ou seja, pelo exotismo ou pela força de resistir ali, o esporte acaba proporcionado um outro olhar das pessoas, que, se ainda não são de aceitação plena, ao menos não causam hematomas gratuitos e perversos. Samantha conta que há Bairros em que a própria comunidade promove torneios de queimada voltados para o público gay.

“Não vejo problema nenhum em vê-los aí. É um esporte como qualquer outro”, Conta o aposentado Francisco Rodrigues, 57, acostumado com os gritos e com as risadas de quem vive jogando queimada. Já a dona de casa Ivonéia, 27, tem sim algo contra a queimada, ela acha ridículo pessoas que ficam jogando esportes com bola no meio da rua. “Eu não me importo se é queimada, futebol ou Vôlei, eu temo é pela segurança das pessoas. Já pensou se uma bolada acerta a cabeça de alguém? Isso é um absurdo! Eles que vão para uma quadra ou para uma arena, na rua é que não deveriam jogar”, desabafa a moradora.

Um grupo de senhores, jogando baralho no pátio de uma residência próxima a quadra improvisada comentam aos risos que não tão nem aí para o que eles são ou deixam de ser. “É melhor estarem aí brincando do que por aí no mundo das drogas”, chega a comentar um deles. “Pra mim, eles não fedem nem cheiram. Eles ficando lá e eu aqui”, atesta o motorista Juvenal Sena, 45.

Já o gerente de lan house Fabio Pinto, 23, diz que até costuma jogar queimada com ‘elas’, muito embora seja heterossexual resolvido. “Eu só não estou jogando lá porque me machuquei esses dias. Eu tenho vários amigos gays, e tenho muito orgulho deles, são muito esforçados e companheiros”, declara.

O jogo de queimada acontece ao lado de um jogo tradicional de travinha, ou seja, um jogo de futebol geralmente jogado em ruas ou em lugares de pequeno porte em que se colocam duas traves pequenas, geralmente pedras ou sandalhas. Um esporte que se convenciona a se chamar de normal. Lado a lado, ninguém briga com ninguém. Futebol e queimada, heterossexuais e homossexuais coexistindo pacificamente sem que ninguém se quer repare nisto. Para eles, o normal é a tolerância, a mesma rua que pode ser dividida entre várias bandeiras, cores, classes e amores, sem que a face do ódio pelo diferente seja revelada, porque ali, muito graças ao esporte o diferente já é normal.

Inclusive, o clima pacífico no fim da tarde na Cabanagem, um dos bairros mais violentos de Belém, não é graças a igualdade, ao contrário, acontece sim pela aceitação das diferenças. Por exemplo, é diferente a quantidade de pessoas que assistem a travinha e a queimada: na queimada tem muito mais gente, e muito mais gente de todo tipo, inclusive. Os poucos que assistem a travinha são todos heterossexuais, mas a enorme platéia diante das gladiadoras da queimada, são coloridos como a bandeira do orgulho LGBT.

O JOGO – A CORAGEM DE DAR A CARA À BOLADA

A bola de queimada é uma bola de futebol mais seca. “A bola ideal pra jogar é a bola ‘dente de leite’”, revela Diego, sem dúvida a jogadora que mais se destaca na partida. Partida aliás, que é recheada de emoção e imagens impressionantes. Por ser mais seca do que o normal, a bola de queimada, literalmente queima ao entrar em contato com a pele a uma enorme velocidade. A graciosidade com que correm os gays com a bola, a forma quase doce com que arremessam a pelota, contrastam com a violência com que atinge o corpo do adversário. Aquele objeto redondo nas mãos do jogador, correndo graciosamente, com o rosto fechado e ameaçador, é uma bola, mas ao ser arremessada, parece mais uma bola de canhão, um projétil, que é encarada de frente por quem é o alvo com o mesmo semblante de coragem.

Geralmente quando se joga na rua, não há regras definidas, não há espaço definido, ou seja, é quando o jogo é “do mal”. Isso torna o jogo ainda mais impressionante. Pois, jogando a bola do campo normal ao cemitério, o time dividido em duas extremidades vai se aproximando, esmagando o time adversário até o ponto em que, fatalmente, o jogador que ataca fica a poucos metros de quem é atacado.

A bola é arremessada fortemente contra o corpo do adversário, que, com muita técnica e coragem, não só deixam-se atingir, como também, muitas vezes aparam a bola de forma impressionante, e jogam de volta contra o corpo do adversário. Ao contrário do que estabelecem muitos professores de Educação Física nas escolas, quando a bolada na cara não só é permitida, aqui parece que o rosto é o principal, se não o único alvo. Mas acertar bolada na cara não é a jogada mais bonita, a jogada mais bonita é quando um vai jogando no outro, aproximando-se, até que, bem próximos, aquele que certamente seria morto consegue aparar a bola que vai em direção ao rosto a queima roupa(“O quê, bicha?”), e a devolve contra o corpo do adversário. É como se fosse um gol de placa depois de um rally do Vôley.

“Não existe um jogador que se destaque muito dos outros em Belém, mas existe um bairro que é muito respeitado que é o da Pedreira; nenhum time ganha mais campeonatos que eles”, revela Eloi, que não vê possibilidade de um dia a queimada tornar-se um esporte profissional. “O preconceito da sociedade barra essa possibilidade, mas a gente nem liga”.

“Existe o Grupo de Homossexuais do Pará (GHP) que sempre promove campeonatos de queimada, e é uma das missões do movimento conseguir um dia profissionalizar esse esporte”, revela Junior, que graças a contatos com pessoas ligadas a movimentos sociais da causa gay conseguiu adquirir uma maior auto estima para ser plenamente o que sempre foi.

Fosse profissional, o cabeleireiro Diego Frison, 20, morador do distrito de Icoaraci seria certamente um dos destaques do certame. “É preciso ter coragem para jogar. O segredo é posicionar a mão corretamente para aparar a bolada, e precisão na hora de jogar”, conta o craque, que vê em pé de igualdade com ele mesmo o Robson da Pedreira.

“Quando há jogos de campeonato, sempre há casa cheia; tenho certeza que se um dia esse esporte fosse profissional iria gerar muito lucro, porque a dinâmica do jogo em si, e o estilo das jogadores são bastante atraentes”, analisa Samantha, que certamente seria uma das musas do esporte caso isso um dia fosse possível.

