- Pelo mesmo motivo que tu. Ou essa fala engasgada e esse olhar lacrimoso mentem?
- Eu vou casar com ele. Estou muito nervosa, com muito medo, mas nesse momento sei que farei a coisa certa. - Podes me pedir todo o cosmo que por mais que eu sue para catar de astro a astro eu ainda assim te entregaria sorrindo, mas não me peça para te dar força nisso. Eu te amo demais pra te prender, e seria realmente torturante saber que um inbecil sortudo teve a ousadia de te fazer infeliz, por isso, o meu desejo incondicional que sejas feliz permite-me dizer sinceramente que espero que dê certo, e nada mais que isso.
- Você sabe que desde que te conheci a incerteza é minha mucama, ainda que a escrava da dúvida não seja ninguém melhor do que eu. No baile da minha consciência dançam sem música alguma a felicidade e o desespero incessantemente, mas eu tive mesmo assim que fazer uma escolha...
- Sei que no fundo gostarias que eu fizesse como ele. Te batesse, chorasse, entrasse em desespero ou coisa assim, mas recomendo que desistas, se for o caso. No meu quintal jamais faltou cantoria de pássaros, mas jamais houve uma gaiola. Não sou da tua classe como ele, não sou tão lindo como ele, tua família não me aceita como aceita a ele, mas sei que o nosso problema, no fundo, não está com ele...
- Nós dois sabemos que eu sou uma covarde. - Não me entenda mal. Sei que cada um decifra o indecifrável de si mesmo. Ainda que concordasse que você é covarde, ainda assim não a condenaria. Se fazes isso é porque sente-se melhor dessa forma. Só uma pessoa muito imbecil pra discordar de sentimentos.
- Pensei em várias formas de desenhar, dançar, cantar ou até mesmo berrar o que vim te dizer aqui, mas não consegui achar forma melhor para dizer do que falar simplesmente que te amo.
- Eu sei, apesar de tudo, que me amas. Eu também te amo de uma forma que Paulo ficaria feliz de ver, pois meu amor por ti tudo suporta, nada inveja e nada toma de assalto para si. Mas nada disso me impede de chorar.
- Você é a melhor pessoa que um dia eu já tive. Vou viver esse momento com outro, porque no labirinto da vida esse é o melhor caminho que encontrei para a felicidade. Não tenho realmente forças para suportar a felicidade e a angústia que seria ficar contigo. Se é minha covardia que é gigante ou meu amor que não é tão imenso assim ou ainda que meu amor por ele é maior, penso que só poderei descobrir vivendo, dando um passo de cada vez. - Existe algum final melhor do que tchau para isso? Pois não suporto mais falar sobre isso em voz alta. Já não basta o que ficarei falando comigo mesmo no silêncio de minhas insônias vindouras...
Quando era criança, lembro de ter visto o filme do Dumbo, um elefante que tinha as orelhas tão grandes que com elas podia voar. O filme mostra que alguns corvos percebem que aquele defeito (orelhas enormes) do elefantinho poderia tornar-se em uma grande virtude, mas não conseguiam convencer o animal depressivo disso. Para tanto, os corvos deram uma pena qualquer para o Dumbo, e convenceram-no de que aquela pena tinha poderes mágicos, e com ela ele poderia voar, bastando que ele batesse as enormes orelhas como asas. Funcionou. O elefante aprendeu a voar acreditando no poder da pena. Mas na hora da apresentação ao público da façanha, o elefante perdeu a pena, daí os corvos tiveram que convencerem-no de que a pena era uma mentira, e que na verdade o elefante voava porque simplesmente tinha essa capacidade. E com muito custo conseguiram, inclusive.
Para mim, essa história é o arquétipo das religiões, que utilizam simbologias para convencer os fiéis a fazerem o bem. Na verdade, gostaria de associar a estória do Dumbo ao processo de amadurecimento na fé. Pois, pergunto eu, como já perguntei antes aqui inclusive: Se inventássemos uma máquina do tempo para voltarmos dois mil anos atrás e descobríssemos que Jesus não ressuscitou ao terceiro dia e nem fez todos aqueles milagres tal como a Bíblia diz, será que ainda restariam muitos cristãos na face da terra? Provavelmente não.
Os corvos poderiam arranjar qualquer pena e dar ao Dumbo, e com isso continuar enrolando o "cara". Mas não. Preferiram revelar a verdade num gesto de amor. Entretanto, as religiões quase nunca fazem isso. Elas se apegam (e fazem apegar) mais à pena do que com a superação pessoal e social dos fiéis. A pena, ao invés de ser instrumento de um vôo libertador então acaba sendo um instrumento de dominação, segregação, e, por que não dizer, de burrificação. Toda fé que não amadurece ao ponto de perceber que a pena é uma mentira (bem intencionada ou não) é uma fé burrificada, superficial e demasiadamente apegada à instalação hidráulica em detrimento da água.
Um pastor que admiro muito (Carlos da Igreja Metodista) certa feita disse que a maior descoberta da vida dele foi perceber que Deus não é cristão. Está certo ele. Deus não é cristão, não é islâmico, não é hindú, etc. As religiões são dispensáveis. Deus não é, se for um Deus que até usa a estratégia da pena, mas que no fim contribui para que seu amigo (isso mesmo) voe por si só, mas não para si só, que seja verdadeiro e lute pelo que é verdadeiro, que tenha fé mas não renegue a inteligência. Se na tua igreja não te disseram que Adão e Eva e toda a bíblia são metáforas da vida e não A VERDADE ABSOLUTA, por exemplo, desconfie. Podem estar querendo que tu fiques dependente da pena, pra que na verdade tu fiques na mão de corvos malvados.
Baseado na obra de Nelson Rodrigues, conto aqui histórias que deveriam ser mentirosas, mas não são.
RESTAURAÇÃO DA FAMÍLIA
Periferia de Belém. Mais do que o casamento, a fiel cristã evangélica não aguentava mais carregar todo o peso do lar em suas costas. O marido bêbado e desempregado e os três filhos que teve com o alcoólatra crescendo e necessitando não só de alguma coisa pra comer e vestir, mas principalmente de uma estrutura pra mais tarde poderem usar aquele velho clichê com sinceridade em relação a família ser a base de tudo e tal. Tudo isso fez com que a fiel procurasse ajuda do pastor que pregava coisas tão emocionantes aos sábados em que ela conseguia ir à igreja carregando sua prole consigo.
Ela começou a fazer o tratamento espiritual sempre indo só à casa do Pastor que ficava num bairro distante dali. Ia lá porque a capela estava ainda em construção, e no lugarejo em que morava não havia espaço apropriado para uma conversa e uma experiência de oração tão sensível como a que estava posta. Para conseguir participar, ela deixava os moleques na casa da mãe. Enquanto o marido estava numa sarjeta qualquer tomando todas ela estava orando junto com o Pastor na casa dele, orando, chorando ou ambas as coisas (na maioria das vezes).