A homossexualidade, no melhor sentido que possa ser concebida, é revelada a cada detalhe do jogo. “Ao contrário do que dizem as pessoas, o gay não é só aquele que transa com pessoas do mesmo sexo, existe todo um universo particular que é muito mais profundo do que somente o sexo em si; olhar o gay apenas pelo sexo que ele pratica, é uma visão homofóbica”, revela Eduardo Soares, 25, militante da causa gay.

Os cabelos esvoaçantes, ao sabor do vento provocado pela corrida da bicha que corre, os músculos torneados incham, a jogadora se movimenta graciosamente num movimento de precisão. A bola parte na direção certa, acertando o corpo da adversária provocando um estrondo assustador. A morta grita “Ai, veado, devagar”, “Quer moleza senta no pudim, bicha”, responde a matadora. E assim, um a um, os adversários vão morrendo até que não sobre mais nenhum. Aí, quando todas morrem, cada uma volta para o seu lugar,e o jogo recomeça. Até que chova ou anoiteça demais, quando todas vão para algum lugar juntas, beber vinho.

Assistir a queimada jogada por essas pessoas, é certeza de diversão e adrenalina. A combinação perfeita para qualquer esporte que queira ser bem sucedido. E a queimada em Belém é, pelo menos no ponto de vista da inclusão social. “O gay é o último a assumir o que todo mundo já sabe”, conta Eduardo, que vê nisso uma das maiores importâncias da queimada: Um espaço para que os homossexuais possam assumir o que são, sobretudo para eles mesmos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Futebol e Paixão


De todas as coisas que eu pensei em escrever neste espaço, futebol passeou entre as últimas, certamente. Mas eis que, em ano de copa do mundo,chega o momento em que senti vontade de escrever sobre o esporte que mais me intriga, emociona, e revolta. Eu, que sempre fui esportista, na atual fase sedentária de minha vida me dedico a apenas analisar, e é nessa condição, daquele que está mais no campo distante da teoria, que me dou o direito de apontar quem/o quê está no fogo.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer às meninas que me leem, sobretudo às que não entendem patavinas de futebol, que o esporte da "Copa do Mundo" hoje em dia é tão negócio quanto motel; e da mesma forma, pode ser tão verdadeiro quanto o orgasmo de uma prostituta. Existe no futbol moderno, um apego muito maior ao dinheiro e ao status quo do que a uma camisa de um time, o que nem sempre foi assim. Pelé, por exemplo, jogou quase toda a sua carreira no Santos Futebol Clube, um timasso que contava na época com grandes nomes do futebol brasileiro, mas efetivamente, o Santos não deixou Pelé rico. Comparar o que Pelé ganhou de salário no Santos com o que o Ronaldo (gordo) Fenômeno já ganhou (só de salário) é quase uma piada, assim como é de fazer rir comparar o futebol desses dois jogadores.

Desde a crônica esportiva, até as torcidas organizadas, o futebol possui uma engrenagem de corrupção que mancham essa que é uma das maiores paixões dos brasileiros. Pessoas que enriqueceram ilicitamente comandando clubes, torcidas organizadas que conxavam com dirigentes para derrubar esse ou aquele atleta e assim gerar mais dividendos para serem desviados, juízes contratados pra roubar no apito, criminosos que usam clubes para fazer lavagem de dinheiro, deputados que são eleitos pra não fazerem nada no congresso só porque são dirigentes ou ex-jogadores de um time X ou Y, são algumas das peças dessa máquina de fazer dinheiro e poder a custa da paixão alheia.

O Brasil vai parar durante quase um mês durante a copa. Época ideal para encobrir certos pecados. A linguagem do futebol é como a de Platão, ou seja, pode ser remédio, veneno ou maquiagem. É remédio quando pessoas de bom senso assimilam toda a rivalidade que o futebol envolve como uma ferramenta de diversão acima de tudo, o que proporciona momentos de adrenalina e/ou felicidade únicos; é veneno quando se usa o esporte como desculpa pra externar a bestialidade humana, como no caso em que torcedores matam ou espancam uns aos outros por conta das cores diferentes das camisas, por exemplo; e é maquiagem quando utilizam o futebol como instrumento de "panosquentização" da realidade, como aconteceu no caso do mensalão em 2006, quando as pessoas passaram a se preocupar muito mais com a derrota da seleção diante da França do que milhões do contribuinte nas cuecas cheirosas de parlamentares.

Enfim, o futebol independentemente do conhecimento técnico que se tem sobre ele, representa para todos/as nós uma espécie de patrimônio, algo que deve ser zelado. Mas infelizmente, o futebol é vítima das grandes mazelas que atingem o povo brasileiro: a corrupção, o egoísmo e a alienação. Por trás daqueles jogadores que entrarão em campo pela seleção brasileira em Junho existe uma paixão que alimenta muitas almas nesse país. Paixão essa que, no geral, arrebata corações e aprisiona mentes.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Canalha - Caça 2


Mulher de amigo meu...

O canalha dessa vez ataca pela internet. Conversando com a namorada de um amigo, ele vai contando piadas e fazendo gracejos para a moça, e quanto mais ela não oferece resistência, mais ele vai aumentando o tom de sacanagem em suas piadas. Faz isso até perceber que ela não se ofende com o tesão que ele sente por ela, ao contrário, ela demonstra gostar das investidas, embora jamais abra a guarda ou cogite a possibilidade de concretizar a safadeza. Até que o canalha a chama para sair, mas ela resiste.

- Você tem medo de ter vontade?

- Claro que não.

- Então pronto. Já que você não tem o menor tesão por mim, não há risco de acontecer qualquer coisa, afinal, eu jamais vou fazer contigo algo que tu não queira.

- Mas se é assim, por que você quer sair comigo?

- Porque eu gosto de conversar contigo, mas essa conversa só pelo MSN não ta mais dando. Eu tenho certeza que podemos nos divertir muito juntos.

- Disso eu não tenho dúvida, mas...

- Então está feito. Pra onde nós vamos?

- Ah, sugere aí.

- Te dou duas opções, ou cinema ou motel. Cinema porque eu to afim de assistir um filme, e seria ótimo fazer isso bem acompanhado. Motel porque é a melhor forma de conversarmos em um local sem que sejamos visto por alguém que conhece o teu namorado,além de estarmos num local que não chove, e em Belém isso é uma necessidade porque todo dia chove.

- E qual local você prefere?

- Motel.

- Então ta. Mas não quero ver qualquer gracinha. Vamos lá pra COM-VER-SAR; que fique bem claro.

- Mas é claro que vamos A-PE-NAS conversar.

Chegando ao local marcado, ela já estava inquieta. Ele observa de longe toda a agonia dela. Ela ensaia ligar pelo menos umas três vezes, mas resiste. “Não quer demonstrar que tá ansiosa, né?”, pensa ele, que só aparece em frente a ela após quase meia hora de atraso, quando ela já ensaiava ir embora. Antes que ela reclame, ele vai logo dizendo que não dá pra esperar muito tempo ali naquele lugar, porque alguém poderia vê-los juntos e vai logo jogando ela pra dentro do taxi. Os dois vão calados na viagem. Ela bastante emburrada, e ele fazendo o maior esforço do mundo pra não demonstrar qualquer sentimento diferente de tranqüilidade. Os dois entram no motel. Calados. Ele espera o taxi ir embora pra fechar a cortina, ela o espera no quarto, doida pra brigar. Ele quase pode farejar o ódio dela no ar, a vontade que ela está de dizer a ele poucas e boas. Ele gosta disso, porque sabe que pra um conquistador, qualquer sentimento que não for a indiferença interessa.

Ele entra no quarto. Ela se prepara pra reclamar. Antes que ela diga alguma coisa ele se joga em cima dela. “ei, nós viemos aqui só conversar”, avisa ela. Ele olha bem nos olhos dela, e a penetra com o olhar, de uma forma que a intimida sem deixá-la com medo. O olhar dele a rasga no meio, e a desarma. Na verdade, dura apenas alguns segundos o intervalo entre a reclamação dela e o olhar dele. Ela hesita.Era tudo o que ele queria. Ele a beija sabendo da responsabilidade daquele beijo. Ela jamais teve certeza se queria transar com ele ou não, e ele sabe que sua grande e última chance é o beijo. O beijo acontece. 1. 2. 3.20 segundos. Ele conseguiu. Porteira aberta, e a língua dele percorre as principais curvas do seu circuito. Ele atrasa a chegada no destino final o máximos que pode. “Sim, você veio com toda essa violência pra enrolar agora? Vamos, faz logo o que tem que fazer”, intima ela. Dessa vez ele obedece. Na verdade, antes ele a põe de quatro, depois obedece.

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Peço desculpa a todos e todas pela demora em postar algo novo, pois ando muuuuuito enrolado. Mas agora que já consegui regularizar minha vida, me aguardem, visinhos de sempre, que já já chego visitando todos/as com todo prazer novamente.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O que você quer ser quando crescer?

" Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
de nossos índios num leilão"
(R. Russo)
Estamos crescendo sim, destinando sete vezes mais de tudo o que produzimos para pagar a dívida externa (Obrigaaaaaaado JK, por começar tudo isso) e interna em relação ao que é destinado de fato para as pessoas que suaram pra produzir o tesouro. Estamos crescendo sim, sem fazer reforma agrária, sem reforma urbana, sem reforma tributária, sem reforma política, enfim, sem porra nem uma que garanta a distribuição dessa renda já escassa. Ainda que, pelo próprio motivo de eu estar escrevendo isso (O Brasil estar crescendo) não se possa afirmar que nada foi feito de bom nos últimos anos, tenho certeza que o Brasil pode sim dar exemplo ao mundo de como é possível crescer de forma sustentável, mas isso não será possível se o Estado Brasileiro continuar pondo os números na frente das pessoas.

O Brasil quer ser grande destinando apenas 5% do que arrecada para a saúde e 3% para a educação. Na prática a saúde e a educação já estão privatizadas. Então a coisa fica mais ou menos assim: Foda-se quem não tem dinheiro! Continuem desdentados, morrendo nas filas do SUS e burrinhos, dependentes das instalações sucateadas do governo. O PROUNI, por exemplo, em geral é um projeto de distribuição de canudos, que joga os alunos de baixa renda em instituições sem projetos de pesquisa ou extensão, ou seja, pessoas que vão fazer um curso técnico com nível superior; o governo deveria direcionar esse recurso pra criar mais vagas nas universidades federais, que mesmo cambaleantes, ainda conseguem a duras penas produzir conhecimento para esse país. Isso sem falar de Belo Monte e toda a política ambiental rendida aos interesses predatórios, como se já não bastasse tudo o que os países desenvolvidos já fizeram contra a natureza.

O Brasil está crescendo. Pisando degrau por degrau. O problema disso é que infelizmente grande parte da massa que compõe esses degraus é formada por pessoas excluídas, e corremos o risco de cometer os mesmos erros que o mundo cometeu até chegarmos ao caos em que vivemos, com tanta miséria distribuída, tanta riqueza concentrada e tanto geocídio cometido. Se continuarmos adotando o modelo de desenvolvimento atual, seremos grandes sim, de fato, um gigante deformado que trará marcas de opressão em sua pele, manchas de sangue em sua fronte e o semblante de quem construiu a torre da felicidade sobre a areia. Eu não quero ser isso quando crescer.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Igreja como ela é - Ele sempre atrasa

Baseado na obra de Nelson Rodrigues, conto aqui histórias que deveriam ser mentirosas, mas não são.

Ele sempre atrasa
05h00m – Hora de quem chega tarde ainda estar dormindo e de quem acorda cedo ainda estar deitado. Nessa hora ele chegou em frente a casa dela, e como de costume abre o portão que o aguardava entreaberto. Ele entra sorrateiro, qual uma brisa conveniente. Vai direto ao banheiro, mas não sem antes olhar para ela na cama. “Como é linda”, pensava ele enquanto percebia que estava parado ali tempo demais. E tempo, para eles, era de fato um problema.

Após o banho, ele parou ao lado dela, e enquanto levantava o lençol desde os pés formosos da moça, ele ia deslizando suas mãos grossas sobre a pele morena e macia dela. Com as mãos, ele saboreava cada curva de sua amada, e com os olhos, ele enxergava revelar-se pouco a pouco a lingerie, quase transparente, dessas que revelam parte das portas do céu. O tipo de calcinha que provoca um sentimento conflitante: Contemplar ou arrancar? Ela, enquanto isso, demonstrava satisfação com tudo aquilo soltando sorrisos, mesmo com as pálpebras cerradas, ela quase podia ver os lábios grossos dele envolvendo seu seio, além de sentir aquela barba de homem roçando em sua pele sensível.

Quando ela abriu os olhos, famintos, percebeu que os dele já a devoravam diante mão. A fome era tanta, que ele apenas arredou a calcinha, com quase nada de delicadeza e penetrou, fitando os olhos da morena. Enquanto ela se aninhava sob ele, soltando gemidos que quase sempre o faziam gozar antes do que esperavam, ele erguia ao máximo os braços dela e a arreganhava tanto quanto era possível. Aquilo dava a ele um sentimento de posse. A ela, dava a certeza de estar embaixo do seu macho dominante.