Mas, sem qualquer motivo e imersos a muita culpa, os interesses dela passaram a mudar à medida em que o tratamento ia ganhando contornos de intimidade. Em seus pensamentos, pelo menos, a partir da terceira sessão já não se tinha a real medida de quando começava a fiel e terminava a infiel. Os olhares deles, mais do que qualquer palavra, passaram a se cruzar. No início, cada um se perguntava "será?". Mas logo cada um se perguntava "será que alguém viu?".
Depois de dois meses de tratamento, a palavra "restauração familiar" não era mais discutida entre eles. Na verdade, nem ao trabalho de orar eles se davam. Quando não estavam transando com aquele misto de prazer e pecado que só aumentava a intensidade do orgasmo que tinham, estavam discutindo como sair do armário.
O pastor saiu daquele bairro. Ela saiu daquele casamento. A fiel voltou a ser fiel. E ao interior que foi, o pastor continuava pregando a indissolubilidade radical do casamento. As vezes até usava um daqueles três filhos que ganhou em sua família pré-moldada como exemplo da necessidade do matrimônio sólido, conforme diz a Bíblia. Amém!
Hoje o "Eraldo e suas paulinisses" completa exatamente um ano. Como presente, apresento o texto mais difícil que já escrevi em todo esse ano. Ensaiei escrever sobre isso mais de dez vezes, mas jamais consegui, pois eu poderia não estar aqui hoje, já cogitaram me abortar, e, além disso, sei que toco aqui em assuntos que sensibilizam a todos: Criança e Mãe. Tentando "sentir com inteligência e pensar com emoção" (Letra de Gessinger) escrevi o presente... Vamos ao debate:
Sou católico, mas também faço parte de um grupo de religiosos que defendem o diálogo inter-religioso, e fazer um diálogo com pessoas diferentes só é possível se a pessoa, munido de plena convicção em relação a sua fé, tem a civilidade de entender que a outra pessoa tem o direito de não ter a mesma fé. Mais do que isso, tanto os princípios do religioso como de qualquer ateu, devem estar voltados para a justiça e à valorização da vida e do bem estar de todos/as se quiserem seguir a trilha do bom senso, e para isto, inexoravelmente, cada um e cada uma deve estar pronto/a para abrir mão de algo pelo bem de todos, ou seja, por aquilo que é mais justo.
Falei tudo isso até agora para dizer que, mesmo sendo católico, sou contra a aprovação do estatuto do nascituro em tramitação da Câmara do Deputados. O estatuto, se aprovado, cometeria uma grande injustiça contra as mulheres e contra o princípio da laicidade do Estado brasileiro. O estatuto visa proteger os não nascidos desde a sua concepção, e com isso, mulheres vítimas de estupro e/ou correndo risco de morte por conta da gravidez estariam proibidas de interromper a gestação, sem falar no uso da pílula do dia seguinte que também seria considerado crime.
Segundo prevê o estatuto, para as mulheres estupradas, o estuprador deverá pagar uma espécie de "bolsa estupro", ou seja, uma pensão alimentícia para a criança até que ela complete 18 anos, ou caso o mesmo seja desconhecido ou encontre-se preso, o estado assumirá o ônus, assim como mães de filhos anecéfalos (crianças sem cérebro), deverão levar gestação até o fim, mesmo sabendo-se que a criança certamente morrerá horas depois de nascida. Criar uma relação absurda da mãe com o estuprador e submeter mulheres a passarem por uma experiência de gravidez que não desejam seria realmente necessário, se considerarmos que a vida humana começa indubitavelmente a partir da concepção, no entanto, essa é uma tese defendida por alguns cientistas e é sustentada por (grande parte dos) cristãos, mas, absolutamente, não é um consenso nem na esfera científica e muito menos entre as demais pessoas - até mesmo a Igreja Católica já teve um posicionamento diferente desse há séculos atrás.
Entre os brasileiros, por exemplo, a tese mais aceita a respeito do que seja de fato a vida humana reside no pleno funcionamento do sistema nervoso - especialmente do cérebro. Baseados nesse princípio, não achamos uma crueldade a doação de órgãos. Hora, compreende-se como morte cerebral a morte do ser humano em si, ainda que os outros órgãos do corpo ainda funcionem. Por isso, há quem defenda que da mesma forma como não é crime retirar órgãos de pessoas com morte cerebral, não é crime interromper a gravidez antes do sistema nervoso do feto estar plenamente formado. E esta é somente uma das teses a respeito de quando inicia a vida. Quem vai dizer o que é certo? Nesse caso, o único argumento incontestável é que não há argumento incontestável. Apesar dos argumentos contra o aborto (com certa razão) valerem-se de artifícios que mecham mais com a sensibilidade, a Igreja e os contra o aborto cometem o grave erro de satanizar quem é pró-aborto, e quem é a favor, costuma subestimar a inteligência de quem é contra. Sei que provavelmente estes grupos divergentes jamais chegarão a um acordo, mas sem dúvida esta visão maniqueísta de parte a parte não é a saída para mal algum.
Quem pode atirar a primeira pedra em uma mulher que não quer ter o filho do cara que a estuprou? Quem pode atirar a primeira pedra na mulher que não quer morrer antes mesmo do parto? Quem pode atirar a primeira pedra na mulher que, se errou em transar sem camisinha errou em dupla, mas sozinha terá que arcar com as consequências? Quem pode atirar a primeira pedra em quem entende diferente a origem da vida? O aborto, para as mulheres normais, é por si só uma experiência traumática e/ou perigosa. É evidente que as mulheres sempre evitarão passar por isso. Rotular a mulher que interrompe a gravidez de assassina é uma possibilidade, sim. Pode ser considerado abominável, sim. Mas também pode não ser. Entender isso poderia fazer com que as igrejas e os contra aborto fizessem campanhas educativas para as suas, ao invés de ficar criminalizando e oprimindo as mulheres que não estão ao seu lado nisso. Afinal, segundo os preceitos cristãos, não se combate mal com mal. Maltratar a mulher que aborta não trará o feto de volta, ao contrário, a misericórdia é a maior arma para desarmar qualquer mal que se acredite haver.
A descriminalização poderia favorecer, sim, àquelas mulheres sem escrúpulos que poderiam sair transando sem camisinha indiscriminadamente sabendo que o aborto estaria garantido caso engravidasse, ainda que transar sem camisinha e o próprio procedimento possam acarretar consequências irreversíveis para a sua vida, mas, não é salutar pensar nos insanos quando estamos decidindo uma lei. Seria como condenar o Bolsa Família só porque há pessoas que recebem e não precisam, ou porque há gente que sai por aí fazendo filho pra ganhar mais dinheiro. Que o programa se acabe ou modifique-se por outros motivos, mas não por estes, porque sabemos que a maioria dos que recebem precisam, e seria injusto acabar com um programa porque alguns fazem mal uso deste, pois a melhor saída para isto é melhorar o monitoramento ou tornar o programa menos eleitoreiro. Da mesma forma, seria absurdo a liberação do aborto ou de qualquer procedimento envolvendo a saúde pública sem os devidos mecanismos de controle e sua consequente fiscalização.