06h00m – “Eu preciso voltar”, lamentou ele. Ela sempre ensaiava contestar quando essa hora chegava, mas era melhor tê-lo daquela forma do que simplesmente perdê-lo. Antes de ir, ele sempre voltava correndo da porta e pulava sobre ela ao menos umas três vezes antes de partir de vez. "Você é a mais bela flor de um jardim que eu nem chego a ser” , era uma das coisas que ele sempre costumava sussurrar ao ouvido da bela mulher antes de finalmente ir. “Tchau, Padre”, sempre falava ela na derradeira despedida. No início, ele reclamava daquilo, mas depois percebeu que para ele em nem um lugar havia mais verdade do que naquele ninho de amor, e passou a gostar de ser chamado assim.

07h15m – A missa estava atrasada. O Padre, muito suado, chegava sem falar com quase ninguém, passando direto para a sacristia vestir sua estola. "Esse padre anda muito cansado, comentava uma. “É, e ele sempre chega atrasado nas quartas e sextas”, Comentava outra. Venenos despejados, "todos de pé para o canto de entrada", anunciava o comentarista...
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Para saber mais da Igreja como ela é, clique aqui

terça-feira, 20 de abril de 2010

Formspring.me

Ele e A AMANTE.

- Você me quer?- Só enquato estou respirando.- Então por que não estamos jutos?- Pelo mesmo motivo que nem sempre a lagarta se torna borboleta.- Porque não depede só dela, né?- Ifelizmete você está certa.Nosso amor não passa de um casulo frágil que só poderia sobreviver escondido de tdos. E nós dois sabemos que é impossível escodê-lo por muito tempo.- É isso o que você quer? Viver escondido e sem coragem de assumir por medo de um dia alçar o mais belo dos voos?- Miha querida, tudo o que eu mais quero nessa vida é vista por você mesma todas as vezes que se olha o espelho.- Então por que simplesmente não vivemos isso?- Porque simplesmente não é possível.- Acha que eu não valho a pena?- ...- Por quê?- Não sei ao certo.- Não sabe ao certo o quê?- Não sei ao certo sobre nada. Até mesmo a menor distância entre dois pontos, segundo um amigo meu matemárico, não é uma reta, nem tão pouco 2 + 2 são exatamente quatro, segundo ele mesmo. As incertezas da vida e mais ainda de nossa relação me deixam confuso demais. Eu simplesmente não sei o que fazer.- Você me ama?- Se você ainda me pergunta uma coisa dessas depois de todo esse tempo, é porque nada do que eu fiz até hoje provou o meu amor por você.- Você não me ama.- Isso ainda é uma pergunta?- Minha única dúvida agora é saber por que demorei tanto tempo pra entender que estava apaixonada por alguém disfarçado de homem.Você não passa de um monte de palavras bonitas encobrindo um menino tolinho e metido a esperto. Adeus.- ???- .

sábado, 17 de abril de 2010

O Canalha - Caça 1


A Concorrência Feminina

O Canalha ia sair com os amigos. Ia toda a galera, mas entre todos uma chamou a atenção dele. Era uma mulher de aparência madura, sorriso estonteante, corpo magro, digno de suscitar a pesquisa do Canalha. Como de praxe, antes de qualquer investida o nosso canalha investiga quem é sua próxima caça. descobriu que se tratava de uma recém-separada. O marido foi pego com outra por ela, e estava a praticamente três meses "sobrevivendo" apenas das recaídas com o ex. "Muito interessante", pensou ele.

Foram todos para a festa que seria em uma praça pública, com muita gente e muita bagunça. No caminho, o canalha começou a fazer brincadeiras com todos, mas sempre mirando na novata. Cuidou para sentar exatamente ao lado dela no coletivo e reparou que ela não demonstrou qualquer desconforto por isso (+ 1 ponto). Ele sabia que tudo indicava que uma mulher madura e recém separada que ia pela primeira vez a uma festa em anos como solteira não iria querer passar em branco. Tudo dependia da forma como ele fosse chegar, pois ela parecia do tipo que se importa com bote certo. Ele precisava esperar o momento exato - e que não aparecesse outro melhor, lógico.

Chegando na praça é a hora da coleta para as bebidas. Todo mundo puxando a fauna brasileira das carteiras e nosso canalha puxa..., bem, só haviam duas tartarugas marinhas na carteia de nosso Canalha (- 100 pontos), e ela, machista que era - sim, do tipo que ficava em casa pro marido trabalhar e tudo - fez logo questão de tirar um sarro do óbvio pretendente. Qualquer um ficaria desolado com uma coisa dessas, mas o nosso canalha conhece todos os clichês que compoem uma conquista.

Ele ficou mais um tempo por lá, todos começaram a beber e curtir a música quando ele atendeu o celular. "O quê?! Onde você tá, gatinha? Onde?! Ah! Beleza então, espera aí que eu já vou", gritava ele ao telefone. Pedindo licensa aos demais, o camarada aproveitou pra dar uma volta imensa na praça. Nem uma menina se quer olhou pra ele, muito menos havia de fato alguém que ele fosse encontrar. Tudo fingimento. Hora, a fama de canalha salafrário deveria servir pra alguma coisa afinal. Depois de um tempo ele reencontrou o grupo. Pra sua surpresa só estavam alguns.

- Onde estão os outros?
- Foram atrás de ti.
- A novata foi também?
- Foi ela que propôs.

Beleza. A coisa tinha saído melhor do que ele esperava (+ 150 pontos). Quando chegaram os caçadores de canalha, a novata já o estava tratando até melhor do que antes do episódio da coleta. Isso posto, o álcool em sua mente e tudo o que havia acontecido não lhe davam mais paciência. Na primeira música mais ou menos lenta, ele a puxou com uma certa força, abraçou a mulher por trás e tratou de ficar bem encostado.

- Eu queria te avisar que esse volume não é meu celular. Falou ao ouvido dela. Ela riu.
- Você tem certeza? Olha que eu acho que é.
- Bom, digamos que tem uma forma de você descobrir, e eu adoraria que você tentasse.
- Você não tem medo de apanhar não, menino?
- Desde que seja no local e hora adequados e o mais rápido possível...
- O que você está fazendo?
- Dançando. Você não sabia que essa dança é assim, abaixando e levantando?
- Você está é se esfregando em mim.
- Fala que você não tá gostando...