A criminlização do aborto é uma questão de saúde pública. Sabe-se que em todo Brasil milhares de clínicas fazem esse tipo de cirurgia sem qualquer regulamentação. Pelo menos 1 milhão de mulheres praticam aborto por ano, e cerca de 400 mil acabam com sequelas irreversíveis ou morrendo no processo. Quem pode pagar, faz um procedimento seguro. Quem não pode (a maioria), se submete à mão de açougueiros e pílulas ilegais. O estado deveria garantir o direito de ser, pensar, e agir diferente, desde que isto não fira a Constituição, como fere o ato de instituir leis baseados em fundamentos religiosos desobedecendo o princípio do livre pensar e da livre profissão de fé de um estado laico. Qualquer lei (somente) deve estar de acordo com a Constituição, que é um primoroso fruto da construção coletiva de diferentes grupos da sociedade, inclusive das Comunidades Eclesiais de Base.
Os cristãos, especialmente, têm todo direito de ser apreensivos quanto ao pluralismo no qual se envolve a cada dia a sociedade atual. No entanto, o pluralismo já está assegurado na Constituição. E, se para as algumas religiões é importante evitar o pluralismo que fragmente seu código moral ou seus princípios, para a salada mista que é o Brasil seria desastroso atender a somente um desses grupos. Por isso, sou a favor da permanência da lei a respeito do aborto como ela está, e, caso a prática seja liberada, que garanta-se a livre manifestação dos contrários e as devidas regras para garantir o direito pleno e sagrado da mulher decidir.
Esse eu tenho certeza que a maioria ainda não leu! (viu, Tânia?! rsrs) Eu o publiquei quando tinha só 3 seguidores. É um texto doce e sensível - editado.
PALAVRÃO É O CARALHO
Alguém já pronunciou "Puta que Pariu" num momento de raiva? Não? Então Experimentem. É uma verdadeira terapia pronunciar essas palavras dando ênfase nas sílabas "PU" e "PA"; garanto que é algo verdadeiramente terapêutico. Acho cafona a visão que muitos/as tem hoje em dia dos palavrões, como se fosse algo pervertido, digno de tapinhas na boca, mesmo em pleno século XXI.
Ano passado, em São Paulo e na Bahia, livros didáticos foram "flagrados" contendo palavrões em tirinhas ilustrativas. Aí pronto, toda a sociedade moralista se viu revoltada com isso. Até penso que pais e educadores devem ter pensado "puta que pariu! quem foi esse filho da puta que deu essa mancada?!", mas é inconcebível seus filhos e filhas dizerem o que todo mundo diz, nem que seja em pensamentos. E até parece que os palavrões contidos nas tirinhas seriam alienígenas para as crianças. Sei que há pessoas que não chamam palavrão, mas não há pessoa com mais de 6 anos que não conheça um vasto repertório de palavrões.
Os palavrões carregam discriminação tamanha consigo devido a sua origem quase sempre associada a sexualidade, e nós, cidadões e cidadãs do século XXI, ainda não nos sentimos a vontade com temas envolvendo foda e seus adereços. Mas acontece que na grande maioria das vezes os palavrões são usados como interjeição, e nesses casos, as pessoas usam para expressar com mais vigor seus sentimentos, e nem o dizem pelo sentido literal da palavra. por isso, para mim, é inconcebível tamanha espécie causada por essas palavras mágicas. Na verdade, é um paradoxo que justamente a caretisse das pessoas dêem o devido gosto aos palavrões. Tenho certeza que se fosse permitido, chamar alguém de "culhão" não seria tão bacana.
Eu acho lindo crianças e mulheres chamando palavrão. Não porque eu de fato veja muita graça nisso, mas toda vez que eu vejo mulheres e crianças chamando palavrão, eu penso que um pouco da hipocrisia do mundo está caindo. Afinal de contas o que é foda, no sentido literal do palavrão? É sexo, é fazer amor; o que tem de demoníaco nesse prazer que Deus deu às pessoas? O que são caralho e buceta? São órgãos genitais que as pessoas convivem diariamente, seja com os seus próprios, seja com o dos outros; de uma forma tão natural como convivem com braços e pernas, então por que condenar uma criança que chama caralho ou buceta? O que é puta que pariu? é uma profissional do sexo que deu a luz a uma criança; como é que isso pode ser visto como algo feio por alguém? Ou seja, mesmo os palavrões em sentido literal não têm nada demais.
Até entendo palavrão como indelicado em alguns casos, porque devemos respeitar a cabeça dos outros. E como não sou "dependente químico" de palavrão, eu aceito não chamá-lo em certos ambientes para não causar desconfortos gratuitos, mas quando alguém usa o discurso de que isso é pecado ou falta de educação, eu me pergunto sobre o que é pior para a sociedade, as pessoas encararem sua sexualidade com maior serenidade e maturidade ou manter essa manta hipócrita sobre temas envolvendo sexo como se foder não fosse uma coisa do caralho, e como se estar afinado com sua sexualidade não fosse essencial para o bem viver de todos/as.
Se não gostaram, podem mandar eu tomar no cu ou ir pra casa do caralho...
PS: Não admitam que "Cu"seja considerado palavrão... pois tem só duas míseras letras!
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Imagem extraída do blog Correio de Notícias, no qual encontrei um debate na linha desse texto que escrevi, demonstrando que o que falo sobre palavrão e relaxamento está comprovado cientificamente (viu? Num disse?!). Vale a pena ler.
Neste mês de aniversário desta casa, partilho com vocês...
Meu nome de batismo é Eraldo Paulino Rodrgues Junior. Mas jamais fui chamado de Eraldo Paulino por ninguém. As pessoas me chamam ou de Eraldo ou de Agô (isso mesmo). Por isso, quando eu assinava algum texto, sempre usava Eraldo Rodrigues ou Eraldo Junior. Pra mim, o nome "Paulino" sempre foi uma espécie de inquilino do limbo, uma inutilidade que escrevia quando me era exigido o nome completo. Não conseguia me ver como Paulino. Sempre preferi, até mesmo, ser chamado de Agô a Eraldo, nome pelo qual todo mundo de casa e da rua me chama. Porque Agô remete a uma originalidade que busco quase que patologicamente, ou seja, não conheço ninguém que se chame Agô; portanto Agô sou eu e pronto.
Recebi esse apelido de minha irmã, que ao tentar me chamar de "Eraldôôô!" quando éramos crianças, me chamava de "Agôôô!", devido a dixão ainda em desenvolvimento. Inclusive, entre meus irmãos e eu, todo mundo se apegou aos "desusos" de dixão. Assim, Mike é "Back", e Naiá é "Iaiá" e Eraldo é "Agô" ( o único que exige explicação mais detalhada).
"Eraldo e suas paulinisses" possui a subjetividade que não se explica pelo mesmo motivo que ninguém me explica porque se fecha os olhos durante o beijo. Se pudesse, eu daria um jeito de incluir "Agô" no título, mas sei que esse é um espaço feito pelo paulino que há no Agô, e pelo Agô que há no Eraldo. Pela riqueza da peculiaridade que só em mim há, assim como todo mundo faz a sua própria careta ao chupar limão.
Nesta postagem, trago um dos poucos textos românticos que já postei. Só depois de iniciar minha peregrinação para ajustar as marcações fui perceber isso. Então trago a vós o texto que mais gostei de ter escrito neste estilo. Na próxima postagem, deixarei minha moleza de lado e postarei algo inédito.
__________________ TWITTANDO 06h00m -Acordo esfregando os olhos... acenderam a luz... pelas minhas mãos cerradas o sonho que tive com você se esvai.. como água 07h14m -Caminhando para o trabalho, sinto seu cheiro. Olho pra trás... não era você... não era ninguém. 08h46m -Estou trabalhando. Sinto seus lábios nos meus... sua língua está em minha boca... NÃO ESTÁ? Não está... 09h12m -No intervalo pro café. Estou sorrindo... nos divertimos tanto naquele dia... - Você tá ficando maluco? - não (risos constrangidos); não é nada. Estou lembrando de uma coisa... 10h10m -Meu colega de trabalho fala a mesma palvra que você me disse após nosso último encontro... Minha calça fica apertada na região genitária... meu coração fica apertado na região da saudade... minha alma fica em frenesi na região do fogo ardente... 11h49m -estranho... reparo que não estava pensando em você 12h00m - Meu peito formiga qual d'uma golada desavisada de cachaça... é você?!... ... ... não. Claro que não é...nem poderia... 14h15m -Chego em casa finalmente. Estou com muito sono. Durmo. ... seria tão bom continuar o sonho que tive pela manhã 15h57m - Conseguimos finalmente encaixar nosso beijo... estamos num só ritmo... nossos corpos estão muito encostados... você pressiona seu quadril contra mim... friccionando... acendendo... um poste sai voando... minha mãe fala bom dia enquanto a beijo... um cachorro mia com a capa do Crypto... ... ... acordo! Suado! 16h00m - ... 17h44m -Levanto bastante apressado... ... ... dessa vez não sonhei com você...chato 18h12m -Vou pra faculdade. Um vazio preenche meu peito. A luz de seus olhos enubrecem minha vista... estou cabisbaixo tal qual um herói pedindo socorro, ou um palhaço pedindo alegria... por quevocê não estáaqui? 19h27m - O professor entra na sala. Entra sorrindo. Começa a explicar sobre a noticiab(o amor que sinto por você é tão lindo. Me faz bem amar tão profundamente uma pessoa tão especial como você)ilidade... 20h34m -Trabalho complexo... concentração. 23h56m - Sinto falta de entrelaçar meus dedos em suas mãos em uma tarde quente de Belém... te chamar de safada enquando fazemos amor... ver as maçãs do seu rosto avermelharem quando digo que você é linda... falar com voz de criança que voxê é meu bebexinho... ouvir você cantar em meu ouvido "Eu preciso dizer que te amo/ Te ganhar ou perder por engano"... olharmos um nos olhos do outro e simplesmente dormir fitando o universo que aparentemente nos pertence... 23h57m -Queria que você existisse...
Nesse mês de aniversário, apresento mais uma paulinisse, dessas que pipocam do Eu idiota do meu mosaico de eus de quando em vez. Vale ressaltar que nesta dei uma editada, pra tirar excessos de gordura. Lembrando que recebi um selo de um blogueiro Pai d'égua: Léo_Santos PROVÉRBIOS DE MSN
Eu tenho a mania de inventar frases. A maioria destas abaixo, eu criei expontaneamentemente teclando com alguém no msn, e outras eu criei no banheiro, no ônibus, namorando, ou seja, elas pipocam naturalmente vez ou outra...
A falsidade é o apelido discriminado da simpatia.
Não existe roubo, o que existe nesse país é doação involuntária.
O que seria das piadas sem os estereótipos? O que seria dos estereótipos sem as piadas?
Na trilha dos desgraçados só há um refrão, um eterno refrão.
O não de mulher é um eufemismo irresistível.
Há uma semelhança incrível entre cu e coração romântico: não é qualquer um que consegue entrar direito.
Há dois tipos de pessoas que certamente jamais serão cornos: os desinformados e os teimosos.
Na Amazônia, nós vivemos as quatro estações num só dia de verão.
O demônio é parente não tão distante do papai Noel e do lobo-mal.
Se a igreja é o ópio do povo, os partidos são as heroínas dos militantes.
Antes das igrejas serem a indústria do dízimo, elas precisam ser fábricas de deuses.
Na falta de novas lendas para a Amazônia, inventaram a lenda do desenvolvimento sustentável.
A arte simplesmente é, e não tem culpa do pai ou da mãe que tem.
O meu tipo ideal de mulher é aquela que respira.
A verdade é uma mentira bem contada.
Ter fé é se perguntar várias vezes a mesma pergunta e entre tantas preferir sempre a mesma resposta
Mês de junho esta casa comemora aniversário. Faz quase um ano que comecei, não só a escrever num blog, como a ter contato com a blogsfera. No entanto, por diversos problemas, não consegui ainda imergir nem 1% do que posso (e a blogsfera permite) no oceano dos blogs. Comecei mesmo a fazer, ainda que timidamente, uma blogagem mais eficiente a partir de setembro do ano passado, por isso a maioria dos que me lêem hoje não tiveram contato com esses textos. Por isso, neste mês celebrativo trarei alguns desses posts e mais algumas informações a respeito das paulinisses, como o porquê do nome e a postagem que até hoje não tive coragem de fazer, tratando sobre o aborto. Guardando os agradecimentos e as formalidades para uma outra hora, deixo aqui o primeiro texto desse mês retrô...
______________ HOMOFOBIA É PECADO
A homofobia é uma vila cheia de vizinhos casados, em que aquela mulher fofoqueira consegue se achar melhor do que a “colega” do kit-net ao lado porque transa com seu marido sem fazer tanto barulho ou sem gemer descaradamente seu prazer. A homofobia é a forma com que uma porção de cabeças duras se baseiam no senso comum equivocado para externalizar suas debilidades humanas. A homofobia fere, destrói, e parte de covardes. A homofobia é cruel. A homofobia é nojenta. A homofobia é pecado.