Ela se inclinou um pouco pra bater nele ou resmungar algo do tipo "pára com isso", ou "você não presta mesmo", mas ele não tinha mais paciência e a beijou de uma vez. Ela se debateu no começo, mas logo ajeitou seu corpo enquanto era beijada, e a sensação que ele tinha era que ela levitava em seus braços. Depois aconteceram mais algumas coisas que sempre acontecem quando um homem tem uma boa pegada e a mulher, que quase nunca admite, adora isso. Mas isso, para o canalha, não é o mais importante. O importante mesmo, é saber que ele conquistou mais uma.
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Imagem: 2bp.blogspot.com

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fui assaltado

Ontem aconteceu comigo o que acontece a todos os que andam em ruas ou vielas totalmente soturnas e desprovidas das falsidades e doçuras de transeuntes normais dando o ar de sua graça a excessão de ladrões, estupradores ou outras personagens dessas, tão comuns ao nosso cotidiano repleto de caos e orgasmos: fui assaltado! Conto isto com este estilo fresco porque o evento em si teve requintes de cordialidade inglesa, um evento irônico à brasileira.

Quando chegava da faculdade às 23h30m, vi as duas figuras se aproximando lentamente, um levando o outro na bicicleta - típica formação de assalto. Quando percebi o perigo, olhei automaticamente para o bar que costuma estar aberto todos os dias. Fechado. Depois olhei para o outro bar que também costuma ficar sempre aberto. Fechado também. Depois só ouvi um convite muito cortês para que eu não me desse ao trabalho de correr e que desse de uma vez o celular que eu certamente teria em um dos bolsos. Eu entreguei com uma pitada de esperança de que ele só levaria aquele. Mas, pro meu azar, eles eram bons profissionais. O que fingia ter uma arma de verdade ficou mais afastado. Eu, fingindo que acreditava na arma real mas não querendo provar minha tese, também parado e completamente solícito às ordens de meus interlocutores.

Depois de ser devidamente baculejado, o cara que cumpre a missão de apalpar os outros levou meus dois celulares e minha carteira. Tudo aconteceu suavemente, sem gritos ou ameaças do tipo "não me encara não!", "se tu ligar pra polícia eu vou atrás da tua família e mato" como já ouvi em outros momentos do tipo. Tanto foi, que me dei ao luxo de pedir que encarecidamente levasse apenas o trocado que estava na carteira e me devolvesse a mesma. Pra minha surpresa, o cara não só pegou apenas o dinheiro, como arrumou meu vale digital e meus cartões num só lado - mais organizado que eu o cara - e voltou de onde estava e me entregou na mão a carteira. A impressão que eu tinha era que o cara ia me abraçar, beijar meu rosto e dizer "precisando é só chamar", tamanha a educação do rapaz.

Me deu vontade de dizer que trabalho exatamente com jovens e parte do meu estudo dedica-se a combater o extermínio de jovens como eles que, frutos de um processo de exclusão social acabam sendo não só os maiores promotores da violência como, principalmente, as principais vítimas. Poderia dizer que o que teria a oferecer a eles poderia ser muito mais interessante à medida em que o caminho em que estaão certamente ruma para:
1- Um presídio repleto em sua maioria por jovens de sua faixa etária, sexo, cor e classe social
2- Para uma vala comum após serem exterminados ou pelo traficante para o qual certamente levariam o "apurado" da noite ou pela PM que certamente não estava fazendo ronda onde eu estava dando meus bens aos "donos" por estar muito ocupada recebendo a propina devida.

Não falei nada por motivos óbvios (tava me cagando de medo), mas posso dizer hoje tranquila e sinceramente que o fato não mudou minha fé que a juventude das periferias são mais do que isso, e que mesmo estes meninos podem ter um projeto de vida melhor do que comer grama pela raiz ou ver o sol nascer quadrado. Amém!


terça-feira, 13 de abril de 2010

Espertezas do/a brasileiro/a


- Ser multado por não usar cinto de segurança e ainda reclamar disso.

- Nadar no próprio lixo atirado às ruas.

- Reclamar que todo político é corrupto enquanto fura a fila do banco.

- Vender o voto por dez reais enquanto pisa na lama.

- Pisar nas fezes que o próprio cão deixou na calçada.

- Dono de madeireira clandestina reclamar de calor.

- Marido safado ter crise de ciumes.

- Não ir na hora marcada porque ninguém vai.

- Ir à farmácia cedo da manhã porque bebeu no dia anterior pra esquecer os problemas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Crise Existencial - O fundo do poço e o espelho!


Espelho: Por que você está aqui?

Eu: Também gostaria de saber.

Espelho: Nossa, mas que cara horrível! Você não deveria estar aqui, deveria estar lá com eles.

Eu: Eu até tento, sabe, mas a impressão que tenho é que jamais saberei o caminho correto de lá... os labirintos alheios são aterradores.

Espelho: Tem horas que não reconheço você.

Eu:Tem horas que você me assusta mais do que eles.

Espelho: Engraçado você. Sempre com a postura de um homem seguro de si, senhor de todas as coisas. Duvido que deixe as outras pessoas te enxergarem como eu te vejo. Um ser que no fundo morre de medo de tudo, que só sapateia após conferir cada centímetro do tablado, e provavelmente já perdeu ótinas valsas por isso.

Eu: Tem horas que você pega pesado demais.

Espelho: Vai fugir de mim também?

Eu: Mas era só o que me faltava! Por acaso está tentando alguma espécie de psicologia reversa? Quantas vezes eu tenho que te falar que conselhos óbvios me causam asco? Eu preciso desse momento diante de você pra conferir as rugas de minha alma. Preciso chorar, sim, pra não cometer o pecado de me sentir um Deus; preciso me achar feio, sim, pra enfeitar cada vez mais as labaredas de minha alma. Agora vê se não me enche mais o saco! E já vou indo, porque viver é bom demais pra perder meu precioso tempo me lamentando na tua frente.

Espelho susurrando: Pelo menos funcionou...

Eu: O quê?!

Espelho falando normalmente: Nada não, volte sempre.

sábado, 3 de abril de 2010

Via Sacra dos Cristos de agora


1ª Estação: Jesus é condenado a morrer na cruz.Nasce mais uma criança na ocupação “Fé em Deus”. Mais um filho da Mãe África vem ao mundo do racismo velado, chamado Brasil.

2ª Estação: Jesus toma sua cruz.Ainda criança, o menino deixa de ser criança. O menino é invisível até que o sinal feche e ele comece a importunar as pessoas nos carros pedindo esmolas.

3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez.A criança que nunca soube quem foi seu pai, perde sua mãe, que morre no parto de seu quinto irmão. A rua se torna sua morada.

4ª Estação: Maria acompanha Jesus no calvário.Numa das poucas noites em que consegue dormir aquecido, o menino sonha com sua mãe. Ele mal lembrava o rosto dela. Lágrimas salgadas lavam seus lábios.

5ª Estação: Cirineu ajuda Jesus a se levantar.O menino é contemplado num projeto social. Duas vezes por semana, ao menos, consegue almoçar e tomar banho nos alojamentos do projeto.

6ª Estação:Verônica enxuga o rosto de Jesus.No projeto, o menino se desentende com outro. As pessoas apartam a briga e os levam pra diretora do projeto. Ela os abraça. “Por que também não me expulsou?” Espanta-se.

7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez.O menino percebe que já perceberam antes dele que as meninas não o atraem. Agora além de macaquinho, o chamam de veado.

8ª Estação: Jesus cuida das mulheres.Uma pessoa com deficiência estava sendo humilhado por outros moleques. Ele se mete. Tira o rapaz de lá sob vaias, socos, cusparadas e xingamentos.

9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez.O menino, do jeito dele, percebe que nesse mundo só tem importância quem tem e não quem é. As drogas o fazem esquecer.

10ª Estação: Jesus é despido de suas vestes.Maior de idade, o menino que nunca teve um nome e sim alcunha, acaba indo preso por latrocínio. O nome que nunca teve torna-se imundo.

11ª Estação: Jesus é pregado na cruz.
Até chegar ao presídio, os policiais molestam o rapaz verbal e fisicamente. Antes de jogá-lo na cela, os policiais avisam os presos que ele é gay. "Violência e estupro do seu corpo"¹.

12ª Estação: Jesus morre na cruz.A cadeia. Imundice. Compactação de gente. Desumanidade. Revolta. Rebelião. Retaliação. Tiro. Menos um.

13ª Estação: Jesus é descido da cruz.Na universidade, chega o corpo de mais um indigente para ser observado na feira de ciências biológicas.

14ª Estação: Jesus é sepultado.Após ser observado na feira - que deixou algumas pessoas enjoadas -, o corpo foi enterrado no cemitério que fica na em qualquer lugar, esquina com lugar nenhum.

15ª Estação: Jesus ressuscita dos mortos.Pedro, o “aleijado” salvo por um rapaz negro e gay que levou porrada e cusparadas para fazê-lo, conseguiu ser acolhido por uma ONG que possibilitou seus estudos. Agora com mestrando em ciências sociais, Pedro batizou seu filho de Jonatans, o nome daquele herói que é sempre citado em sala de aula quando fala sobre solidariedade. Pedro espera, do fundo do coração, que Jonatans esteja num bom lugar.
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Imagem: Fonte na própria.
¹ Citação de Faroeste Caboclo, de Renato Russo.

terça-feira, 30 de março de 2010

Galos, Noites e Quintais - Aventura 2

MAS EU CORRI!
Éramos um equipe muito livre e muito unida na periferia de Belém onde eu cresci. Faziam pare da turma, Cotó, Barriga, Nu, Saymon , Djavan (esses dois últimos não tinham apelido), K.O., Rauto, e eu, Agô (apelido que ganhei de minha irmã, e como sou chamado por muita gente até hoje, mas outra hora eu explico melhor isso). Fazíamos tudo juntos, e graças também a eles vivi a melhor fase de minha vida. Em outro momento contarei histórias envolvendo toda a galera, hoje gostaria de focar no K.O. por tê-lo revisto após tanto tempo.

K.O. era uma espécie de pivete em recuperação. Praticamente só se entrosou conosco porque uma menina nova havia chegado à nossa rua. Andreza. Veio morar perto de nós com seus dois irmãos, Daniel e Marcelo, que logo entraram pra turma. Andreza foi a primeira paixão de todos, incluindo eu. Daniel e Marcelo, assim, passaram a ser paparicados por nós (naturalmente, né?). Éramos liderados por K.O. O mais forte, o que nunca perdia na porrada pra ninguém, e o que mais tinha chance com a Andreza, segundo os especialistas (pessoas mais velhas que interagiam conosco).

Por influência de K.O. todos nós passamos a flertar com as pichações. Para mim e para os demais era só mais uma brincadeira que não podíamos contar pra nossas mães. Simplesmente passamos a brincar de ter uma gangue. Passei por duas situações que me fizeram perceber como não levava jeito pra coisa. A primeira foi quando quase levo uma enorme pedrada na testa pela nossa brincadeira de apedrejar outras gangues, e a outra foi quando, sob influência dele, fomos pichar um muro de verdade. Foram quatro de nós, eu mais dois e o K.O. Eu fui o último. Quando estava terminando meu "serviço", olhei para um lado e vi os demais em plena carreira, quando olhei pro outro avistei o dono da casa violada abria o portão, pertinho de mim, bastante afoito.

Eu corri. Corri. Não sei como um asmático como eu conseguiu. MAS EU CORRI! Pra nossa "sorte", as pessoas que viram aquele bando de fedelhos correndo não tiveram coragem de nos parar. E pra minha em particular, o cara que corria atrás de nós não estava com bom preparo físico. Escapei de morrer espancado. Escapei de gostar daquilo também. Ainda bem que não deu certo, porque assim eu percebi de uma vez por todas: aquilo não era pra mim, pois não tinha coragem suficiente.

Andreza e família foram embora após um pouco mais de dois anos conosco. K.O. Quando ela se foi, ele voltou a ser pivete de fato. As vezes penso que se tivesse namorado com ela seu destino poderia ser diferente. Ele era órfão, criado pelo avô e a alguns dos seus tios eram presidiários. Talvez conosco ele viveu o período mais pacífico de sua vida. Quando eu o reencontrei recentemente ele acabara de sair do presídio, não sei se foragido ou em condicional. Quando o vi não senti medo, mas uma generosa dose de tristeza, logo substituída pela alegria que sempre sinto quando lembro da turma, com a qual não tenho mais contato regular.
A vida e seus caminhos ensopados de sentimentos conflitantes...
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Para quem quiser ler a primeira_aventura_...

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Igreja como ela é - O Pastor

Baseado na obra de Nelson Rodrigues, conto aqui histórias que deveriam ser mentirosas, mas não são.

O Pastor
Duas amigas no carro. Uma evangélica e outra que não acreditava em nada que não pudesse ver. O telefone desta última toca, a evangélica atende. Era o pastor, colega delas de classe.