O preconceito contra gays, lésbicas, bissexuais e travestis, no ocidente, baseia-se numa concepção fundamentalista do cristianismo. A base dos cristãos-homofóbicos parte basicamente de algumas máximas típicas. Entretanto, se Deus disse “crescei e multiplica-vos”, e por isso é uma aberração haver um casal gay, então um casal formado por homem e mulher estéreis é também cruel? Se um casal transa sem objetivo de ter filho ele está cometendo pecado? Na bíblia, livros como o de Levítico e as Epístolas paulinas condenam a homossexualidade, mas o livro do Levítico também diz que mulher menstruada é impura e deve ser afastada da sociedade (Lv 15) e Paulo declara que mulher não pode se manifestar publicamente sem o consentimento do marido (I Cor 34 s). Portanto, o mesmo preconceito que possibilita essas proposições machistas, também provoca tais condenações homofóbicas. A base bíblica desses preconceituosos travestidos de cristãos é tão sólida quanto um pudim estragado, e, como diria Ruben Alves, para as pessoas de bem, toda lei deve ser submetida ao bom senso.
Outro argumento muito usado por homofóbicos é que a homossexualidade e a bissexualidade são uma mera escolha. Quem é que escolhe se achincalhado publicamente pelas pessoas que mais ama e por pessoas que nem conhece? Qual o indivíduo que chegando a certa idade escolheu ser vítima das garras cruéis de uma sociedade padronizadora? Se fosse uma mera questão de escolha, quantos padres não escolheriam deixar de ser gays? Quantas freiras não escolheriam deixar de ser lésbicas? Quantos filhos machos de pastores da vida não escolheriam deixar de sentir aquele formigamento quando chegam perto do seu homem desejado? Perguntem pra quem está no grupo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) se o que sentem não faz parte deles tanto quanto faz parte deles o desejo de amar e serem amados e amadas.
Algum tempo atrás, era comum uma pessoa branca entender que as pessoas negras são inferiores. Hoje em dia também é, mas existe uma reflexão bastante avançada sobre essa questão que força o indivíduo a, ao menos, ter receio de escancarar seu racismo. O mesmo processo, espero, acontecerá com os homossexuais. Só que com os homossexuais reside um problema ainda maior, porque uma mulher branca pode escolher um marido branco pra não ter um filho negro. Mas ninguém pode impedir que seu filho nasça gay, e essa imprevisibilidade é aterradora para pessoas acomodadas intelectualmente.
Ter receio do que é diferente e reagir com preconceito é intrínseco aos seres humanos. Eu mesmo, quando percebi que minha irmã era lésbica, uma das criaturas que mais amo no mundo, fiquei apavorado. Naquele momento entendi que ela estava sendo abduzida por lésbica perversas. Logo a minha irmã que sempre foi bem mais esperta que eu. Hoje, graças a espiritualidade conciliada com a racionalidade, ao bom senso, e a vontade de não ser medíocre, eu continuo amando e admirando a minha irmã como se nada demais tivesse acontecido, porque de fato não aconteceu.
O Apóstolo Paulo declarou que o amor é o dom supremo de Deus. Podemos fazer tudo, mas se não tivermos amor, nada seremos. Então devemos forçar um homem gay a casar com uma mulher, mesmo sabendo que ele jamais amará de verdade sua esposa? Se nascer com uma lésbica o desejo de amar uma mulher isso não é um dom divino? Existe forma perversa de amar? Um homem pode ser caridoso, ter fé, ter esperança, como diria Paulo, mas sem amor nada disso vale, porque a única coisa que só brota de Deus é o amor. Se um homem ama um homem, se uma mulher ama uma mulher, esse amor é sublime, puro, e honroso, porque tudo que vem de Deus assim o é. Deus é amor, e amor só dele brota. Agora, principalmente para os crentes e as crentes eu pergunto, de onde brota o preconceito? De onde brota a vontade de oprimir? De onde brota a crueldade? É de Deus?
Bem aventurados os Gays, as Lésbicas, os Bissexuais e os Travestis, porque vocês são esmagados pelas igrejas dos homens, mas no Reino de Deus serão livres.
Tu és a calamidade de um abraço O terrorismo de um sorriso O aconchego de uma tapa. A mais linda flor do nosso espinho...
Nunca pouco. Nunca fácil. Do tipo que manda, grita e bate. Do tipo que chuta, morde e late. És mulher que domina para ser dominada por mãos grossas que a controlem, uma língua que a inunde, ou uma tora que a rasgue. Aabre-te apenas à masculinidade da desobediência, a revolta de quem a jogue na cama; a veia pulsante do mastro da indecência (rígida, nervosa e insana).
Uma safada que faz carinho. Mulher pura que goza. Amiga; musa da punheta do próximo. Sonhadora da alameda da loucura. Terrível como a brisa, és terna, como o mais doce temporal.
Força. Doses generosas de brutalidade, adrenalina dor, e.... graça. Esses talvez sejam os grandes ingredientes para tornar tão popular o jogo que alguns conhecem como cemitério, mas é mais conhecido em Belém como queimada. Mas não qualquer queimada. A queimada disputada por verdadeiros gladiadores gays. Uma genuína batalha cercada de tensão e alegria.
O esporte funciona como uma forma de inclusão social de um povo que costuma ser excluído das principais instituições de nossa sociedade: a família, a igreja e a escola. São raras as vezes em que pessoas homossexuais ou bissexuais são aceitas exatamente como são. “Eu até tolero o fresco, mas não suporto a frescura do fresco”, costumam falar as pessoas que, imersas no senso comum, propagam a homofobia, que assim como o racismo é manifestado de forma velada em nossa sociedade.
O que torna especial a relação entre os gays e a queimada, é justamente a inclusão social que o esporte acaba proporcionando a quem é tão acostumado a ficar a margem. No jogo de queimada, ao contrário, os gays ficam no centro e as pessoas tidas como normais é que ficam a margem, admirando o talento dos esportistas ou rindo de graça do bom humor que costuma estar em qualquer ambiente desse público.
ANTES DE JOGAR, O JULGAMENTO
Samantha, 17, não foi batizada com esse nome pelos seus pais. Deles ela recebeu um nome masculino qualquer. Mas desde muito cedo ela percebeu que era ela e não ele, e resolveu escolher esse nome para ser chamada, nome com o qual ela se identifica. “Nunca fui violentada por ninguém. Desde criança percebi que não era igual aos outros meninos”, conta o rapaz que poderia ser facilmente confundida como menina, não fosse pela voz um tanto mais grave e a ausência de seios. Ela diz que em casa às vezes anda ‘como menino’, mas que não costuma sair assim na rua. “Tive minha primeira relação homossexual com 13 anos, mas antes disso eu já sabia que era gay”, afirma a estudante que não enfrenta qualquer repressão familiar, seja dos pais, dos irmãos ou da mãe. Samantha tem uma mãe protestante, por exemplo, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, e mesmo que a formação religiosa da mãe afirme que a homossexualidade é um pecado, aceita sua filha de braços abertos da mesma forma como ama os outros dois filhos heterossexuais.