- É o pastor.

- Não vou atender.

- Mas que coisa feia. Atende o pastor, pois se uma pessoa ocupada como está te ligando uma hora dessas, provavelmente deve ser uma coisa muito séria.

- Então faz o seguinte. Atende aí e põe no auto-falante. Mas fica calada.

A evangélica sem entender muito bem o que estaria acontecendo faz como a amiga pediu.

- Alô!

- Diga, pastor. O que deseja?

- É que eu estou com uma dor.

- Hum.

- É uma dor que está me incomodando muito e acho que você pode me ajudar.

- Ah, é? E onde é que dói?

- Na minha virilha. Aqui bem perto da minha cueca.

A evangélica arregala os olhos. E imediatamente a que ia dirigindo colocou o dedo indicador entre os lábios dela.

- Na virilha, é? Mas se a dor é perto da cueca eu posso acabar pegando em algo santo.

- Ah, mas se esse acidente acontecer eu posso relevar.

- E se eu gostar do que pegar na cueca e parar de fazer massagem na virilha e só ficar massageando o que há dentro da cueca?

- Acho que posso perdoar esse teu pecado também.

A evangélica dá um suspiro alto e agudo. Quase não acreditando que um dos principais pastores da sua igreja estivesse realmente falando aquilo. Ela olhou novamente o nome da pessoa que estava ligando. Ficou ouvindo bem atenta a voz. Era ele. Mas aquilo simplesmente não era possível. A amiga dela continuava.

- Olha, já que é pecado, então eu posso pecar direito?

- Eu aprendi que é pecado ainda maior não utilizar os dons que se tem.
- E esse pecado eu posso atender com minha boca molhada?

- Se você cometer esse pecado bem direitinho, acho que não tem problema nem um.

- E depois que eu pecar com minha boca, o que eu faço?

- Você deita e relaxa, que aí será a minha vez de pec[a evangélica desliga o telefone, quase que desesperadamente. Com o mesmo desespero começa a dar explicações].

- Pelo amor de Deus, agora não vá achando que todo pastor da igreja é ig[Foi você quem pediu pra eu atender]ual a...
- Eu jamais poderia imaginar que o past[Você não vive me dizendo que eu tenho que ir a Igreja? Acho que já sei em qual igreja vou me converter].

A evangélica engoliu a seco. Ficou calada até chegar ao seu destino. O telefone tocou mais algumas vezes. A que dirigia não quis mais atender. Só havia atendido porque assim como ela só acreditava em coisas que pudesse ver, gostava que as pessoas vissem o que realmente acreditavam.
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Para saber mais da Igreja como ela é, clique aqui

segunda-feira, 22 de março de 2010

Eleições 2010: ame seus predadores!


"Aqueles que não gostam de política

são dominados por aqueles que gostam"

(Frei Betto)

A ditadura da maioria impera em nosso sistema eleitoral. Chamado carinhosamene de democracia pelas elites de nosso país, o processo eleitoral até hoje não garantiu que o representante da maioria da população fizesse um governo de fato em favor dos oprimidos. Comemoram a "redemocratização" de nosso país, mas toda essa euforia é um lugar comum, pois a imbecilidade que impera no processo eleitoral brasileiro deixa muito claro que estamos muito longe de uma democracia de fato.

Há erca de cinco meses das eleições começamos a ver em toda parte pessoas e instituições repetindo o mesmo discurso: o voto é a maior arma do cidadão. Mas não é. De que adianta um cidadão ter direito ao voto se ele também não tem direito de conhecer tudo o que está por trás do processo? Quantas pessoas votam sem saber sequer quantas cadeiras de vereador o seu município disponibiliza? Quantas pessoas votaram nas últimas eleções na Helísa Helena (PSOL) e na mesma chapa votaram também em algum candidato a governador do PSDB e a senador do PT, por exemplo? Quantas pessoas votam pensando que as ideologias morreram com a queda do muro de Berlim? A maior arma do elitorado é o conhecimento do processo em vigor, arma da qual o povo brasileiro, especialmente os mais empobrecisos, são privados.

A campanha eleitoral continuará sendo idiota, voltada para pessoas "idiotizadas", para colocar no poder pessoas muito espertas. O sistema político brasileiro possui uma arquitetura maravilhosa de uma fortaleza projetada para impedir que o novo aconteça. Muda-se o verniz, mas as armas continuão voltadas contra nós, ainda que em governos como o atual, as migalhas que caiam "do céu" de forma mais generosa.

As eleições 2010 serão o auge de uma falsa polarização, na qual o mesmo projeto neoliberal será a enrabação o ponto em comum. Além disso, marcketeiros continuarão enriquecendo, militontos militantes continuarão esperando a teta pra mamar de boca aberta fazendo discurso de melhorias para o país ao eleitorado, etc., etc., etc... Apesar disso, não perdi as esperanças, juro!

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Fotos: Google.

terça-feira, 16 de março de 2010

um MEIO e não um FIM



É incrível a associação exagerada que as pessoas fazem entre casamento, família e dinheiro. Quando alguém fala em casamento, não pensam nem em terem casa, pensam em ter logo um apartamento de luxo antes de casar, um carro do ano. Para ter filhos então, parece um pecado mortal ter filhos sem que este não possa gozar necessariamente do luxo que os pais proporcionariam. As pessoas se preocupam muito mais com os custos da família do que com a própria família. Isso é um absurdo!

Não estou aqui fazendo qualquer apologia à pobreza, e também, como qualquer pessoa que não rasga dinheiro, entendo a importância do dinheiro como um MEIO para conseguirmos conquistar muitas coisas. Mas o dinheiro deve ser sempre um MEIO e não um FIM.

Um casal que se ama, supera junto qualquer adversidade. E se não superarem logo, terão um ao outro como suporte. Agora, se a vida do casal estiver baseada em valores efêmeros ou superficiais, como a riqueza e o luxo, obviamente o casamento estará alicerçado em areia com vigas de papel.

O mesmo vale para os filhos. Quem acostuma o filhos com luxo são os pais, e eu duvido que uma criança não prefira ter a atenção e o carinho dos pais modestos financeiramente a viverem uma vida de luxo sendo educados por babás e o Cartoon Network.
Não querem casar nem terem filhos, muito bem, mas não digam que a felicidade está a venda, porque ela não está. Ascender socialmente em família é muito mais saudável, inclusive para os filhos, que reconhecerão nos pais exemplos de superação. E uma criança que já calçou sapatos genéricos, valorizará muito mais os sapatos Nike que por ventura ganhará (isso se ela não chegar ao sublime ponto de nem ligar para marcas). E aos pais já agraciados com poder aquisitivo elevado, lembrem-se, as melhores coisas na vida familiar são grátis, como um abraço e um beijo. Não substituam essas coisas por mercadorias.

sábado, 13 de março de 2010

Mosaico de Eus em debate


Diante de situações conflitantes, os eus do meu mosaico existencial reúnem-se em uma espécie de confraria para debater o tema em questão. No caso, reuniram-se mais uma vez na noite de ontem após mais uma daqueles momentos que servem para peneirar as verdadeiras amizades e separá-las daqueles colegas que você jurava serem amigos de verdade, mas na hora de demonstrar isso, revelam uma face diferente. Diante da uma testemunha sempre fiel, o travesseiro, eis que começa o debate.

Eu mal humorado: - Eu gostaria de começar. Eu, que sempre fiz ótimas amizades com toas as pessoas com quem trabalhei em toda a minha vida, eu que nunca tive inimigos, nos últimos dois anos briguei mais e fiz mais inimizades do que em toda a minha vida. E a primeira vez também tenho tamanha decepção com pessoas a quem antes julgava amigas. Minha vontade agora é de abandonar tudo. Mandar todo mundo pra casa do caralho.

Eu auto-crítico: - Na verdade, antigamente eu não era assim tão reconhecido por um número relevante de pessoas. Acho que isso subiu a minha cabeça e agora estou colhendo os louros da mina arrogância.

Eu complacente: - Olha, se fosse esse o problema eu ficaria até mais tranquilo, mas o problema não é assim tão simples, creio. Existe muito mais coisas envolvidas nesse assunto. Quando eu erro, e esse erro é evidente, eu me sinto mal, mas pelo menos sei que eu, e apenas eu, tenho o poder para consertar as coisas, mas fui vítima de uma injustiça. Estou me sentindo isolado; eu que sempre procurei a solidão por opção, pela primeira vez em minha vida estou me sentindo aprisionado nela.

Eu sensato: - Eu já sei o que vou fazer. Vou me isolar de todos, porque não vejo mais motivo para continuar com pessoas que não me r[nesse momento o verdadeiro eu sensato liga]espeito...

Alguém liga o viva-voz e todos escutam a súplica do verdadeiro Eu sensato:

- Meus caros, eu nunca consigo chegar a tempo quando a situação está descontrolada. Por isso, peço encarecidamente que enquanto eu não conseguir chegar, vocês encerem o debate e não tomem qualquer decisão. E, principalmente, não ouçam esse Eu Sensato Fake que sempre tenta passar por mim nessas horas.

O Eu sensato foi aclamado presidente do Mosaico de Eus, e todos procuravam respeitá-lo na medida do possível. A sua proposta de não tomar nenhuma decisão foi aceita por todos, mas infelizmente o debate não pôde ser encerrado imediatamente. O travesseiro, testemunha fiel da maioria das confrarias do mosaico, nessa noite foi revirado de um canto ao outro. Sua função primeira de ajudar no sono não foi utilizada, e já que não podia dar concelhos, pelo menos ficou ao lado de todos até o fim, na alvorada.

A confraria seguiu então, com os eus do meu mosaico falando um a um, cada um mais preocupado que o outro, cada um mais machucado que o outro, até que o silêncio da noite se desfez, e o fim de semana sempre muito puxado tratou de interromper o debate, para o meu bem.

terça-feira, 9 de março de 2010

Semana (disque) da Mulher

Fazendo eco ao discurso do caríssimo Tom Zé, me declaro agora, não feminista, porque já sou do tempo em que feminismo é coisa do passado, e nem machista, porque sobre o macho já foi dito tudo pelo Village People; no entanto, me declaro um escravo das mulheres, com muito orgulho.

A mulher viveu milênios de segregação, e isso se deu até o ponto em que os músculos falavam mais alto do que a foça do pensamento, mas quando um tapa dada sem mão passou a doer muito mais, a mulher foi penetrando por trás dos homens, galgando seus espaços no seco. O homem geme, mas no fundo ele gosta desse terra, porque as mulheres inteligentes dão muito mais tesão aos homens. A maioria dos homens só pensa com a cabeça de baixo, por isso, mesmo as mulheres não muito inteligentes sabem exatamente como dominar a macharada.

Hoje em dia, mais do que nunca, as mulheres casam com os homens ricos e otários bem intencionados, mandam pra casa do caralho os maridos safados, ganham espaço na comunidade científica, religiosa e no mundo do trabalho, e, principalmente, exigem orgasmos múltiplos - antigamente, o homem praticamente ordenava que as mulheres abrissem as pernas, mas hoje em dia, ai daquele que goza antes da mulher.

Há quem diga que as mulheres estão se vingando, aproveitando-se exatamente das fraquezas dos homens que até bem pouco chamavam a mulher de sexo frágil. Há quem veja nisso um processo natural e/ou uma conquista política. Mas eu, tarado confesso, dispenso a metafísica e prefiro me declarar logo um escravo, e torcer para que mais e mais mulheres me usem como queiram.

O Arnaldo Antunes pensa como eu, pelo visto...



quarta-feira, 3 de março de 2010

Procuram-se respostas

Antes de começar a primeira postagem do mês de março, gostaria de expressar aqui minha felicidade em receber um selo da companheira de blosfera Tânia Meneghelli do blog De tudo fica um pouco. Pra mim foi uma honra. Valeu! Abaixo, segue mais uma paulinisse:
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Por que quando um gay quer xingar um heterrosexual ele o chama de veado?


Por que um cara que nasceu num estábulo e morreu pregado numa cruz serve tanto de motivação pra quem quer enrricar e viver uma vida sem problemas?


Se a Terra gira em torno do Sol, porque 365 dias por ano podemos observar o Cruzeiro do Sul?


Raciocinem comigo: Vento é ar em movimento. Na Lua não há ar, logo não há vento; então porque a bandeira de Nil Armstrong tremulou?


Se todo político é ladrão, por que o povo continua votando?


Por que os pais tem medo de que os filhos dos outros façam com suas filhas o que gostavam de fazer com as filhas alheias?


Por que os machos de plantão vivem dizendo que vão comer o cu dos outros, como se só fosse gay quem dá?


E se os filhos dos governantes dependessem do SUS?


Se quando o povo recebe o décimo terceiro salário a economia aquece, o mercado contrata e todo mundo sai ganhando, por que não aumentam o salário de uma vez?