O suhiman Eloi Fernandes, 27, praticamente descobriu que era gay pelos outros. Desde criança, ao demonstrar-se diferente dos outros meninos, tinha que agüentar comentários do tipo “ah, mas esse aí vai ser veado mesmo”,e mesmo antes de saber exatamente o que isso significava, foi percebendo através de piadas e toda sorte de indiretas que aquilo que ele era, seja lá o que fosse, não era bem quisto pela sociedade. “Desde que eu era entendido, a minha família tinha clareza da minha orientação sexual, tanto que, aos 17 anos, quando cheguei a falar pra eles, todos receberam normalmente” diz. Heloi não se veste como mulher, e faz parte de um outro segmento gay, que mantém mais características masculinas, diferente de Samantha.
O cabeleireiro Junior, 23, diferente dos anteriores, passaria despercebido aos ‘radares’ dos mais inexperientes. Junior é bissexual, e, a exemplo de muitos como ele, descobriu que poderia envolver-se afetivamente com pessoa do mesmo sexo relativamente tarde. “A minha vida sempre foi normal. A minha orientação sexual não era essa. Aconteceu de repente, de forma inesperada”, relata o cabeleireiro. Junior foi a uma micareta, e quando já estava com teor alcoólico suficiente no sangue, foi beijado por seu amigo. Para a surpresa do Junior, o beijo foi bom, o arrancou do armário em grande estilo e o jogou nos braços do seu primeiro namorado. “Na rua onde eu moro, ninguém sabe que tenho essa orientação. Sou bem preservado. Jogo bola normalmente com meus amigos e eles nem sonham que também jogo queimada com as gays”.
Três histórias paralelas, que se cruzam na Belém, uma rua do bairro da cabanagem onde costumam jogar aos sábados pela tarde vários gays, bissexuais e travestis o esporte que pode ser considerado deles. “Eu não jogo futebol porque não vou jogar entre os meninos vestida de mulher, também não jogo com as meninas porque apesar de ser gay, eu tenho mais força que elas, por isso o meu esporte predileto é a queimada mesmo; é onde eu me sinto realmente bem”, conta Samantha.
Pelo caminho, muitas provocações e reviradas típicas de cabelos como resposta. Vindo de vários lugares, elas se encontram. Inclusive, entre os gays, quase ninguém usa o artigo “o”, a não ser quando é pra chamar pelo nome de batismo, como por exemplo Diego, ou Eduardo. “Eu não gosto que me chamem de veado”, avisa Junior, que ao encontrar suas amigas as chama de bicha, veado, ou de nomes similares, dando a clara impressão de que, entre elas pode, e para muitos como Junior, somente entre elas também.
Inclusive, a dificuldade de definir o que é ele e o que é ela na queimada disputada por essas pessoas é algo que não deve servir de preocupação. O que convém ser “ele” e o que convém ser “ela” na sociedade tradicional, acabam diluindo-se numa realidade híbrida , uma mistura exótica (apenas para os tradicionalistas) de macho e fêmea, força e graça, certo e errado, que já não andam em separado, ou, mais ainda, jamais existiram para quem está ali, a beira da rua, contando quantas pessoas vão jogar, para dividir os times.
Eloi, que vive jogando em times por aí, em torneios amadores realizados por associações de moradores ou entidades de classe, avalia a aglutinação de cerca de vinte pessoas pra jogar é pouca. “É bacana quando vem mais gente, o jogo fica mais emocionante”, acredita ele. Rapidamente os times se dividem. “Ah, eu não vou jogar não. Tem muita gente forte lá, eu tenho medo de me machucar”, confessa Samantha, se posicionando na calçada pra assistir o jogo que começa.
A PENETRAÇÃO SOCIAL
A queimada é muito utilizada para recreação escolar. Nesse caso, é geralmente disposto com meninas de um lado e meninos do outro. Entre crianças, é muito comum haverem times mesclados também, seja brincando nas ruas ou nas escolas. O local do jogo é um espaço retangular que é dividido com uma linha ao meio para dividir os dois times. Outras duas linhas ficam ao fundo dos dois times; a partir desses limites, ficam aqueles jogadores que foram acertados pela bola sem conseguir segura-la, ou seja, que foram mortos. Assim, atrás do time A, ficam os mortos do time B, e vice-versa. Esse local é chamado de cemitério (daí o nome dado por muitos a este esporte).
O objetivo do jogo, é eliminar (matar) todos os jogadores do outro time. E a estratégia básica do jogo é a combinação da bola de quem ainda não morreu com os mortos no cemitério, e entre estes, os vivos do time adversário ficam encurralados, só podendo recuperar a bola aparando-a, ou quando a bola fica em seu respectivo campo, geralmente quando se morre alguém.
Mas a partir de uma certa idade, a força masculina das graciosas jogadoras gays acaba os distanciando dessa linha Unissex. E além de recreação, o joga acaba demonstrando a força que o esporte já demonstrou em outras modalidades, como o basquete nos Estados Unidos e o Futebol no Brasil em relação ao racismo, a força da inclusão social.
“As pessoas geralmente costumam xingar a gente quando não são acostumados a nos ver jogando. Mas em lugares em que costumamos brincar, isso não acontece.” Revela Eloi, que já viu pessoas chegarem ao extremo da intolerância ao jogar pedras nos homossexuais jogando. Ou seja, pelo exotismo ou pela força de resistir ali, o esporte acaba proporcionado um outro olhar das pessoas, que, se ainda não são de aceitação plena, ao menos não causam hematomas gratuitos e perversos. Samantha conta que há Bairros em que a própria comunidade promove torneios de queimada voltados para o público gay.
“Não vejo problema nenhum em vê-los aí. É um esporte como qualquer outro”, Conta o aposentado Francisco Rodrigues, 57, acostumado com os gritos e com as risadas de quem vive jogando queimada. Já a dona de casa Ivonéia, 27, tem sim algo contra a queimada, ela acha ridículo pessoas que ficam jogando esportes com bola no meio da rua. “Eu não me importo se é queimada, futebol ou Vôlei, eu temo é pela segurança das pessoas. Já pensou se uma bolada acerta a cabeça de alguém? Isso é um absurdo! Eles que vão para uma quadra ou para uma arena, na rua é que não deveriam jogar”, desabafa a moradora.
Um grupo de senhores, jogando baralho no pátio de uma residência próxima a quadra improvisada comentam aos risos que não tão nem aí para o que eles são ou deixam de ser. “É melhor estarem aí brincando do que por aí no mundo das drogas”, chega a comentar um deles. “Pra mim, eles não fedem nem cheiram. Eles ficando lá e eu aqui”, atesta o motorista Juvenal Sena, 45.
Já o gerente de lan house Fabio Pinto, 23, diz que até costuma jogar queimada com ‘elas’, muito embora seja heterossexual resolvido. “Eu só não estou jogando lá porque me machuquei esses dias. Eu tenho vários amigos gays, e tenho muito orgulho deles, são muito esforçados e companheiros”, declara.
O jogo de queimada acontece ao lado de um jogo tradicional de travinha, ou seja, um jogo de futebol geralmente jogado em ruas ou em lugares de pequeno porte em que se colocam duas traves pequenas, geralmente pedras ou sandalhas. Um esporte que se convenciona a se chamar de normal. Lado a lado, ninguém briga com ninguém. Futebol e queimada, heterossexuais e homossexuais coexistindo pacificamente sem que ninguém se quer repare nisto. Para eles, o normal é a tolerância, a mesma rua que pode ser dividida entre várias bandeiras, cores, classes e amores, sem que a face do ódio pelo diferente seja revelada, porque ali, muito graças ao esporte o diferente já é normal.
Inclusive, o clima pacífico no fim da tarde na Cabanagem, um dos bairros mais violentos de Belém, não é graças a igualdade, ao contrário, acontece sim pela aceitação das diferenças. Por exemplo, é diferente a quantidade de pessoas que assistem a travinha e a queimada: na queimada tem muito mais gente, e muito mais gente de todo tipo, inclusive. Os poucos que assistem a travinha são todos heterossexuais, mas a enorme platéia diante das gladiadoras da queimada, são coloridos como a bandeira do orgulho LGBT.
O JOGO – A CORAGEM DE DAR A CARA À BOLADA
A bola de queimada é uma bola de futebol mais seca. “A bola ideal pra jogar é a bola ‘dente de leite’”, revela Diego, sem dúvida a jogadora que mais se destaca na partida. Partida aliás, que é recheada de emoção e imagens impressionantes. Por ser mais seca do que o normal, a bola de queimada, literalmente queima ao entrar em contato com a pele a uma enorme velocidade. A graciosidade com que correm os gays com a bola, a forma quase doce com que arremessam a pelota, contrastam com a violência com que atinge o corpo do adversário. Aquele objeto redondo nas mãos do jogador, correndo graciosamente, com o rosto fechado e ameaçador, é uma bola, mas ao ser arremessada, parece mais uma bola de canhão, um projétil, que é encarada de frente por quem é o alvo com o mesmo semblante de coragem.
Geralmente quando se joga na rua, não há regras definidas, não há espaço definido, ou seja, é quando o jogo é “do mal”. Isso torna o jogo ainda mais impressionante. Pois, jogando a bola do campo normal ao cemitério, o time dividido em duas extremidades vai se aproximando, esmagando o time adversário até o ponto em que, fatalmente, o jogador que ataca fica a poucos metros de quem é atacado.
A bola é arremessada fortemente contra o corpo do adversário, que, com muita técnica e coragem, não só deixam-se atingir, como também, muitas vezes aparam a bola de forma impressionante, e jogam de volta contra o corpo do adversário. Ao contrário do que estabelecem muitos professores de Educação Física nas escolas, quando a bolada na cara não só é permitida, aqui parece que o rosto é o principal, se não o único alvo. Mas acertar bolada na cara não é a jogada mais bonita, a jogada mais bonita é quando um vai jogando no outro, aproximando-se, até que, bem próximos, aquele que certamente seria morto consegue aparar a bola que vai em direção ao rosto a queima roupa(“O quê, bicha?”), e a devolve contra o corpo do adversário. É como se fosse um gol de placa depois de um rally do Vôley.
“Não existe um jogador que se destaque muito dos outros em Belém, mas existe um bairro que é muito respeitado que é o da Pedreira; nenhum time ganha mais campeonatos que eles”, revela Eloi, que não vê possibilidade de um dia a queimada tornar-se um esporte profissional. “O preconceito da sociedade barra essa possibilidade, mas a gente nem liga”.
“Existe o Grupo de Homossexuais do Pará (GHP) que sempre promove campeonatos de queimada, e é uma das missões do movimento conseguir um dia profissionalizar esse esporte”, revela Junior, que graças a contatos com pessoas ligadas a movimentos sociais da causa gay conseguiu adquirir uma maior auto estima para ser plenamente o que sempre foi.
Fosse profissional, o cabeleireiro Diego Frison, 20, morador do distrito de Icoaraci seria certamente um dos destaques do certame. “É preciso ter coragem para jogar. O segredo é posicionar a mão corretamente para aparar a bolada, e precisão na hora de jogar”, conta o craque, que vê em pé de igualdade com ele mesmo o Robson da Pedreira.
“Quando há jogos de campeonato, sempre há casa cheia; tenho certeza que se um dia esse esporte fosse profissional iria gerar muito lucro, porque a dinâmica do jogo em si, e o estilo das jogadores são bastante atraentes”, analisa Samantha, que certamente seria uma das musas do esporte caso isso um dia fosse possível.
A homossexualidade, no melhor sentido que possa ser concebida, é revelada a cada detalhe do jogo. “Ao contrário do que dizem as pessoas, o gay não é só aquele que transa com pessoas do mesmo sexo, existe todo um universo particular que é muito mais profundo do que somente o sexo em si; olhar o gay apenas pelo sexo que ele pratica, é uma visão homofóbica”, revela Eduardo Soares, 25, militante da causa gay.
Os cabelos esvoaçantes, ao sabor do vento provocado pela corrida da bicha que corre, os músculos torneados incham, a jogadora se movimenta graciosamente num movimento de precisão. A bola parte na direção certa, acertando o corpo da adversária provocando um estrondo assustador. A morta grita “Ai, veado, devagar”, “Quer moleza senta no pudim, bicha”, responde a matadora. E assim, um a um, os adversários vão morrendo até que não sobre mais nenhum. Aí, quando todas morrem, cada uma volta para o seu lugar,e o jogo recomeça. Até que chova ou anoiteça demais, quando todas vão para algum lugar juntas, beber vinho.
Assistir a queimada jogada por essas pessoas, é certeza de diversão e adrenalina. A combinação perfeita para qualquer esporte que queira ser bem sucedido. E a queimada em Belém é, pelo menos no ponto de vista da inclusão social. “O gay é o último a assumir o que todo mundo já sabe”, conta Eduardo, que vê nisso uma das maiores importâncias da queimada: Um espaço para que os homossexuais possam assumir o que são, sobretudo para eles mesmos.
De todas as coisas que eu pensei em escrever neste espaço, futebol passeou entre as últimas, certamente. Mas eis que, em ano de copa do mundo,chega o momento em que senti vontade de escrever sobre o esporte que mais me intriga, emociona, e revolta. Eu, que sempre fui esportista, na atual fase sedentária de minha vida me dedico a apenas analisar, e é nessa condição, daquele que está mais no campo distante da teoria, que me dou o direito de apontar quem/o quê está no fogo.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer às meninas que me leem, sobretudo às que não entendem patavinas de futebol, que o esporte da "Copa do Mundo" hoje em dia é tão negócio quanto motel; e da mesma forma, pode ser tão verdadeiro quanto o orgasmo de uma prostituta. Existe no futbol moderno, um apego muito maior ao dinheiro e ao status quo do que a uma camisa de um time, o que nem sempre foi assim. Pelé, por exemplo, jogou quase toda a sua carreira no Santos Futebol Clube, um timasso que contava na época com grandes nomes do futebol brasileiro, mas efetivamente, o Santos não deixou Pelé rico. Comparar o que Pelé ganhou de salário no Santos com o que o Ronaldo (gordo) Fenômeno já ganhou (só de salário) é quase uma piada, assim como é de fazer rir comparar o futebol desses dois jogadores.
Desde a crônica esportiva, até as torcidas organizadas, o futebol possui uma engrenagem de corrupção que mancham essa que é uma das maiores paixões dos brasileiros. Pessoas que enriqueceram ilicitamente comandando clubes, torcidas organizadas que conxavam com dirigentes para derrubar esse ou aquele atleta e assim gerar mais dividendos para serem desviados, juízes contratados pra roubar no apito, criminosos que usam clubes para fazer lavagem de dinheiro, deputados que são eleitos pra não fazerem nada no congresso só porque são dirigentes ou ex-jogadores de um time X ou Y, são algumas das peças dessa máquina de fazer dinheiro e poder a custa da paixão alheia.
O Brasil vai parar durante quase um mês durante a copa. Época ideal para encobrir certos pecados. A linguagem do futebol é como a de Platão, ou seja, pode ser remédio, veneno ou maquiagem. É remédio quando pessoas de bom senso assimilam toda a rivalidade que o futebol envolve como uma ferramenta de diversão acima de tudo, o que proporciona momentos de adrenalina e/ou felicidade únicos; é veneno quando se usa o esporte como desculpa pra externar a bestialidade humana, como no caso em que torcedores matam ou espancam uns aos outros por conta das cores diferentes das camisas, por exemplo; e é maquiagem quando utilizam o futebol como instrumento de "panosquentização" da realidade, como aconteceu no caso do mensalão em 2006, quando as pessoas passaram a se preocupar muito mais com a derrota da seleção diante da França do que milhões do contribuinte nas cuecas cheirosas de parlamentares.
Enfim, o futebol independentemente do conhecimento técnico que se tem sobre ele, representa para todos/as nós uma espécie de patrimônio, algo que deve ser zelado. Mas infelizmente, o futebol é vítima das grandes mazelas que atingem o povo brasileiro: a corrupção, o egoísmo e a alienação. Por trás daqueles jogadores que entrarão em campo pela seleção brasileira em Junho existe uma paixão que alimenta muitas almas nesse país. Paixão essa que, no geral, arrebata corações e aprisiona mentes.
O canalha dessa vez ataca pela internet. Conversando com a namorada de um amigo, ele vai contando piadas e fazendo gracejos para a moça, e quanto mais ela não oferece resistência, mais ele vai aumentando o tom de sacanagem em suas piadas. Faz isso até perceber que ela não se ofende com o tesão que ele sente por ela, ao contrário, ela demonstra gostar das investidas, embora jamais abra a guarda ou cogite a possibilidade de concretizar a safadeza. Até que o canalha a chama para sair, mas ela resiste.
- Você tem medo de ter vontade?
- Claro que não.
- Então pronto. Já que você não tem o menor tesão por mim, não há risco de acontecer qualquer coisa, afinal, eu jamais vou fazer contigo algo que tu não queira.
- Mas se é assim, por que você quer sair comigo?
- Porque eu gosto de conversar contigo, mas essa conversa só pelo MSN não ta mais dando. Eu tenho certeza que podemos nos divertir muito juntos.
- Disso eu não tenho dúvida, mas...
- Então está feito. Pra onde nós vamos?
- Ah, sugere aí.
- Te dou duas opções, ou cinema ou motel. Cinema porque eu to afim de assistir um filme, e seria ótimo fazer isso bem acompanhado. Motel porque é a melhor forma de conversarmos em um local sem que sejamos visto por alguém que conhece o teu namorado,além de estarmos num local que não chove, e em Belém isso é uma necessidade porque todo dia chove.
- E qual local você prefere?
- Motel.
- Então ta. Mas não quero ver qualquer gracinha. Vamos lá pra COM-VER-SAR; que fique bem claro.
- Mas é claro que vamos A-PE-NAS conversar.
Chegando ao local marcado, ela já estava inquieta. Ele observa de longe toda a agonia dela. Ela ensaia ligar pelo menos umas três vezes, mas resiste. “Não quer demonstrar que tá ansiosa, né?”, pensa ele, que só aparece em frente a ela após quase meia hora de atraso, quando ela já ensaiava ir embora. Antes que ela reclame, ele vai logo dizendo que não dá pra esperar muito tempo ali naquele lugar, porque alguém poderia vê-los juntos e vai logo jogando ela pra dentro do taxi. Os dois vão calados na viagem. Ela bastante emburrada, e ele fazendo o maior esforço do mundo pra não demonstrar qualquer sentimento diferente de tranqüilidade. Os dois entram no motel. Calados. Ele espera o taxi ir embora pra fechar a cortina, ela o espera no quarto, doida pra brigar. Ele quase pode farejar o ódio dela no ar, a vontade que ela está de dizer a ele poucas e boas. Ele gosta disso, porque sabe que pra um conquistador, qualquer sentimento que não for a indiferença interessa.
Ele entra no quarto. Ela se prepara pra reclamar. Antes que ela diga alguma coisa ele se joga em cima dela. “ei, nós viemos aqui só conversar”, avisa ela. Ele olha bem nos olhos dela, e a penetra com o olhar, de uma forma que a intimida sem deixá-la com medo. O olhar dele a rasga no meio, e a desarma. Na verdade, dura apenas alguns segundos o intervalo entre a reclamação dela e o olhar dele. Ela hesita.Era tudo o que ele queria. Ele a beija sabendo da responsabilidade daquele beijo. Ela jamais teve certeza se queria transar com ele ou não, e ele sabe que sua grande e última chance é o beijo. O beijo acontece. 1. 2. 3.20 segundos. Ele conseguiu. Porteira aberta, e a língua dele percorre as principais curvas do seu circuito. Ele atrasa a chegada no destino final o máximos que pode. “Sim, você veio com toda essa violência pra enrolar agora? Vamos, faz logo o que tem que fazer”, intima ela. Dessa vez ele obedece. Na verdade, antes ele a põe de quatro, depois obedece.
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Peço desculpa a todos e todas pela demora em postar algo novo, pois ando muuuuuito enrolado. Mas agora que já consegui regularizar minha vida, me aguardem, visinhos de sempre, que já já chego visitando todos/as com todo prazer novamente.